Com "tremidão" de jambu e o aditivo para motores de babaçu, startups mostram a diversidade da nova economia florestal
Embrapa - Foto: Marcelo Cavallari

A Amazônia tem mais de 11 mil empresas ligadas à bioeconomia. Elas geram 200 mil empregos diretos e quase 1 milhão de empregos indiretos nos nove estados da região. Os dados estão no livro Bioindústrias na Amazônia: contribuições para o desenvolvimento sustentável na Amazônia Legal, lançado durante o Bioeconomy Amazon Summit (BAS), em Belém, na noite de quarta-feira.

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A publicação é resultado de parceria entre o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) e a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e também funciona como plataforma de inteligência de negócios.

“Não é só um livro. É a reunião de trabalhos e também uma plataforma de BI, disponível para consulta e pesquisas”, disse Ricardo Araújo, analista de produtividade e inovação da ABDI.

Para Gabriela Savian, diretora de políticas públicas do IPAM, o levantamento revela uma lógica produtiva diferente da industrial tradicional. “A publicação traz um diagnóstico aprofundado de um processo de indústria que não é necessariamente como a gente imagina, de uma fábrica com uma chaminezinha. É o processo de pensar como amazonizar a indústria, ao invés de industrializar a Amazônia”, afirmou.

130 startups, da bebida de jambu ao aditivo de motor

A terceira edição do BAS, realizada entre os dias 12 e 14 de maio em Belém, reuniu 130 startups do universo de 11 mil empresas. O portfólio inclui fabricantes de bebidas, cosméticos, alimentos, biofertilizantes, biojóias, bioaditivos para motores à combustão e serviços de regeneração de áreas degradadas.

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Foto: Flavia Bessa/Embrapa

Entre os casos mais emblemáticos, a Apoema, sediada em Coroatá (MA), aposta no aproveitamento total do coco de babaçu. Além de atuar em alimentos e bebidas, a startup desenvolveu um aditivo para redução do consumo de combustível, testado em parceria com uma grande cervejaria brasileira.

Outro destaque foi a Sinimbu. Fundada com foco na produção de um concentrado de jambu para drinks. A planta é conhecida pela dormência que provoca nos lábios, a empresa descobriu potencial em outros segmentos. A fundadora Tatiana Sinimbu criou o spray “tremidão”, voltado a prolongar o prazer durante a atividade sexual, e posicionou o produto como “estimulante sensorial”. As duas empresas participaram da primeira edição do evento, em 2023, e estão em fase de captação de recursos.

Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

O açaí também ganhou novos contornos no evento. A Maçaix atua na valorização do açaí de origem, conceito similar ao terroir do café e do vinho. A empresa desenvolveu processos para processar a fruta em até 12 horas após a colheita, preservando sabor e nutrientes e reduzindo o uso de açúcar. Em parceria com o Instituto Nacional de Tecnologia do Brasil, também criou tecnologia para extrair antioxidantes do caroço do açaí, subproduto ainda pouco aproveitado comercialmente.

Hub de convergência

Criado em 2023 pela KPTL e pela Kyvo, o BAS se consolidou como principal ponto de encontro da bioeconomia amazônica. O objetivo é facilitar o compartilhamento de soluções, acelerar negócios e conectar tecnologia, ciência e saberes tradicionais.

Nas duas edições anteriores, o evento projetou soluções de mais de 300 empreendedores amazônicos para o mercado internacional. Nesta edição, participaram também 60 instituições, 30 representantes de comunidades tradicionais e iniciativas nas áreas de financiamento sustentável, inovação territorial, reflorestamento e cultura.

O potencial econômico do bioma amazônico é estimado em aproximadamente US$ 140 bilhões.