USDA projeta 123,4 milhões de toneladas em 2026/27; produção maior pode aumentar pressão sobre Chicago e chegar ao preço recebido no Brasil
Colheitadeira avança durante colheita de soja em lavoura brasileira
Foto: Embrapa - Luiz Henrique Magnante

Os Estados Unidos caminham para colher a maior safra de soja de sua história. A nova projeção do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) aumentou a produção esperada e, ao mesmo tempo, colocou um ponto de atenção para o produtor brasileiro.

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Segundo o relatório de setembro, a produção americana deve alcançar 4,535 bilhões de bushels na temporada 2026/27. Convertido para o padrão utilizado no Brasil, são aproximadamente 123,4 milhões de toneladas.

Além disso, o USDA elevou a produtividade média das lavouras de 52,7 para 52,8 bushels por acre.

Mais soja pode pressionar Chicago

O aumento parece pequeno. No entanto, o mercado acompanha cada mudança porque os Estados Unidos estão entre os maiores produtores e exportadores de soja do mundo.

Quanto maior a oferta americana, maior pode ser a pressão sobre as cotações em Chicago, principalmente se a demanda não crescer no mesmo ritmo.

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Por outro lado, o USDA também elevou a projeção das exportações americanas. Ao mesmo tempo, reduziu os estoques finais de 320 milhões para 310 milhões de bushels.

Portanto, a safra será maior, mas uma parcela adicional dessa soja também deverá deixar o país.

Brasil ainda produz muito mais

Plantação de campo de soja em área experimental da Embrapa
Foto: Lebna Landgraf /Embrapa

Apesar do recorde americano, o Brasil mantém uma vantagem considerável.

O USDA projeta 186 milhões de toneladas de soja para o Brasil em 2026/27. Assim, caso as estimativas se confirmem, o país produzirá cerca de 62,6 milhões de toneladas a mais que os Estados Unidos.

Levantamento Agro em Campo

Indicador 2026/27 Brasil EUA
Produção 186 milhões t 123,4 milhões t
Diferença +62,6 milhões t —
Importações da China 115 milhões t —

Fonte: levantamento Agro em Campo com dados do USDA/WASDE de setembro de 2026.

China entra no centro da disputa

É justamente aqui que a China ganha importância.

O USDA estima que o país asiático poderá importar 115 milhões de toneladas de soja em 2026/27. Dessa forma, o comportamento do maior comprador mundial será decisivo para equilibrar a oferta adicional.

O Agro em Campo explica: Brasil e Estados Unidos disputam espaço no mesmo mercado internacional. Por isso, mudanças na produção americana podem afetar Chicago e, consequentemente, chegar à formação do preço da soja brasileira.

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Entretanto, uma safra recorde nos EUA não significa automaticamente queda de preços. Exportações maiores, demanda chinesa e estoques menores podem limitar essa pressão.

Para o produtor brasileiro, portanto, a preocupação não está na liderança mundial. O Brasil permanece bem à frente na produção.

O ponto de atenção está no preço da saca.

Mesmo acontecendo a milhares de quilômetros das lavouras brasileiras, uma supersafra americana pode mexer diretamente com a conta dentro da porteira.

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