Mesmo com aumento nos embarques, receita cai 18% diante da concorrência asiática e desafios logísticos
Chuva trava negociações e sustenta alta do arroz. Leia mais e confira as informações divulgadas pelos pesquisadores do Cepea.
Foto: Embrapa/Sebastião Araújo

O Brasil encerrou 2025 com 1,5 milhão de toneladas de arroz exportadas, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz) compilados a partir do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O volume representa crescimento de 13% em relação ao ano anterior, mas a receita de US$ 457 milhões caiu 18% por causa da pressão sobre os preços internacionais.

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Senegal, Venezuela e México se mantiveram entre os principais destinos do arroz brasileiro no último ano, consolidando o mercado na África e na América Latina.

Quedas no arroz beneficiado

Entre os tipos de produtos, o arroz beneficiado, que passa por processo industrial para retirada da casca e farelo, somou 953 mil toneladas exportadas em 2025, queda de 6% em volume e de 31% em valor na comparação com 2024.

De acordo com o diretor de Assuntos Internacionais da Abiarroz, Gustavo Trevisan, a retomada das exportações indianas de arroz anulou boa parte dos ganhos obtidos por outros países produtores. “Com a retirada da suspensão, a Índia voltou ao mercado com forte volume a preços muito baixos, pressionando a competitividade global”, explicou.

Trevisan destacou que, enquanto os países asiáticos concluíram suas colheitas no fim de 2024 e ofertaram grandes volumes a baixo custo, o Brasil manteve custos de produção elevados. “Essa diferença reduziu nossa capacidade de competir, especialmente frente à Índia. Além disso, enfrentamos fretes caros e barreiras comerciais que restringiram o acesso a mercados estratégicos”, afirmou.

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Ações para abrir novos mercados

A Abiarroz, em parceria com a ApexBrasil, intensificou em 2025 as ações do projeto Brazilian Rice, que busca ampliar a presença do cereal brasileiro no exterior. As iniciativas incluem missões comerciais, promoção institucional e negociações para abrir novos canais de venda.

“É uma estratégia de médio e longo prazo, baseada em confiança e relacionamento com mercados-chave”, destacou Trevisan. Segundo ele, 2026 tende a permanecer desafiador, diante da instabilidade política na Venezuela e das possíveis novas diretrizes de comércio dos Estados Unidos.

Importações em baixa

Enquanto as exportações cresceram, o Brasil reduziu as compras externas de arroz em 2025. As importações somaram 1,3 milhão de toneladas, com gasto de US$ 390 milhões — um recuo de 9% em volume e 42% em valor.

O arroz importado é majoritariamente beneficiado, vindo principalmente de Paraguai, Argentina e Uruguai.