Embrapa apresenta pesquisas sobre fertilidade, inseminação artificial, qualidade de embriões e tolerância ao calor
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Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

A busca por melhores resultados na pecuária de corte passa, cada vez mais, pelo avanço da ciência e pelo aperfeiçoamento do manejo reprodutivo. Nesse cenário, pesquisas sobre reprodução de bovinos investigam como identificar touros mais férteis, melhorar os protocolos de inseminação artificial em tempo fixo (IATF) e aumentar a qualidade dos embriões. Além disso, novos estudos avaliam o potencial da edição gênica em bovinos para ampliar a tolerância ao calor.

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Esses temas estiveram em destaque no primeiro Simpósio Internacional de Reprodução e Fertilidade em Gado de Corte (SIMFertCorte). O evento reuniu pesquisadores que apresentaram resultados e novas linhas de investigação voltadas à eficiência reprodutiva dos rebanhos.

As pesquisas abrangem diferentes etapas da produção, desde a seleção de reprodutores até o desenvolvimento embrionário. Dessa maneira, os estudos buscam ampliar o conhecimento sobre os fatores que influenciam a fertilidade bovina e contribuir para decisões mais precisas nas propriedades rurais.

Seleção de touros pode melhorar a fertilidade

A identificação de reprodutores com desempenho superior foi o tema da palestra Estratégias de identificação de fertilidade em IATF, apresentada pelo pesquisador Roberto Torres Jr., da Embrapa Gado de Corte (MS).

O pesquisador abordou os desafios da avaliação e da certificação de touros destinados à inseminação artificial em tempo fixo. Mesmo quando os animais atendem aos critérios de qualidade das centrais de inseminação, ainda podem apresentar diferenças nos resultados reprodutivos.

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“O foco é no valor adicional desses touros, da importância do processo de certificação em função das diferenças que existem de fertilidade mesmo nos touros que passam por todos os crivos das centrais e são comercializados”, explicou.

Segundo Torres, a identificação de animais com fertilidade de touros acima da média exige modelos de análise capazes de considerar os diferentes fatores que interferem nos resultados.

Nesse sentido, os métodos tradicionais nem sempre demonstram o ganho de fertilidade esperado. Por isso, o pesquisador destacou a importância de aperfeiçoar os procedimentos utilizados na certificação.

“Adotando um modelo adequado, corrigindo os efeitos importantes e rodando a análise, a gente consegue, com um número bem menor de informação, atingir uma confiabilidade alta nos reprodutores”, afirmou.

Com essa abordagem, a equipe busca tornar as avaliações mais eficientes e identificar com maior segurança os touros que realmente apresentam desempenho superior. Assim, os produtores podem contar com informações mais consistentes na escolha dos animais para os programas de melhoramento genético bovino.

IATF busca eficiência e melhor manejo

O aperfeiçoamento dos protocolos de inseminação artificial em tempo fixo (IATF) também esteve entre os assuntos discutidos no simpósio. O pesquisador Luiz Francisco Pfeifer, da Embrapa Rondônia (RO), apresentou estratégias de manejo voltadas à melhoria dos índices reprodutivos, com atenção à eficiência operacional, ao bem-estar animal e aos resultados econômicos das propriedades.

De acordo com o pesquisador, o aprimoramento dos protocolos pode reduzir a demanda de trabalho e tornar os procedimentos mais ágeis sem comprometer a eficiência reprodutiva. Para isso, as pesquisas avaliam alternativas que facilitem a aplicação da técnica nos sistemas de cria.

“Com base em dados de pesquisa que demonstram como é possível manter alta eficiência reprodutiva com menos trabalho, mais agilidade e melhor bem-estar animal”, ressaltou o cientista.

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Além dos protocolos de inseminação, Pfeifer abordou o uso de tratamentos hormonais em vacas no pós-parto. Essas estratégias buscam favorecer as condições reprodutivas das fêmeas e ampliar as possibilidades de estabelecimento da gestação.

O pesquisador destacou que o tratamento “aumenta a probabilidade de as fêmeas ficarem prenhes e, consequentemente, eleva a rentabilidade do produtor rural”.

Entretanto, os resultados dependem das condições dos animais, do protocolo adotado e do manejo de cada propriedade. Por isso, a escolha do tratamento deve considerar as necessidades do rebanho e os objetivos do sistema de produção.

Qualidade dos embriões é prioridade

A produção in vitro de embriões bovinos (PIVE) foi abordada pela pesquisadora Margot Dode, da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (DF). A geneticista apresentou avanços da biotecnologia reprodutiva e desafios que ainda limitam a eficiência do processo, especialmente as perdas registradas em suas diferentes etapas.

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Entre as linhas de investigação estão o aprimoramento da qualidade dos ovócitos e dos embriões produzidos em laboratório. Ao mesmo tempo, os pesquisadores desenvolvem métodos para identificar aqueles com maior potencial de estabelecer uma gestação.

