Resumo da notícia
- Tecnologia da Unicamp usa solventes ecológicos e ultrassom para extrair compostos antioxidantes e antimicrobianos do alecrim, integrando extração e análise em um único equipamento.
- O método recupera substâncias valiosas como ácidos carnósico e rosmarínico, com potencial para indústrias alimentícia, cosmética e farmacêutica, além de reduzir desperdício e recursos.
- A inovação, premiada pela Capes e patenteada pelo Inpi, acelera o controle de qualidade industrial ao unir extração e análise, economizando tempo, energia e insumos.
Uma tecnologia desenvolvida na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) permite aproveitar resíduos da indústria do alecrim para obter compostos com propriedades antioxidantes e antimicrobianas. Para isso, os pesquisadores combinaram solventes de baixo impacto ambiental, como água e etanol, com ondas ultrassônicas. Além disso, o sistema integra a extração e a análise das substâncias em um mesmo equipamento.
A pesquisa foi conduzida por Rodrigo Stein Pizani, químico e nutricionista, durante o doutorado no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Nutrição e do Esporte e Metabolismo da Faculdade de Ciências Aplicadas da Unicamp. O trabalho recebeu o prêmio de melhor tese de 2026 da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). A tecnologia também obteve uma patente no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
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O objetivo é recuperar substâncias de interesse industrial presentes na biomassa do alecrim que normalmente seria descartada. Entre elas estão os ácidos carnósico e rosmarínico, moléculas bioativas que podem contribuir para o desenvolvimento de produtos alimentícios, cosméticos e farmacêuticos.
Dessa forma, a pesquisa busca aproveitar melhor a matéria-prima vegetal e reduzir o tempo e o consumo de recursos nas etapas de extração e controle de qualidade industrial.
Ultrassom facilita a extração dos compostos
O sistema utiliza alecrim seco e triturado, colocado em um compartimento de aço inoxidável. Em seguida, um líquido empregado como solvente circula continuamente pelo equipamento, que opera sob pressão.
Durante o processo, ondas ultrassônicas de alta potência ajudam a romper as células da planta. Com isso, os compostos de interesse passam para o líquido e seguem para as etapas seguintes.
Outro diferencial está na possibilidade de modificar a composição do solvente sem abrir o compartimento. Assim, os pesquisadores conseguem direcionar a extração de diferentes substâncias conforme as características desejadas.
Além da extração, o equipamento realiza a análise dos compostos praticamente ao mesmo tempo. Depois de deixar a biomassa, as substâncias seguem para uma segunda parte do sistema, conectada a um computador, que permite analisá-las.

Segundo Pizani, integrar essas etapas foi um dos principais desafios do desenvolvimento. Isso porque extração, purificação, separação e quantificação exigem parâmetros químicos diferentes. Por isso, a equipe precisou ajustar as condições para que os processos funcionassem em conjunto.
Em declaração ao Jornal da Unicamp, o pesquisador destacou que o método pode agilizar o controle de qualidade industrial. “Neste caso, há economia de tempo, energia e insumos”, afirmou.
Extrato natural passa por teste em geleia
Para avaliar uma aplicação prática, os pesquisadores adicionaram o extrato de alecrim a uma receita de geleia de maçã ralada. Antes disso, retiraram o etanol utilizado na extração e a clorofila, pigmento responsável pela coloração verde das plantas.
O resultado foi uma solução aquosa rica em antioxidantes. A equipe utilizou esse extrato no lugar do sorbato de potássio, conservante sintético empregado pela indústria de alimentos.
Nos testes relatados pela pesquisa, a geleia preparada com o composto natural permaneceu sem mofo durante 12 semanas de armazenamento em temperatura ambiente. O desempenho na conservação foi semelhante ao da amostra que recebeu o conservante sintético.
Além disso, a adição do extrato de alecrim aumentou o poder antioxidante do produto final, segundo os pesquisadores.
O experimento demonstra uma possibilidade de aproveitamento dos compostos extraídos da biomassa vegetal. No entanto, os resultados se referem ao teste realizado com a geleia de maçã. Portanto, ainda não permitem afirmar que a tecnologia esteja pronta para uso comercial em diferentes alimentos.
Pesquisa amplia possibilidades de uso da biomassa
O trabalho também contribuiu para o desenvolvimento de um curativo líquido antimicrobiano e de um pão com propriedades funcionais, conforme informações divulgadas pela Unicamp.
O orientador da tese foi Maurício Ariel Rostagno, enquanto Juliane Viganó atuou como coorientadora. O desenvolvimento ocorreu no Laboratório Multidisciplinar de Alimentos e Saúde (LabMAS) da universidade.
A tecnologia também pode servir de base para estudos com outras espécies vegetais. Nesse sentido, os pesquisadores pretendem explorar estratégias que combinem extração, separação e análise para recuperar compostos de interesse presentes em produtos naturais e resíduos.
Com o aproveitamento da biomassa, o estudo apresenta uma alternativa para recuperar substâncias que poderiam acabar descartadas. Ao mesmo tempo, a integração das etapas de extração e análise abre possibilidades para aprimorar processos de interesse industrial.