Vigiagro encontrou Liposcelis decolor em 360 kg de caquis da Espanha; espécie pode afetar produtos armazenados
Praga ausente do Brasil é encontrada em carga de caquis
Foto: Divulgação MAPA

Uma carga de 360 quilos de caquis frescos vindos da Espanha trouxe ao Brasil um passageiro indesejado. Durante uma inspeção no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP), servidores da Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro) encontraram a Liposcelis decolor, espécie que o Brasil classifica como praga quarentenária ausente.

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Foto: Divulgação MAPA

O voo chegou ao país em 19 de setembro. Após identificar o possível risco fitossanitário, a equipe do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) enviou o material para análise. Um laboratório credenciado pelo ministério confirmou posteriormente a espécie.

A detecção não significa que a praga tenha se estabelecido no Brasil. A fiscalização encontrou o inseto durante o processo de entrada da mercadoria no país e adotou medidas para impedir sua introdução.

O que é a Liposcelis decolor?

Conhecida como psoque, corrodêncio ou psocídeo de produtos armazenados, a Liposcelis decolor é um pequeno inseto associado principalmente a produtos e ambientes de armazenamento.

Diferentemente de pragas que atacam diretamente a polpa das frutas, a presença desse inseto pode estar relacionada às embalagens, estruturas e materiais usados no acondicionamento e transporte.

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A espécie também pode aparecer em restos vegetais e nos cálices dos frutos. Armazéns e contêineres no país de origem representam outros possíveis locais de presença do inseto.

O problema, portanto, vai além dos caquis interceptados em Guarulhos.

A Portaria SDA/Mapa nº 1.679, de 31 de agosto de 2026, inclui a Liposcelis decolor na lista de Pragas Quarentenárias Ausentes (PQA) do Brasil.

Essa classificação indica que o país busca impedir a entrada e o estabelecimento do organismo em território nacional.

Por que a praga preocupa o agro?

A possível introdução da Liposcelis decolor preocupa principalmente setores ligados à pós-colheita e ao armazenamento de produtos agrícolas.

O inseto pertence a um grupo conhecido internacionalmente por infestar produtos armazenados. Por isso, uma eventual entrada e disseminação poderia criar novos desafios para armazéns, unidades de processamento de alimentos e estruturas que recebem produtos agrícolas.

Entre os segmentos que exigiriam atenção estão a armazenagem de grãos, a indústria de alimentos e sistemas de conservação de produtos armazenados.

Há ainda outro fator que dificulta o controle.

Espécies do gênero Liposcelis conseguem sobreviver em condições que limitam outras pragas de armazenamento. Estudos também mostram baixa suscetibilidade de algumas dessas espécies a determinados tratamentos utilizados contra insetos de produtos armazenados.

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Essas características ajudam a explicar por que impedir a entrada representa uma estratégia importante de defesa fitossanitária.

Carga passará por fumigação

Após confirmar a presença da praga, o Mapa adotou as medidas previstas para interceptações de organismos quarentenários.

Como ação emergencial, o ministério determinou a fumigação da carga com brometo de metila para reduzir o risco fitossanitário.

O tratamento, porém, não significa que os caquis seguirão normalmente para comercialização.

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Depois da fumigação, as autoridades deverão determinar a devolução da carga ao exterior ou sua destruição, conforme as medidas aplicáveis ao caso.

Assim, os 360 quilos de caquis não deverão entrar na cadeia brasileira de comercialização.

Fiscalização funciona como barreira contra novas pragas

O episódio mostra uma das funções menos visíveis da defesa agropecuária brasileira.

Equipes do Vigiagro atuam em aeroportos, portos, postos de fronteira e outros pontos de entrada de mercadorias no país. Os servidores inspecionam produtos, cargas, embalagens e materiais de interesse agropecuário provenientes do exterior.

O trabalho busca identificar organismos capazes de ameaçar lavouras, rebanhos, produtos armazenados ou outras atividades agropecuárias antes que encontrem condições para se estabelecer no Brasil.

No caso dos caquis espanhóis, a fiscalização ocorreu justamente nessa etapa.

A Liposcelis decolor chegou junto com uma carga comercial, mas sua identificação antes da liberação dos produtos permitiu ao sistema de defesa agropecuária adotar medidas para impedir que o inseto avançasse além do ponto de ingresso.