Essa etapa merece atenção porque nem todos os embriões apresentam a mesma capacidade de desenvolvimento. Portanto, aumentar a quantidade de embriões bovinos produzidos em laboratório não significa, necessariamente, obter mais gestações ou nascimentos.

Dode ressaltou que os avanços da técnica devem considerar não apenas o número de embriões, mas também sua qualidade embrionária e seu potencial de desenvolvimento.

O objetivo é “melhorar sua qualidade e selecionar de forma mais precisa aqueles com maior competência para gerar uma gestação e resultar no nascimento de um bezerro saudável”.

Dessa forma, os estudos buscam aprimorar a seleção embrionária e aumentar a precisão dos procedimentos empregados nos programas de reprodução assistida em bovinos.

Proteínas do sêmen ajudam a investigar a fertilidade

A avaliação dos machos também exige atenção a características que vão além dos exames convencionais. Afinal, touros com parâmetros seminais semelhantes podem apresentar diferenças nas taxas de concepção, na produção de embriões por fecundação in vitro (FIV) e na resistência dos espermatozoides ao congelamento e descongelamento.

Para compreender essas variações, a equipe do professor Arlindo Moura, da Universidade Federal do Ceará (UFC), investiga a composição molecular dos espermatozoides e do plasma seminal. Essa fração líquida do sêmen contém proteínas e outras substâncias relacionadas à manutenção e à funcionalidade dessas células.

Entre os resultados discutidos no SIMFertCorte estão associações entre determinadas proteínas do plasma seminal e indicadores de fertilidade bovina. Moléculas da família BSP e a osteopontina, também denominada OPN, aparecem em estudos relacionadas a resultados reprodutivos favoráveis.

No entanto, essas associações não significam que uma proteína, isoladamente, determine a fertilidade de um touro. Os resultados podem variar conforme a população animal, os métodos de avaliação e as condições experimentais.

Por isso, a continuidade dessas pesquisas poderá ajudar a complementar os exames convencionais de qualidade seminal e aperfeiçoar os critérios utilizados na seleção de reprodutores bovinos.

Edição gênica investiga tolerância ao calor

Outra pesquisa apresentada no simpósio utiliza a tecnologia CRISPR-Cas9 para investigar a produção de bovinos com pelagem curta, característica associada à maior capacidade de dissipação de calor.

O trabalho é conduzido pelo pesquisador Luís Sérgio Camargo, da Embrapa Gado de Leite (MG), e envolve alterações no gene que codifica o receptor da prolactina.

Essas alterações estão relacionadas ao fenótipo conhecido como slick, caracterizado por pelos curtos, lisos e brilhantes. A característica ocorre naturalmente em determinados grupos genéticos adaptados a ambientes quentes.

Para desenvolver a estratégia experimental, a equipe combinou fecundação in vitro, edição gênica dos zigotos e transferência dos embriões para fêmeas receptoras. O procedimento resultou no nascimento de cinco animais, dos quais dois apresentaram o fenótipo slick.

Durante avaliações realizadas no verão, na Zona da Mata mineira, os animais de pelagem curta apresentaram menor elevação da temperatura corporal e menor aumento da frequência respiratória em comparação com bovinos de pelagem mais longa.

Os resultados indicam potencial para aprofundar os estudos sobre genética bovina e tolerância ao calor. Entretanto, a pesquisa ainda está em fase experimental e precisa de novas avaliações antes de permitir conclusões mais amplas sobre sua aplicação nos rebanhos.

A equipe pretende ampliar o número de animais estudados, verificar a transmissão das alterações genéticas às gerações seguintes e avaliar os efeitos da característica em populações maiores.

Pesquisas buscam fortalecer a eficiência reprodutiva

Os estudos apresentados no SIMFertCorte mostram diferentes caminhos para aprimorar a reprodução de bovinos de corte. A seleção de touros mais férteis, o aperfeiçoamento da IATF, a investigação de proteínas do sêmen e a melhoria da qualidade embrionária representam frentes complementares de pesquisa.

Ao mesmo tempo, os experimentos com edição gênica em bovinos ampliam as possibilidades de investigar características relacionadas à adaptação dos animais a ambientes quentes.

Embora os resultados apontem perspectivas promissoras, cada tecnologia se encontra em uma etapa específica de desenvolvimento. Por isso, os pesquisadores precisam considerar as evidências disponíveis, as condições de aplicação e a validação dos resultados em diferentes grupos de animais.

Nesse contexto, a integração entre ciência, genética e manejo pode contribuir para decisões reprodutivas mais precisas. Para o produtor rural, o avanço dessas pesquisas poderá ampliar as ferramentas disponíveis para melhorar o desempenho do rebanho, desde que os resultados sejam confirmados e sua aplicação considere as características de cada propriedade.