Resumo da notícia
- Uma rara cobra azul da espécie Trimeresurus insularis, resgatada do tráfico na Bahia, foi batizada de "Menino Bonito" em homenagem à cantora Rita Lee, reconhecida por sua defesa dos animais.
- A coloração azul da víbora, encontrada naturalmente na Indonésia, é um polimorfismo raro que ajuda na camuflagem e torna o exemplar do Butantan ainda mais especial.
- Apesar do tamanho pequeno, a cobra é bastante venenosa, com veneno hemolítico e proteolítico, sem antídoto específico no Brasil, o que reforça a importância do resgate e estudo da espécie.
Uma rara cobra azul mantida pelo Instituto Butantan, em São Paulo, ganhou uma homenagem especial à cantora Rita Lee. O exemplar da espécie Trimeresurus insularis, resgatado do tráfico de animais silvestres na Bahia, foi apelidado de “Menino Bonito”, nome inspirado em uma das músicas da artista, conhecida tanto por sua trajetória na música brasileira quanto pela paixão pelos animais.
Além da homenagem, a serpente chama atenção por sua coloração incomum, considerada rara até mesmo em seu habitat natural, na Indonésia.
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Homenagem à rainha do rock brasileiro
Quando o Instituto Butantan recebeu um casal da espécie após uma apreensão realizada na Bahia, os pesquisadores decidiram dar um nome ao macho sobrevivente.
A escolha foi “Menino Bonito”, referência à canção de Rita Lee.
Segundo o Butantan, a homenagem reconhece a importância da cantora para a cultura brasileira e sua conhecida defesa da causa animal. Rita Lee demonstrava interesse por serpentes e chegou a resgatar alguns exemplares ao longo da vida.
De acordo com Erika Hingst-Zaher, diretora do Museu Biológico do Instituto Butantan, a iniciativa também busca despertar o interesse de meninas e mulheres pela ciência.
Uma cobra azul extremamente rara
Além da homenagem, o animal impressiona pela aparência.
A Trimeresurus insularis é uma víbora encontrada naturalmente em algumas ilhas da Indonésia. Embora a maioria dos indivíduos apresente coloração verde, alguns exemplares desenvolvem um intenso tom azul, considerado um polimorfismo natural da espécie.

Essa característica é rara e faz com que o exemplar mantido pelo Butantan seja ainda mais especial.
Segundo o herpetólogo Francisco Luís Franco, a coloração ajuda na camuflagem entre a vegetação, facilitando tanto a fuga de predadores quanto a captura de presas.
Apesar de pequena, a espécie é bastante venenosa
A cobra mede cerca de 65 centímetros e pesa aproximadamente 60 gramas, mas seu tamanho não reduz o perigo.
Como integrante da família Viperidae, possui um veneno de ação hemolítica e proteolítica.
Segundo o pesquisador Carlos Jared, do Instituto Butantan, a substância pode destruir células do sangue e provocar necrose nos tecidos atingidos pela picada.
Embora tenha ação semelhante à das jararacas, o veneno não possui efeito neurotóxico, diferentemente do encontrado nas cascavéis.
Outro fator de preocupação é que não existe soro específico disponível no Brasil para acidentes envolvendo essa espécie exótica.
O resgate impediu o tráfico da espécie
O exemplar chegou ao Instituto Butantan depois de ser apreendido com um traficante de animais na Bahia, em 2023.
Desde então, a cobra passou a integrar o trabalho científico e educativo da instituição, ajudando pesquisadores a ampliar o conhecimento sobre uma espécie extremamente rara fora da Ásia.









