Resumo da notícia
- Uma loja em São Lourenço oferece cafés especiais gratuitos, permitindo degustação ilimitada para aproximar consumidores de micro e nanolotes raros, com expansão prevista para São Paulo em 2026.
- A iniciativa combina experiência gratuita com estratégia comercial, incentivando consumidores a conhecer, comprar e presentear cafés especiais, aumentando a demanda por esses produtos diferenciados.
- O produtor Luiz Paulo destaca cafés raros como Coffea eugenioides, com alta valorização no mercado internacional, reforçando o potencial dos microlotes de alto valor em Minas Gerais.
Uma loja em São Lourenço, no Sul de Minas Gerais, oferece cafés especiais de graça aos consumidores. O público pode experimentar diferentes bebidas sem limite de quantidade ou variedade. Com isso, a iniciativa funciona como uma espécie de “escola modelo” para aproximar os consumidores de cafés produzidos em micro e nanolotes.
O produtor e empresário Luiz Paulo Dias Pereira Filho comanda o negócio e negocia a abertura de uma unidade em São Paulo ainda em 2026. Dessa forma, a expansão pretende levar o mesmo formato a um público maior.
“É muito relevante para quem trabalha com cafés especiais, cafés raros, aproximar os consumidores desses produtos, permitir que eles conheçam essas joias em forma de café. A iniciativa atrai dezenas de consumidores ao dia em São Lourenço e levaremos essa possibilidade agora para o público da capital paulista”, revela.
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Degustação gratuita também tem objetivo comercial
A degustação não representa apenas uma ação para apresentar os produtos. A iniciativa também segue uma estratégia comercial: permitir que o consumidor conheça diferentes cafés antes de decidir pela compra dos grãos.
“Quero minhas lojas cheias, todos os dias, com pessoas bebendo cafés especiais de graça. Isso fará com que um público cada vez maior conheça esses lotes raros e se interesse por eles, o que, por consequência, aumentará a busca por esses cafés diferenciados, uma vez que essas pessoas também desejarão consumir esse produto de excelência nos lares ou mesmo presentear amigos. É aí que entra o foco comercial, com elas adquirindo os cafés diretamente na loja para levar para casa”, explica.
Assim, o modelo aproxima a degustação da venda. Primeiro, o consumidor experimenta os cafés. Depois, pode comprar os grãos para preparar em casa ou presentear outras pessoas.
Produtor aposta em cafés raros
Além da operação voltada ao consumidor, Luiz Paulo produz cafés especiais e raros. Entre eles está o Coffea eugenioides, espécie ancestral do café arábica que apresenta baixa produtividade.
Segundo informações divulgadas pela Reuters, o produtor pretende comercializar 10 sacas de 60 quilos da espécie por cerca de R$ 1 milhão. A produtividade chega a aproximadamente duas sacas por hectare. Em uma safra anterior, ele vendeu três sacas por cerca de R$ 90 mil cada.
Além disso, compradores de outros países já adquiriram esses cafés, incluindo clientes de Taiwan e da Arábia Saudita.
No projeto Rarus, em Carmo de Minas (MG), o produtor também trabalha com microlotes de alto valor. Em maio, um lote de 70 gramas de café geisha foi vendido por R$ 3 mil. Uma semana depois, outro lote, com 100 gramas e fermentação a frio durante sete dias, alcançou R$ 10 mil.
Esses valores ajudam a dimensionar o mercado de cafés produzidos em pequenos lotes. Ao mesmo tempo, a loja busca apresentar esse segmento a consumidores que ainda não têm contato com produtos desse nível de preço e qualidade.
A Alliance for Coffee Excellence (ACE) também reconheceu Luiz Paulo como um dos seis primeiros produtores classificados como “Lendas da Excelência” no mundo. Ele foi o primeiro brasileiro a receber esse reconhecimento.
Café especial também chega às competições
Um dos cafés produzidos por Luiz Paulo também foi utilizado pela barista Amanda Albuquerque no Campeonato Brasileiro de Coffee in Good Spirits (CIGS) de 2026, realizado pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), em São Paulo.
A competição reúne profissionais que criam bebidas à base de café especial e outros ingredientes. Na edição de 2026, Amanda Albuquerque se tornou a primeira mulher a conquistar o título brasileiro da categoria.
O campeonato ocorreu entre 3 e 5 de setembro, no Mercado Municipal Paulistano, conhecido como Mercadão de São Paulo. Nesse contexto, o uso de cafés produzidos em microlotes também levou esses grãos de maior valor para o ambiente das competições de barismo.
A experiência com cafés de alto valor faz parte da trajetória que Luiz Paulo pretende levar para as novas lojas.
“Procuro inovações constantemente, estudando o que acontece de melhor no mundo e garimpando cafés que sejam verdadeiras joias. Minha ideia é desmistificar a produção do café de luxo, como um ‘coffee maker’, e mostrar ao mundo que o Brasil está na vanguarda desse mercado. Agora, através das lojas que ampliaremos ao longo dos próximos anos pelo Brasil, quero permitir que os consumidores brasileiros conheçam e possam se deliciar com essas obras-primas”, conclui.