Thais Mueller chegou à gerência regional da BAT Brasil após passar por diferentes áreas da empresa e defende mais oportunidades para mulheres no agronegócio
Thais Mueller, gerente regional de produção agrícola da BAT Brasil - Foto: Arquivo Pessoal

A presença das mulheres no agronegócio vai além do trabalho realizado nas propriedades rurais. Ela também passa pelo acesso a funções técnicas, oportunidades de desenvolvimento e cargos de liderança. Essa é uma das questões que marcam a trajetória de Thais Mueller, gerente regional de produção agrícola da BAT Brasil, que se tornou a única mulher no mundo a ocupar essa posição na companhia.

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Aos 37 anos, Thais lidera quatro gerentes e uma equipe de quase 100 pessoas, entre profissionais diretos e indiretos. Sua carreira foi construída dentro da empresa, com passagens por diferentes áreas até chegar à gestão da produção agrícola.

Natural de Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul, ela mora atualmente em Mafra, em Santa Catarina. Sua história profissional tem uma particularidade: embora hoje ocupe uma posição de liderança no agronegócio, não veio de uma família ligada ao campo. Seus pais são professores e vivem na região de Vera Cruz, município vizinho à sua cidade natal.

Formada em Administração, Thais começou a trabalhar antes mesmo de iniciar a faculdade. Anos depois, a entrada na BAT abriu caminho para uma trajetória que passou por funções administrativas, projetos de dados agrícolas e, posteriormente, atividades diretamente ligadas ao campo.

Para ela, chegar à liderança representa não apenas o reconhecimento de sua carreira, mas também a possibilidade de ampliar as oportunidades para outras mulheres.

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“É uma honra pra mim ter sido a primeira, mas serei ainda mais feliz quando puder ser apenas mais uma”, afirma.

Da Administração à produção agrícola

O ingresso de Thais na BAT aconteceu após uma indicação de uma colega da faculdade, que estava deixando uma vaga de estágio na companhia. Por ser da região, ela já tinha interesse em trabalhar em uma grande empresa.

Na época, Thais atuava em uma empresa familiar e estava prestes a receber uma proposta de promoção para supervisora da área financeira. Mesmo diante da possibilidade de avançar na função que já exercia, decidiu aceitar o desafio de entrar na BAT.

Ela começou como estagiária de Assuntos Corporativos. Ao longo da carreira, passou por comunicação interna, gestão de fornecedores e área digital. A aproximação com o agronegócio ocorreu durante sua atuação em funções ligadas às áreas internas de produção agrícola.

Nesse período, participou da construção do AgrInsights, sistema voltado à organização de dados da produção agrícola. A experiência ampliou seu contato com as informações utilizadas no acompanhamento das atividades no campo.

Mais tarde, Thais pediu uma oportunidade para trabalhar diretamente nessa área. A mudança levou à função de gerente territorial, conciliada com atividades de planejamento interno.

Segundo ela, o período foi complexo, mas trouxe experiência prática na produção agrícola. Em março de 2025, recebeu o convite para assumir a gerência regional.

A nova função ampliou suas responsabilidades. Atualmente, ela coordena quatro gerentes e uma equipe de quase 100 profissionais, considerando os vínculos diretos e indiretos.

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O desafio de abrir espaço para outras mulheres

A posição ocupada por Thais também evidencia uma questão mais ampla no agronegócio: o acesso feminino a cargos de liderança. Para a executiva, a conquista representa o reconhecimento de sua trajetória e a oportunidade de contribuir para mudanças dentro do setor.

“Estamos superando vieses sobre o papel feminino, ampliando oportunidades em funções técnicas e precisamos garantir que mais mulheres tenham acesso a experiências e desafios que as preparem para liderar”, afirma.

Na avaliação de Thais, ampliar a presença feminina não basta. Também é necessário criar condições para que as profissionais desenvolvam suas carreiras e alcancem posições de decisão.

“Mais do que aumentar a presença feminina, precisamos continuar criando condições reais para que mulheres cheguem à liderança”, diz.

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A atuação nessa frente inclui a participação no programa ELA — Empoderamento e Liderança no Agro, iniciativa da BAT voltada à ampliação da presença feminina em funções técnicas, como orientadoras e difusoras agrícolas, que trabalham diretamente no campo.

Thais é sponsor do programa, que busca abrir oportunidades para mulheres nessas atividades. A proposta se relaciona à experiência da executiva, que passou por diferentes funções até assumir a gestão regional da produção agrícola.

Produtoras rurais buscam reconhecimento

A aproximação com mulheres que atuam diretamente na produção também influencia a visão de Thais sobre o tema. Uma experiência marcante ocorreu na primeira edição do Mulheres em Campo, realizada em Canguçu, no Rio Grande do Sul.

O encontro reuniu mais de 160 mulheres produtoras integradas à BAT. Para a executiva, ver tantas participantes compartilhando experiências e reconhecendo seu protagonismo na atividade rural foi significativo.

“Foi muito significativo ver tantas mulheres reconhecendo seu próprio protagonismo na atividade rural e compartilhando suas experiências”, afirma.

Thais observa que as mulheres sempre participaram das decisões e do trabalho que sustenta a produção agrícola, embora nem sempre tenham recebido a mesma visibilidade.

A iniciativa busca ampliar esse reconhecimento e criar oportunidades de desenvolvimento e liderança. O contato com as produtoras também reforça a importância de considerar as experiências de quem atua diretamente nas propriedades rurais.

“A mulher sempre esteve no campo, o que está mudando é o reconhecimento do seu papel”, resume.

Uma trajetória que abre caminhos

A história de Thais também passa pela maternidade precoce. Ela tinha 15 anos quando nasceu Tainá, hoje com 21 anos, estudante de Agronomia em Santa Maria, no Rio Grande do Sul.

A gravidez não estava nos planos e trouxe dificuldades naquele momento da vida. Com a chegada da filha, porém, suas prioridades mudaram. A responsabilidade de criar uma criança passou a orientar suas decisões e a necessidade de construir uma trajetória profissional ganhou outro significado.

Hoje, mãe e filha mantêm uma relação próxima. Thais descreve Tainá como sua melhor amiga e acompanha a escolha da jovem pela Agronomia, área que também faz parte de sua trajetória profissional.

A carreira da executiva foi construída por etapas, desde as primeiras experiências administrativas até a atuação direta na produção agrícola. Agora, à frente de uma equipe numerosa, ela também associa sua posição à possibilidade de ampliar oportunidades para outras profissionais.

Para Thais, o avanço da liderança feminina depende de mais do que conquistas individuais. É necessário garantir que outras mulheres tenham acesso a experiências, desafios e oportunidades que permitam seu desenvolvimento no agronegócio.

Por isso, a expectativa não é permanecer como a única mulher nessa posição, mas ver outras profissionais chegarem ao mesmo nível de responsabilidade. Como resume a própria executiva, a maior conquista será quando ser a primeira deixar de ser uma condição excepcional.