Atrasos acima de 90 dias chegaram a 20,74% na Caixa e 6,27% no Banco do Brasil, ampliando a pressão sobre produtores e empresas do setor
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Image by Mirko Fabian from Pixabay

A inadimplência do agronegócio avançou nos dois principais bancos públicos com forte atuação no setor e aumentou a pressão sobre o crédito rural. No Banco do Brasil, as operações do agro com atraso superior a 90 dias chegaram a 6,27% no segundo trimestre de 2026, contra 3,16% um ano antes.

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Na Caixa, o índice alcançou 20,74% em junho, ante 7,02% no mesmo período de 2025. O indicador do setor ficou, portanto, bem acima da taxa geral do banco, que chegou a 3,64%.

No Banco do Brasil, a carteira destinada ao agronegócio somou R$ 421,6 bilhões no segundo trimestre. Assim, a evolução dos atrasos ganha peso para o financiamento de novas operações.

Medida pode aliviar dívidas

O aumento da inadimplência ocorre enquanto os bancos avançam nas operações previstas pela Medida Provisória 1.376/2026.

No Banco do Brasil, até R$ 100 bilhões da carteira podem ser enquadrados nas novas regras. Desse total, R$ 36,7 bilhões correspondem a operações em atraso, enquanto R$ 63,5 bilhões envolvem contratos ainda adimplentes, mas que já passaram por ajustes ou prorrogações.

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Na prática, a medida pode ampliar o prazo para que produtores e empresas reorganizem os compromissos financeiros. Com isso, operações que enfrentam dificuldades temporárias podem ganhar espaço para readequação.

Na Caixa, o índice de inadimplência do agronegócio passou de 18,29% no primeiro trimestre para 20,74% no segundo. Ainda assim, o banco informou que o ritmo de crescimento do indicador perdeu força.

Pressão pode chegar à próxima safra

A pressão financeira não se limita às parcelas vencidas. Antes de receber pela produção, o produtor precisa financiar despesas como sementes, fertilizantes, defensivos, máquinas e outros custos.

Por isso, dificuldades de pagamento podem afetar também a contratação de novos recursos, conforme a análise de cada instituição. Histórico de pagamentos, garantias e capacidade financeira estão entre os fatores considerados na avaliação das operações.

“O crescimento da inadimplência reforça a necessidade de uma análise de crédito que acompanhe as dinâmicas do mercado, especialmente em um setor como o agro, sujeito a ciclos de produção, sazonalidade e oscilações de receita. Ao observar o fluxo financeiro, é possível complementar a análise tradicional e entender melhor como os recursos entram e saem da operação e qual é a capacidade efetiva de honrar compromissos”, afirma Ingrid Barth, fundadora e CEO da PilotIn.

Além disso, o impacto varia conforme o momento da atividade. No campo, os gastos costumam se concentrar antes da entrada da receita. Durante o plantio, por exemplo, o produtor pode precisar de capital para comprar insumos meses antes de vender a produção.

Consequentemente, o estágio do ciclo produtivo também influencia a organização das contas. Quem ainda precisa financiar o plantio enfrenta uma necessidade diferente de quem já colheu e comercializou a produção.

A evolução dos atrasos, portanto, merece atenção porque pode influenciar o planejamento financeiro das próximas safras. Ao mesmo tempo, as novas regras de renegociação podem alterar os indicadores nos próximos meses.

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Os números do primeiro semestre, dessa forma, ainda não permitem saber como as carteiras terminarão 2026. Para os produtores, o desafio será reorganizar os compromissos financeiros sem comprometer os recursos necessários para manter a produção.