Resumo da notícia
- São Paulo firmou parceria para desenvolver cultivares industriais de batata-doce focadas na produção de etanol e biometano, integrando pesquisa do IAC e demanda do setor produtivo.
- O projeto visa aproveitar integralmente a biomassa, incluindo resíduos para gerar biogás, ampliando o papel da batata-doce na matriz de energia renovável e aumentando a renda dos produtores.
- Iniciativa inclui cultivo em assentamentos estaduais e potencializa a liderança de São Paulo na produção nacional de batata-doce, beneficiando até 45 famílias com novos projetos produtivos.
O estado de São Paulo firmou uma parceria estratégica para transformar a batata-doce em uma nova fonte de energia renovável. O acordo, anunciado durante a Batatec 2026, em Presidente Prudente, reúne a Secretaria de Agricultura e Abastecimento, o Instituto Agronômico (IAC-Apta) e a Agropecuária Vista Alegre, do Grupo Better Beef.
A iniciativa foca no desenvolvimento de cultivares industriais de batata-doce voltadas à produção de etanol e biometano. O projeto conecta pesquisa científica e demanda da agroindústria para acelerar a adoção da cultura como alternativa energética.
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Segundo o secretário de Agricultura, Geraldo Melo Filho, a parceria reduz a distância entre inovação e campo. “O IAC domina o conhecimento técnico, enquanto o setor produtivo conhece as demandas reais. Essa integração viabiliza a batata-doce como fonte competitiva de bioenergia”, afirma.
Pesquisa mira alto rendimento e uso industrial
O IAC já desenvolve cultivares com foco em produtividade, resistência a doenças e adaptação regional. Com o novo acordo, os pesquisadores passam a priorizar características industriais, como maior teor de matéria seca e amido, além de maior eficiência na produção de etanol.
Os estudos também incluem o aproveitamento integral da biomassa, com uso de resíduos para geração de biogás e biometano. A estratégia amplia o papel da batata-doce na matriz de energia renovável.
De acordo com o pesquisador Valdemir Antonio Peressin, a região de Presidente Prudente oferece condições ideais para os testes. “Vamos avaliar os materiais diretamente no ambiente de produção, o que acelera a validação para uso industrial”, explica.
Entre os materiais em avaliação estão a cultivar IAC Santa Elisa e os clones IAC 737 e IAC 708, que apresentam alto potencial para biocombustíveis.
Nova renda para produtores
A parceria também abre espaço para agregar valor à cadeia produtiva da batata-doce. A proposta inclui o uso de raízes fora do padrão comercial, que hoje têm baixo valor de mercado.

Segundo o presidente da Agropecuária Vista Alegre, Marcos Antônio Pompei, o modelo aproveita toda a produção. “Isso aumenta a renda do produtor e cria uma nova fonte de matéria-prima para a indústria de biocombustíveis”, destaca.
Integração com projetos em assentamentos
O acordo se conecta a outra iniciativa apresentada na Feicorte 2026, que prevê a implantação de projetos produtivos em assentamentos estaduais.
O plano inclui o cultivo de 150 hectares de batata-doce para produção de etanol e biometano, além de 80 hectares de eucalipto para biomassa. A expectativa é beneficiar até 45 famílias assentadas.
SP lidera produção nacional
São Paulo lidera a produção brasileira de batata-doce. Em 2025, o estado colheu 149,5 mil toneladas, com valor de produção de R$ 183,95 milhões, segundo o Instituto de Economia Agrícola (IEA-Apta).
A região de Presidente Prudente concentra o principal polo produtivo, com 81,5 mil toneladas, o equivalente a 54,5% do total estadual, e cerca de 180 produtores distribuídos em municípios como Álvares Machado, Martinópolis e Presidente Bernardes.









