Projeto da Unesp lidera pesquisas que estimulam o uso do jatobá em alimentos, cosméticos e reflorestamento
Foto: Francisco Zacariotti/Flickr

Pesquisadores brasileiros estão impulsionando o uso do jatobá, fruto nativo de casca dura presente em cinco biomas; Amazônia, Pantanal, Cerrado, Mata Atlântica e Caatinga. Tradicionalmente conhecido pelo uso de sua madeira, o jatobá começa a se firmar como uma planta alimentícia não convencional (PANC) de alto potencial econômico e sustentável.

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O Projeto Jatobá, conduzido pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Tupã e coordenado pela geógrafa Izabel Castanha Gil, tem como principal meta organizar e valorizar a cadeia produtiva do fruto. “Mapeamos os pontos de coleta em cerca de 30 municípios paulistas e trabalhamos com grupos indígenas do Mato Grosso, que já utilizam o jatobá tradicionalmente. Também articulamos ações de reflorestamento com a espécie”, explica Izabel.

A iniciativa reúne parcerias com universidades e instituições como o Sebrae, Fatec Marília, Embrapii e Cati-SP. O objetivo é unir pesquisa, inovação e capacitação para transformar o jatobá em fonte de renda e conservação ambiental.

Entre os produtos desenvolvidos estão farinha de jatobá (já usada na merenda escolar), vinagres feitos da casca, creme com cacau e amendoim, mistura para bolo instantâneo, licor e xarope. Segundo Izabel, o próximo desafio é encontrar parceiros que garantam escala de produção.

Na área de panificação, a Fatec Marília criou um fermento natural à base da seiva do jatobá, rico em cálcio, ferro, magnésio e fibras, e totalmente livre de glúten. No Oeste paulista, o município de Adamantina foi reconhecido em 2025 como Cadeia Produtiva Local (CPL) do jatobá, o que possibilita novos incentivos para produtores e empreendedores.

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Até queijo

A inovação também chega aos laticínios. Uma queijaria local desenvolveu queijo trufado com creme de jatobá, cacau e amendoim. Além de queijo curado em licor de jatobá, resultado de parcerias com o projeto.

Pesquisadores de Porto Alegre colaboram com o desenvolvimento de um larvicida natural contra o Aedes aegypti, feito a partir da resina do jatobá, atualmente em fase de testes de campo. A mesma resina é base para uma pomada cicatrizante que passa por estudos bioquímicos avançados. “A produção ainda é experimental, mas a demanda crescente já mobiliza comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul”, destaca Izabel.

Ele também integra programas de reflorestamento e compensação ambiental, com potencial para gerar créditos de carbono. