Resumo da notícia
- Exportações de tilápia cresceram 4,1% em setembro de 2026 e mais de 100% em relação ao ano anterior, ampliando a presença do pescado brasileiro no mercado internacional.
- O aumento das vendas não garante maior rentabilidade, pois os custos de produção, especialmente da ração, pressionam as margens dos piscicultores.
- Preços da tilápia viva se mantiveram estáveis no mercado interno, mas variações regionais e dificuldades na comercialização de filés congelados impactam a cadeia produtiva.
As exportações de tilápia cresceram em setembro de 2026, mas os custos de produção continuam sendo um desafio para a piscicultura brasileira. O avanço das vendas externas amplia a presença do pescado nacional no mercado internacional. No entanto, esse resultado precisa ser analisado junto às despesas enfrentadas por produtores e indústrias.
Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), compilados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), os embarques brasileiros de tilápia e produtos secundários somaram 1.397 toneladas em setembro. O volume aumentou 4,1% em relação a agosto e 100,8% na comparação com setembro de 2025.
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Apesar do avanço, o aumento das vendas externas não garante, por si só, uma melhora na rentabilidade dos piscicultores. Para avaliar o resultado da atividade, também é necessário observar os custos de produção e as condições de comercialização.
Custo da ração pressiona a produção
A alimentação dos peixes está entre os principais componentes do custo de produção da tilápia. Por isso, mudanças nos preços dos ingredientes utilizados na fabricação da ração podem afetar diretamente as despesas dos criadores.
O milho e o farelo de soja, por exemplo, são matérias-primas importantes na composição das rações. Quando esses insumos ficam mais caros, os produtores precisam administrar gastos maiores para manter a criação.
Nesse cenário, a relação entre o preço recebido pela tilápia e o custo da alimentação ganha importância. Se a receita obtida com a venda do peixe não acompanha o aumento das despesas, a margem financeira diminui.
Por isso, acompanhar os custos e planejar a produção são medidas importantes para preservar a rentabilidade da criação de tilápia. O desempenho das exportações é um indicador relevante, mas precisa ser considerado em conjunto com as condições enfrentadas nas propriedades e nas indústrias.
Preços apresentam estabilidade no mercado interno
Enquanto as vendas externas avançaram, os preços da tilápia viva apresentaram relativa estabilidade em setembro, segundo informações divulgadas pelo Cepea. O comportamento do mercado, entretanto, pode variar conforme a região, a disponibilidade de peixes e a procura dos compradores.
Além disso, as condições de comercialização dos filés congelados também influenciam os resultados da cadeia produtiva. Quando a demanda perde força ou as indústrias encontram dificuldades para repassar aumentos de custos, as margens podem ficar mais apertadas.
Dessa forma, acompanhar os preços do peixe vivo e dos produtos processados ajuda a compreender a dinâmica do mercado de tilápia. A análise conjunta das cotações e dos custos permite avaliar com mais clareza os desafios enfrentados pelos diferentes elos da atividade.
Exportações em alta exigem atenção às margens
O avanço dos embarques reforça a participação da tilápia brasileira no comércio internacional. Entretanto, o crescimento das vendas externas precisa vir acompanhado de condições econômicas que permitam sustentar a produção.
Para os piscicultores, a rentabilidade depende do equilíbrio entre o preço de venda, os custos da ração e as demais despesas da atividade. Já para as indústrias, as condições de compra da matéria-prima e de comercialização dos produtos também influenciam o resultado financeiro.
Assim, o aumento das exportações representa uma oportunidade comercial para a cadeia produtiva, mas não elimina os desafios relacionados aos custos e às margens. A evolução dos preços e das despesas de produção continuará sendo importante para avaliar as perspectivas da piscicultura nacional.