Resumo da notícia
- O verão eleva a temperatura da água nos viveiros de tilápia, reduzindo o oxigênio disponível e exigindo monitoramento rigoroso da qualidade da água, alimentação e saúde dos peixes para evitar perdas.
- A tilápia representa cerca de 70% da produção brasileira de peixes cultivados, e o manejo preventivo, como controle da densidade e aeração, é essencial para garantir o crescimento e reduzir a mortalidade no verão.
- A ADM lançou a Nutripiscis Oxygen, solução nutricional que melhora o desempenho dos peixes em estresse térmico, com testes mostrando ganho de até 16% em biomassa em comparação a dietas tradicionais.
A chegada do verão impõe desafios à criação de tilápias no Brasil. Com o aumento das temperaturas, a água retém menos oxigênio, o que exige atenção redobrada dos piscicultores à qualidade do ambiente, à alimentação e às condições de saúde dos peixes.
De acordo com a Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), a tilápia representa cerca de 70% da produção brasileira de peixes de cultivo. Nesse cenário, manter condições adequadas nos viveiros é fundamental para preservar o desempenho dos animais e reduzir os riscos durante os períodos mais quentes.
Além disso, a temperatura da água influencia diretamente a disponibilidade de oxigênio dissolvido. Quando esse nível cai, os peixes podem apresentar dificuldades respiratórias, redução do apetite e maior estresse. Consequentemente, essas condições podem comprometer o crescimento e aumentar o risco de mortalidade, sobretudo quando o produtor não identifica o problema a tempo.
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“O consumo de tilápia têm crescido em uma média de 10,3% ao ano no Brasil, o que incentiva a expansão do cultivo. Sistemas aquícolas são altamente suscetíveis a fatores ambientais. É fundamental identificar os desafios locais, além de adotar estratégias preventivas, especialmente quando há perspectiva de condições climáticas extremos, como é o caso de anos sob efeitos do El Niño”, aponta Ricardo Garcia, Gerente de Produtos de Aquicultura da ADM.
Manejo preventivo ajuda a reduzir os riscos no verão
Diante dessas condições, o piscicultor precisa acompanhar diferentes fatores ao longo do ciclo produtivo. O monitoramento da temperatura e do oxigênio dissolvido na água, por exemplo, ajuda a identificar situações que podem comprometer o bem-estar dos peixes.
Ao mesmo tempo, o produtor deve ajustar o fornecimento de ração às condições do cultivo. Como o estresse ambiental pode alterar o comportamento alimentar dos animais, observar o consumo ajuda a evitar desperdícios e permite identificar mudanças que merecem atenção.
A densidade de peixes nos viveiros também exige cuidado. Em sistemas mais intensivos, uma quantidade elevada de animais aumenta a demanda por oxigênio. Por isso, o planejamento da lotação, a aeração quando necessária e o acompanhamento frequente da água fazem parte das medidas preventivas.
Nesse contexto, a nutrição de tilápias pode contribuir para a manutenção da saúde e do desempenho dos peixes. Entretanto, a alimentação precisa integrar um conjunto de medidas de manejo, pois nenhuma dieta substitui o controle adequado da qualidade da água.
ADM apresenta solução nutricional para períodos de estresse
A busca por alternativas para manter o desempenho dos peixes em condições ambientais desafiadoras levou a ADM a desenvolver a Nutripiscis Oxygen, solução nutricional destinada à piscicultura.
Segundo a empresa, testes com o produto indicaram um ganho de até 16% em biomassa em comparação com dietas convencionais. A ADM afirma que a solução foi desenvolvida para apoiar o crescimento das tilápias em condições de baixa oxigenação, alta densidade de cultivo e variações de temperatura.
Esse percentual, porém, depende das condições dos testes e não representa uma garantia de resultado para todas as propriedades. Por isso, o produtor deve considerar as recomendações técnicas e as características de seu sistema antes de adotar uma estratégia nutricional.
Além do desempenho produtivo, a empresa trabalha com soluções voltadas ao suporte da resposta imune de peixes e camarões. A proposta, conforme a ADM, é ajudar os animais a responder aos estressores ambientais e contribuir para estratégias preventivas de manejo sanitário.
Planejamento nutricional deve considerar cada fase do cultivo
Uma estratégia alimentar adequada começa com o atendimento às exigências nutricionais da espécie e à fase de desenvolvimento dos peixes. Além disso, a formulação das dietas pode considerar a digestibilidade dos nutrientes, a saúde intestinal e o suporte às defesas naturais dos animais.
No entanto, os resultados dependem também das condições ambientais e do manejo adotado na propriedade. Por isso, o produtor precisa avaliar a alimentação em conjunto com a qualidade da água, a densidade de cultivo e as práticas sanitárias.
“Monitoramento da água, densidade de cultivo, sanidade e redução de manejos desnecessários são fatores que precisam ser avaliados em conjunto, principalmente nos períodos em que as condições ambientais aumentam a pressão sobre os animais”, explica Ricardo.
A orientação reforça a importância de planejar as atividades antes dos períodos de maior calor. Dessa forma, o acompanhamento contínuo permite identificar alterações e tomar decisões com mais rapidez, reduzindo a exposição dos peixes a condições desfavoráveis.
Centro de pesquisa desenvolve tecnologias para a aquicultura
Para desenvolver soluções voltadas ao setor, a ADM mantém, em Aparecida do Taboado (MS), o Centro de Excelência e Inovação em Aquicultura. Segundo a empresa, a estrutura é dedicada à pesquisa e ao desenvolvimento de tecnologias para a atividade aquícola.
O centro permite testar estratégias nutricionais e avaliar o desempenho dos animais em diferentes condições de cultivo. Com isso, a empresa busca gerar informações que auxiliem os produtores na escolha de práticas e tecnologias adequadas à rotina das propriedades.
“A ideia é entender o impacto das tecnologias nutricionais em diferentes situações e apoiar os piscicultores com ferramentas e serviços técnicos que permitem manter a produtividade mesmo em condições adversas. Por meio de dados e evidências, é possível desenhar abordagens cada vez mais integradas para a atividade. Trabalhamos cada vez mais com o conceito de prevenção, especialmente no Brasil”, destaca Ricardo.
Diante da chegada do verão, o manejo preventivo na criação de tilápias ganha importância para preservar a saúde dos peixes e reduzir perdas. O monitoramento da água, o ajuste da alimentação e o planejamento do cultivo ajudam o produtor a enfrentar períodos de maior estresse ambiental, sempre considerando as condições específicas de cada sistema de produção.