Segundo maior produtor mundial, o Brasil exporta mais de 300 mil toneladas por ano
Foto: MOTOMCO/Divulgação

Quando o apito inicial soar nos estádios da Copa do Mundo de 2026, milhões de pessoas em diferentes países vão repetir um ritual clássico: assistir às partidas com uma tigela de pipoca nas mãos. O que poucos imaginam é que parte dessa pipoca pode ter começado sua trajetória em uma lavoura brasileira. E que tecnologia nacional de monitoramento de umidade ajudou a garantir que ela estourasse corretamente.

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O Brasil é o segundo maior produtor mundial de milho pipoca, atrás apenas dos Estados Unidos. O país produz mais de 300 mil toneladas do grão por ano e, além de abastecer o mercado interno, vem ampliando sua presença internacional: no primeiro trimestre de 2026, as exportações brasileiras de milho em grão somaram US$ 1,48 bilhão, com embarque de 6,74 milhões de toneladas. Uma alta de 14,6% em volume e 13,1% em valor FOB frente ao mesmo período de 2025, segundo dados da Logcomex, empresa de inteligência artificial para comércio exterior.

A base de destinos ativos cresceu de 63 para 69 países. Entre os principais compradores estão Egito, Irã e Vietnã. E este último registrou crescimento de 257% no valor importado do Brasil, saltando de US$ 85,4 milhões para US$ 304,5 milhões no período.

O grão mais delicado do agronegócio

Por trás desse desempenho exportador, há um desafio técnico que começa ainda no campo: o milho pipoca exige um controle de qualidade muito mais rigoroso do que o milho comum.

“O milho pipoca é muito mais delicado. Se o grão sofre trincas durante a colheita ou a secagem, o vapor interno escapa antes da pressão ideal e ele não estoura corretamente, virando o chamado ‘piruá'”, explica Roney Smolareck, engenheiro agrônomo da MOTOMCO.

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O piruá vai além de uma experiência ruim para o consumidor. Ele representa prejuízo direto para toda a cadeia produtiva. “Quando um lote perde capacidade de expansão, perde valor comercial. A indústria busca uniformidade e rendimento. Quanto maior o índice de piruá, menor o aproveitamento industrial daquele milho”, afirma Smolareck.

A temperatura de secagem também é determinante. Processos rápidos ou em temperaturas elevadas criam microfissuras invisíveis no endosperma, a estrutura responsável pelo estouro. Portanto, comprometendo o potencial do grão mesmo sem alteração visual aparente.

Controle de umidade: do campo ao embarque

O monitoramento preciso da umidade não apenas preserva a qualidade do grão, mas também reduz desperdícios energéticos. Como o milho pipoca exige uma janela muito específica de secagem, remover mais umidade do que o necessário eleva o consumo de combustível, energia e tempo operacional sem nenhum ganho de qualidade.

“O objetivo é manter o milho dentro do limite ideal exigido pela indústria. Quando o produtor faz isso com precisão, preserva qualidade, reduz perdas e evita gasto desnecessário de energia durante a secagem”, diz Smolareck.

Presente em cooperativas, cerealistas, armazéns e unidades de beneficiamento, a tecnologia permite monitorar o comportamento do grão desde a saída do campo até os processos de armazenagem e expedição. Na prática, isso reduz os riscos de perda de qualidade antes do embarque, etapa crítica para um produto que percorre longas distâncias entre secagem, transporte rodoviário, portos e travessias marítimas, ficando exposto a variações de temperatura e umidade ao longo de todo o trajeto.

Grão sensível, produto de alto valor

O resultado desse controle técnico é um posicionamento competitivo cada vez mais sólido no mercado internacional. “O mercado externo exige padronização rigorosa. Um milho pipoca que chega fora da faixa de umidade ideal perde competitividade na prateleira e pode custar ao produtor não apenas aquela venda, mas o acesso a mercados inteiros”, alerta Smolareck.

É justamente esse domínio técnico que permite ao Brasil transformar um grão altamente sensível em produto de alto valor agregado, consumido em dezenas de países. E em breve, provavelmente, nas arquibancadas e salas de casa durante a Copa do Mundo de 2026.