Resumo da notícia
- Autoridades italianas detectaram a bactéria Xylella fastidiosa pauca em oliveiras na Calábria, iniciando ações de controle, erradicação e monitoramento para conter a disseminação da doença.
- A bactéria compromete o transporte de água nas plantas, causando secamento e morte, ameaçando a produção de azeitonas e o setor do azeite, especialmente na olivicultura regional.
- A preocupação aumenta pela associação da bactéria ao surto na Puglia, onde milhões de oliveiras foram afetadas, evidenciando o risco de prejuízos econômicos e ambientais significativos.
Autoridades italianas detectaram a Xylella fastidiosa pauca em oliveiras e acenderam um novo alerta para a olivicultura. O foco surgiu em Taurianova, na província de Reggio Calabria, onde as autoridades delimitaram uma área de controle e iniciaram ações de erradicação, monitoramento e controle dos insetos que podem transmitir a bactéria.
Análises identificaram a bactéria em sete oliveiras. Diante do resultado, a Região da Calábria estabeleceu uma área infectada de 50 metros ao redor das plantas positivas e uma zona-tampão de 2,5 quilômetros, faixa destinada ao monitoramento e à prevenção da disseminação da bactéria.
Além disso, as autoridades adotaram um plano de ação para acompanhar a ocorrência e verificar se outras plantas apresentam infecção. As novas amostragens vão ajudar as equipes a determinar se o foco permanece localizado ou se a bactéria alcançou outras áreas.
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O que é a Xylella fastidiosa
A Xylella fastidiosa é uma bactéria que coloniza o xilema das plantas, tecido responsável pelo transporte de água e sais minerais das raízes para as folhas e outras partes da planta.
Quando a bactéria se multiplica nos vasos, ela pode comprometer esse transporte. Como consequência, a planta pode apresentar queimaduras nas folhas, secamento de ramos e perda de vigor. Em casos graves, a infecção pode levar à morte da planta.
O problema preocupa especialmente a olivicultura porque uma árvore infectada pode perder vigor e produtividade antes de apresentar um declínio mais severo. Em áreas onde a bactéria se estabelece, o impacto também pode atingir a produção de azeitonas e, consequentemente, a cadeia do azeite.
Como a bactéria se espalha
Insetos vetores fazem a principal transmissão da bactéria. Eles adquirem o microrganismo ao se alimentar da seiva de uma planta infectada e podem transmiti-lo para outra planta durante novas alimentações.
Entre os vetores associados à Xylella fastidiosa está a cigarrinha-da-espuma (Philaenus spumarius). Por isso, o controle desses insetos integra as estratégias utilizadas pelas autoridades para reduzir o risco de disseminação.

A proximidade entre plantas também aumenta a importância do monitoramento. Quanto mais cedo as equipes identificarem novas plantas infectadas, maior será a possibilidade de delimitar o foco e orientar as medidas fitossanitárias.
Por que o novo foco preocupa
A ocorrência chama atenção porque a subespécie pauca também está associada ao grande surto que atingiu a Puglia. Na região, a bactéria provocou perdas expressivas de oliveiras ao longo dos últimos anos.
Segundo dados citados pelo Conselho Regional da Puglia, mais de 21 milhões de oliveiras foram afetadas e a área atingida ultrapassou 8 mil km².
Esse histórico ajuda a dimensionar a preocupação com o novo foco. A experiência da Puglia mostra que a doença pode provocar impactos relevantes quando consegue se estabelecer e avançar entre áreas de cultivo.
Ainda assim, a confirmação de plantas infectadas em Taurianova não permite afirmar que a bactéria já esteja disseminada pela região. As próximas amostragens vão indicar a extensão real da ocorrência.
Xylella pode atingir diferentes culturas
A Xylella fastidiosa não afeta apenas oliveiras. A bactéria pode infectar diferentes espécies vegetais, e suas subespécies apresentam associações distintas com plantas hospedeiras.
A Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) reconhece cinco subespécies: fastidiosa, morus, multiplex, pauca e sandyi.
Além disso, diferentes variedades de uma mesma cultura podem apresentar respostas distintas à infecção. No caso das oliveiras, a EFSA aponta evidências de tolerância da cultivar Leccino à cepa ST53 associada ao surto da Puglia. Isso, porém, não significa que a variedade seja imune à bactéria.
O que as autoridades precisam descobrir
A origem do foco identificado na Itália ainda precisa de esclarecimento. O agrônomo e jornalista Alberto Grimelli considera preocupante a possibilidade de a bactéria ter alcançado uma nova região e questiona a origem da planta que pode ter iniciado o foco.
“Você tem que entender como Xylella chegou, revela Grimelli. Por enquanto pensa-se que provavelmente o surto começou a partir de uma oliveira de um jardim. O ponto é, de onde veio essa planta?”
A possível origem da planta continua sendo uma hipótese. Por enquanto, as autoridades precisam avançar na investigação para descobrir como a bactéria chegou à área e verificar se existem outras plantas infectadas nas proximidades.
As próximas etapas serão importantes para definir a dimensão do problema. As equipes devem ampliar o monitoramento, analisar novas amostras e acompanhar a presença dos vetores para identificar rapidamente qualquer avanço da bactéria.
O resultado dessas ações vai determinar se o foco permanece restrito ou exige medidas adicionais de contenção e controle.
O monitoramento, portanto, será decisivo para definir a dimensão do foco e orientar as próximas medidas de controle.