Produtores de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul comprovam que a olivicultura brasileira já compete de igual para igual com os melhores do mundo
Foto: Rodarte/Agência Agro em Campo

Dois azeites brasileiros, produzidos em regiões opostas do país, somaram medalhas em concursos internacionais de peso nas últimas semanas. Em Cristina, no Sul de Minas Gerais, a marca Alto da Serra conquistou o Ouro no Evo International Olive Oil Contest (Evo IOOC), na Itália.

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Olival do Azeite Alto da Serra
Olival do Azeite Alto da Serra, no município de Cristina. Foto: Azeite Alto da Serra / Divulgação

Em Gramado, na Serra Gaúcha, o Olivas de Gramado somou bronze em Mônaco e prata na Itália, além de um prêmio especial de qualidade. Juntos, os resultados reforçam a evolução da olivicultura nacional, ainda incipiente, mas cada vez mais competitiva no cenário mundial.

Ouro para o azeite de Cristina, no Sul de Minas

O Alto da Serra Blend, produzido no Campo Experimental da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), em Maria da Fé, recebeu Medalha de Ouro na edição 2026 do Evo IOOC. A premiação aconteceu em 26 de junho, em Palmi, na região da Calábria, e reuniu diversos rótulos nacionais. O azeite mineiro também ficou entre os cinco melhores da América do Sul e disputou o prêmio Raúl C. Castellani.

Alisson Moreira e família
Alisson Moreira e família. Foto: Arquivo pessoal

O produtor Alisson Moreira participa do concurso pela primeira vez e comemora o resultado. “O foco sempre foi a qualidade e a gente está buscando mais excelência. Estamos muito contentes”, afirma.

O interesse pela olivicultura surgiu depois que Moreira conheceu a boa adaptação da oliveira à região. “Nosso sítio é em Cristina, município vizinho a Maria da Fé. Quando conheci a história da oliveira e soube que o azeite daqui era muito bom, passei a me aprofundar no assunto. Em 2016 fomos à Epamig buscar informações e, no final de 2017, iniciamos o plantio”, conta.

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Cultivo familiar

O cultivo, de caráter familiar, ocupa 1,5 hectare a 1,5 mil metros de altitude e reúne 340 oliveiras. A primeira colheita, em 2022, rendeu cerca de 12 litros de azeite. A marca Alto da Serra nasceu em 2024 e hoje vende o produto na propriedade, em empórios parceiros e pelo Instagram. Em 2026, a produção já soma 304 litros.

“Os especialistas da olivicultura nos chamaram atenção para a qualidade do nosso azeite. A partir daí veio a ideia de inscrever o produto no concurso. Sabia que era bom, mas minha percepção é de consumidor. Tenho vontade de fazer um curso de sommelier para conhecer melhor as características e a complexidade do azeite que produzimos aqui”, diz Moreira.

O pesquisador da Epamig Luiz Fernando de Oliveira avalia que os resultados confirmam a qualidade dos azeites nacionais. “A produção é incipiente, desafiadora e, safra após safra, temos obtido produtos que se destacam por atributos de qualidade como frutado, amargor e picância. O que demonstra que estamos no caminho certo”, diz.

Cinco azeites mineiros entre os finalistas do prêmio CNA

Minas Gerais também colocou cinco azeites entre os dez finalistas do Prêmio CNA Brasil Artesanal 2026 – Azeite de Oliva, promovido pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O concurso avalia produtos nacionais nas categorias monovarietal e blend, com critérios como amargor, picância, frutado, complexidade e equilíbrio.

A avaliação técnica ocorreu em Brasília e contou com especialistas da Epamig, da Embrapa e da UFCSPA de Porto Alegre. Pela Epamig, o pesquisador Luiz Fernando de Oliveira atuou como jurado, enquanto Carolina Zambon conferiu laudos químicos, amostras e preparo. O concurso ainda prevê júri popular e uma etapa que avalia a história de produção, valorizando o terroir e o trabalho de campo.

O júri popular, realizado em 27 de junho, reuniu os rótulos mineiros Mantikir Summit Premium e L’Az na categoria Blend, e Mantikir Grappolo, Alto das Oliveiras e Aiu na categoria monovarietal.

Olivas de Gramado soma bronze em Mônaco e prata na Itália

Na Serra Gaúcha, a safra 2026 do azeite extravirgem Terroir Serrano, do Olivas de Gramado, também rendeu reconhecimento internacional. O produto recebeu medalha de bronze na 10ª edição do Masters of Olive Oil International Contest (MOOOIC), em Monte Carlo, no Principado de Mônaco, um dos concursos mais concorridos do setor, que premia apenas azeites de excelência suprema. Além da medalha, o rótulo recebeu o Prêmio de Reconhecimento de Padrão de Qualidade Internacional, concedido a azeites com elevado nível técnico e sensorial.

O Terroir Serrano também conquistou prata na categoria Blend no Evo IOOC Italy, um dos cinco concursos mais importantes do mundo no segmento. As duas premiações levaram em conta equilíbrio sensorial, pureza, complexidade, intensidade aromática e a qualidade dos processos de produção, do cultivo das oliveiras até a extração do azeite.

Para conquistar o prêmio em Monte Carlo, o Terroir Serrano superou 78 pontos, resultado que colocou o Olivas de Gramado entre os melhores produtores de azeite do mundo. Um painel de 12 especialistas de quatro países conduziu o julgamento, entre eles os sommeliers Marco Gandolfi (Itália), Himeyo Nagatomo (Japão) e Carmen Sanchez Garcia (Espanha). O MOOOIC reuniu mais de 600 amostras de 18 países, incluindo Itália, Espanha, Grécia, Portugal, Tunísia, Croácia, Eslovênia e Suíça.

Evo IOOC Ital

Já o Evo IOOC Italy, realizado na Calábria, berço da cultura do azeite no país, avaliou a excelência, a rastreabilidade e a qualidade de azeites extravirgem e aromatizados conforme as diretrizes do International Olive Council (IOC). O painel internacional reuniu especialistas de países como Itália, Espanha, Grécia, Turquia, Japão, Croácia e Brasil, e analisou mais de 900 rótulos de 25 países.

Azeitólogo e mestre lagareiro do Olivas de Gramado, André Bertolucci. Foto: DIvulgação

“Esta safra de 2026 realmente foi sensacional para o Olivas de Gramado! Só neste ano, já são quatro importantes premiações internacionais nos maiores e mais importantes concursos do setor oleícola mundial”, destaca o mestre lagareiro e azeitólogo da marca, André Bertolucci.

Um blend que traduz o terroir da Serra Gaúcha

O Terroir Serrano combina três variedades de azeitona,Frantoio, Koroneiki e Picual, e resulta em um azeite extravirgem frutado verde, intenso e complexo, com aroma fresco e notas herbáceas e gramíneas. O amargor e a picância equilibrados, junto a notas de amêndoas verdes, banana, rúcula, maçã e alcachofra, marcam a identidade do terroir da Serra Gaúcha, segundo os especialistas.

O clima da região, aliado a práticas agrícolas cuidadosas e à precisão da extração no lagar, preserva aromas, sabores e compostos naturais do fruto, incluindo antioxidantes e fitonutrientes. As conquistas em Mônaco e na Itália se somam a outras premiações do Olivas de Gramado neste ano, como ouro na Turquia e prata na Inglaterra, e reforçam a posição da marca entre os produtores brasileiros de maior destaque no exterior.