Resumo da notícia
- O Brasil é o maior produtor de morango da América Latina, com produção crescente impulsionada pela tecnificação, novas cultivares nacionais e aumento da produtividade, especialmente em Minas Gerais.
- A cultivar nacional Fênix, desenvolvida pela Embrapa, reduz a dependência de mudas importadas, com produção crescente e resistência a variações de temperatura, aumentando a eficiência e qualidade da produção.
- Geadas de inverno representam risco para a cultura do morango, afetando flores e frutos; o clima temperado favorece a produção, mas o frio intenso pode comprometer ciclos produtivos e gerar perdas econômicas.
O Brasil ocupa a posição de maior produtor de morango da América Latina. E o avanço da cultura no país reacende a discussão sobre um dos principais riscos climáticos da atividade: as geadas de inverno. Levantamentos recentes do setor mostram trajetória de crescimento contínuo, puxada pela tecnificação das lavouras, pela chegada de novas cultivares nacionais e pelo ganho de produtividade nas regiões produtoras.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística projeta que a produção brasileira de morango cresça 2,6% em 2026. Portanto, alcançando 200 mil toneladas, com destaque para Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul. Minas Gerais concentra a maior parte desse volume. O estado deve colher cerca de 190 mil toneladas na safra recente, distribuídas por 3,6 mil hectares, consolidando a liderança que mantém desde 2019.
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Paraná e Espírito Santo completam o mapa dos principais polos produtores. No caso capixaba, a agricultura familiar respondeu por uma colheita de 32.884 toneladas em 2024, segundo dados do Incaper, reforçando o papel da fruta como fonte de renda para pequenas propriedades rurais em diferentes regiões do país.
Genética nacional reduz dependência de mudas importadas
Parte do salto de produtividade tem relação direta com o trabalho de melhoramento genético conduzido pela Embrapa. A cultivar BRS DC25, batizada de Fênix e lançada pela Embrapa Clima Temperado em 2023, retomou um programa de pesquisa iniciado ainda nas décadas de 1960 e 1980. E hoje figura como a principal aposta do país para reduzir a dependência de material importado. O setor importa cerca de 98% das mudas plantadas no Brasil, vindas principalmente de Chile, Argentina e Espanha. Portanto, com custos cotados em dólar que encarecem toda a cadeia produtiva.

A Fênix já reverte parte desse cenário. O número de viveiristas licenciados para reproduzir a cultivar dobrou em dois anos, somando pelo menos 54 produtores autorizados. E a produção de mudas ultrapassou 5 milhões de unidades até 2025. A expectativa é que esse volume avance ainda mais em 2026. Além da resistência a variações de temperatura, a cultivar entrega frutas de calibre elevado e sabor equilibrado: com manejo adequado, cada planta pode produzir até 1,2 quilo de morango em campo aberto, ou cerca de 900 gramas em sistema semi-hidropônico.
O morango e sua sensibilidade ao frio
O morangueiro é uma planta de clima temperado, adaptada a estações com dias mais curtos e temperaturas amenas. São características que favorecem a floração e o enchimento dos frutos. Justamente por isso, episódios de frio intenso, comuns durante o inverno nas regiões Sul e Sudeste, representam risco direto à produção. Geadas atingem primeiro as flores e os frutos em formação, que são as partes mais sensíveis da planta. E podem comprometer também o desenvolvimento vegetativo como um todo. Como cada ciclo produtivo demanda investimento contínuo em mudas, insumos, mão de obra e estrutura. E uma quebra de safra provocada pelo frio afeta diretamente a rentabilidade do produtor. Especialmente entre as famílias que dependem da cultura como principal fonte de renda.

O desafio climático não se limita ao frio. Levantamentos recentes do setor também apontam calor atípico e irregularidades climáticas durante a janela de plantio, entre abril e maio, como fatores que podem reduzir o vigor das lavouras, além da pressão crescente do pulgão-da-raiz, praga que ataca o sistema radicular e pode transmitir o vírus do mosqueado-do-morangueiro. O cenário reforça que o manejo climático e fitossanitário caminha junto com o avanço tecnológico da cultura.
Manejo preventivo reduz impacto das baixas temperaturas
Diante da recorrência de geadas nas principais regiões produtoras, especialistas defendem que a melhor estratégia é agir antes da chegada do frio intenso, e não depois. Francisco de Carvalho, gerente comercial da Hydroplan-EB, explica que o produtor não controla a geada, mas pode preparar a planta para enfrentá-la melhor. Segundo ele, quando o manejo nutricional acontece de forma preventiva, a cultura responde com mais equilíbrio fisiológico e ganha maior capacidade de suportar o estresse térmico.
Entre as estratégias adotadas para essa preparação está a combinação de Lannoite PLUS com potássio. Isso fortalece as plantas e melhora a resposta ao estresse causado pelas baixas temperaturas, conforme aponta Carvalho. Para ele, esperar a geada ocorrer para só então agir significa lidar com um dano que já se instalou. O manejo preventivo, ao contrário, deixa a planta mais preparada para enfrentar essas condições e reduz os impactos sobre a produtividade e a qualidade dos frutos.
Boas práticas sustentam a expansão da cultura
Pesquisadores da Embrapa reforçam que a combinação entre genética adaptada, manejo técnico e acompanhamento constante é o que sustenta o crescimento da cultura no Brasil. Entre as recomendações práticas para o produtor estão o uso de mudas certificadas por viveiros licenciados e o plantio dentro da janela , geralmente entre o fim do verão e o início do outono. Também a adequação correta do sistema de cultivo escolhido, seja no solo ou fora dele, e o acompanhamento técnico do plantio até a colheita, incluindo análise de solo e manejo preventivo de doenças.
Com a produção brasileira em trajetória de crescimento e as geadas seguindo como um dos principais riscos do inverno nas regiões produtoras, o manejo preventivo ganha cada vez mais espaço entre os produtores. Mais do que proteger a lavoura pontualmente, a antecipação de boas práticas contribui para preservar a produtividade e garantir a sustentabilidade econômica de uma atividade que já consolidou o Brasil como referência na América Latina.