Resumo da notícia
- A C.Vale recebeu a certificação ASC Feed Standard, inédita no Brasil, para sua ração de tilápia, ampliando o controle sustentável na cadeia produtiva da aquicultura.
- A certificação abrange agora três etapas: fabricação da ração, criação dos peixes e processamento industrial, garantindo rastreabilidade e responsabilidade ambiental.
- O reconhecimento reforça o compromisso da cooperativa com a sustentabilidade, incluindo o controle rigoroso das matérias-primas e o impacto social e ambiental da produção.
A ração para tilápia produzida pela C.Vale recebeu uma certificação inédita no Brasil. Em setembro, a fábrica de rações da cooperativa passou por auditoria e obteve o ASC Feed Standard, padrão do Aquaculture Stewardship Council (ASC) voltado à produção de alimentos para aquicultura. A C.Vale divulgou a informação em 1º de outubro.
Com isso, a certificação ASC passou a abranger três etapas da cadeia: fabricação da alimentação, criação dos peixes e processamento industrial. Dessa maneira, o reconhecimento acompanha diferentes pontos da produção, desde os ingredientes utilizados na formulação até o processamento do pescado.
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C.Vale amplia atuação na produção de tilápia
A C.Vale é uma cooperativa agroindustrial com sede em Palotina, no Paraná, e atua em diferentes segmentos da produção agropecuária. Entre eles estão soja, milho, trigo, mandioca, leite, suínos, frangos e peixes.
Na produção de tilápia, a cooperativa trabalha com um sistema de integração. Para isso, fornece alevinos, ração e assistência técnica aos produtores. Depois da criação nos viveiros, os peixes seguem para os frigoríficos de Palotina e Nova Prata do Iguaçu, no Paraná, onde passam pelo processamento industrial.
Esse modelo ganhou escala. Em 2025, os dois frigoríficos processaram 54,26 milhões de quilos de tilápias, volume 13,97% superior ao registrado no ano anterior. Ao todo, a operação resultou em 22,02 milhões de quilos de produto acabado. Além disso, a cooperativa destinou 73% desse volume ao mercado interno.
No mercado externo, por sua vez, os principais destinos informados pela C.Vale são Estados Unidos, Tailândia, Taiwan, Canadá e Espanha. Assim, a operação reúne criação integrada, fornecimento de insumos e processamento industrial.
Certificação acompanha diferentes etapas
A nova certificação chega depois de a C.Vale obter, em 2024, o reconhecimento ASC para a criação de tilápias em viveiros escavados. Naquele momento, segundo a cooperativa, ela se tornou a primeira do Brasil a conquistar a certificação para esse sistema de produção.
Além disso, em 2026, os produtores integrados completaram o terceiro ano consecutivo de atendimento aos requisitos da norma. Antes da nova certificação, a cooperativa já mantinha o reconhecimento para propriedades integradas e para o abatedouro de peixes.
Agora, a fábrica de rações para peixes também passou a integrar esse sistema. Segundo a C.Vale, a unidade não utiliza ingredientes marinhos na formulação e destina toda a produção dessa linha às propriedades integradas da cooperativa.
Com essa nova etapa, a C.Vale afirma reunir os padrões ASC aplicáveis à fabricação da ração, à criação dos peixes e ao processamento industrial. Dessa forma, o controle passa a alcançar diferentes pontos da cadeia produtiva da tilápia.
Controle começa na alimentação dos peixes
Nesse contexto, a certificação também amplia a atenção sobre a origem dos ingredientes usados na alimentação de tilápias. Segundo a cooperativa, o acompanhamento envolve a rastreabilidade das matérias-primas, a responsabilidade dos fornecedores e os impactos ambientais e sociais associados à produção da ração.
Para Samantha de Mello Bastos, supervisora da qualidade das fábricas de rações, o resultado amplia a análise de sustentabilidade para além do peixe.
“Não estamos olhando apenas para o peixe produzido, mas também para a origem dos ingredientes, a responsabilidade dos fornecedores, a rastreabilidade e os impactos ambientais e sociais associados à produção da ração”, destacou.
Antes da certificação da fábrica, a cooperativa já havia planejado ampliar esse controle. Em abril de 2026, a C.Vale informou que possuía a certificação ASC para o abatedouro de peixes e 16 propriedades rurais integradas. Na ocasião, a auditoria da fábrica de ração fazia parte da próxima etapa do processo.
Desde então, a nova certificação acrescentou a etapa de alimentação ao sistema. Com isso, a aquicultura sustentável passa a reunir, dentro da estrutura da cooperativa, controles que alcançam a fabricação da ração, a criação dos peixes e o processamento industrial.
Assim, o reconhecimento acompanha uma cadeia que começa nos ingredientes utilizados na alimentação e termina no pescado processado. Para a C.Vale, a ampliação também reforça o controle e a rastreabilidade das diferentes etapas da produção.