Resumo da notícia
- A escassez de diesel em Cuba afeta a irrigação, transporte e operação agrícola, levando agricultores a vender fazendas a preços baixos e causando desperdício de colheitas por falta de logística.
- Apagões de até 22 horas diárias agravam a crise energética, comprometendo a produção agrícola e o turismo rural, que também sofre com a falta de combustível para manter suas atividades.
- Reformas no sistema de racionamento limitam alimentos subsidiados a grupos vulneráveis, enquanto sanções dos EUA reduzem embarques de combustível, intensificando a crise no agronegócio cubano.
A falta de combustível tem provocado dias difíceis em Cuba. Sem diesel para operar máquinas, irrigar lavouras e transportar alimentos, agricultores estão colocando fazendas à venda por preços reduzidos enquanto parte da produção apodrece antes mesmo de chegar ao mercado.
Segundo reportagem do Financial Times, a interrupção de grande parte dos embarques de petróleo para a ilha agravou a escassez de energia. Em algumas regiões, os apagões chegam a durar até 22 horas por dia, comprometendo praticamente toda a cadeia agrícola.
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Agricultores tentam vender propriedades
Sem condições de manter a produção, muitos produtores passaram a anunciar fazendas, equipamentos e outros bens rurais em redes sociais. Mesmo oferecendo descontos, a maioria encontra dificuldade para fechar negócio devido à crise econômica que afeta o país.
A escassez de combustível também atinge propriedades voltadas ao turismo rural, que enfrentam dificuldades para manter as atividades.
Produção agrícola é perdida por falta de transporte
Os prejuízos vão além das fazendas. Sem caminhões abastecidos, alimentos deixam de ser transportados e parte das colheitas acaba sendo desperdiçada.
Em fazendas estatais produtoras de manga, por exemplo, frutas têm apodrecido porque não conseguem sair do campo antes do período de maturação. A falta de logística compromete o abastecimento e aumenta as perdas na agricultura cubana.

Reformas econômicas tentam conter a crise
Diante do cenário, o presidente Miguel Díaz-Canel anunciou mudanças no sistema de racionamento que existe desde 1962.
Pelas novas regras, apenas aposentados, crianças com doenças crônicas e outros grupos considerados vulneráveis continuarão recebendo alimentos subsidiados. O restante da população deverá comprar produtos a preços de mercado ou depender de alimentos enviados por familiares que vivem no exterior.
No entanto, até essas entregas enfrentam dificuldades, já que a distribuição entre Havana e outras regiões do país também sofre com a falta de diesel.
Sanções aumentam a pressão sobre o agronegócio cubano
A crise se intensificou após medidas adotadas pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reduzirem significativamente os embarques de combustível destinados à ilha.
Sem petróleo suficiente para manter a geração de energia e o transporte funcionando, o setor agrícola enfrenta dificuldades para produzir, colher e distribuir alimentos.
O governo cubano afirma que pretende acelerar reformas econômicas para reduzir os impactos da crise, mas agricultores seguem convivendo com perdas crescentes e um cenário de forte incerteza no campo.








