Resumo da notícia
- O plantio antecipado de soja no Rio Grande do Sul atingiu 20.462,8 hectares em 127 propriedades de 35 municípios, iniciando em 15 de setembro, duas semanas antes do calendário oficial.
- Produtores precisaram apresentar plano de manejo da ferrugem asiática para obter autorização, que atende principalmente a demanda da região oeste, onde as condições hídricas favorecem a semeadura antecipada.
- Lavouras antecipadas não têm cobertura do Proagro, aumentando os riscos para os produtores, que devem avaliar as condições antes de optar pelo plantio fora do calendário oficial.
O plantio antecipado de soja no Rio Grande do Sul alcançou 20.462,8 hectares, distribuídos por 127 propriedades de 35 municípios. Os dados foram divulgados em 14 de outubro de 2026 pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi).
Em setembro, a secretaria disponibilizou um formulário para que os produtores solicitassem autorização para antecipar a semeadura. Com a liberação, o plantio começou em 15 de setembro, duas semanas antes do início do calendário regular da cultura no estado.
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A medida atende a uma demanda de produtores gaúchos, principalmente da região de Santa Rosa. Nas últimas safras, as dificuldades climáticas prejudicaram o estabelecimento inicial das lavouras, provocando replantios e afetando o desempenho das áreas cultivadas.
Plantio antecipado exige manejo da ferrugem asiática
A autorização segue a Portaria SDA/Mapa nº 1.124, de 25 de junho de 2024, que fundamenta a excepcionalização do calendário de semeadura da soja no estado.
Para solicitar a antecipação, os produtores precisaram apresentar um plano de manejo da ferrugem asiática, doença causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi e considerada uma das principais ameaças fitossanitárias à cultura.
Segundo Ricardo Felicetti, diretor do Departamento de Defesa Vegetal (DDV) da Seapi, a demanda pela antecipação se concentra na faixa oeste do Rio Grande do Sul.
“Identificamos que há demanda para antecipação da semeadura da soja na faixa oeste, muito em virtude da condição hídrica das lavouras durante a floração”, afirmou Felicetti, conforme declaração divulgada pela secretaria.
Além disso, o Departamento de Defesa Vegetal monitora a ocorrência da ferrugem asiática nos municípios que receberam autorização. A Emater/RS-Ascar, por sua vez, acompanhará a produtividade das lavouras para avaliar o desempenho das áreas semeadas antecipadamente.
Lavouras antecipadas ficam sem cobertura do Proagro
Apesar da possibilidade de iniciar o plantio mais cedo, os produtores precisam considerar uma restrição importante. De acordo com o alerta da Seapi, as áreas semeadas antecipadamente não estão amparadas pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc).
Por esse motivo, eventuais perdas nessas lavouras não terão cobertura do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), conforme informou a secretaria.
Dessa forma, antes de optar pela antecipação, o produtor precisa considerar os riscos associados à operação e as condições de proteção disponíveis para a lavoura.
A autorização contempla as propriedades que solicitaram e receberam a liberação excepcional. Portanto, a medida não representa uma alteração geral do calendário de plantio da soja no Rio Grande do Sul.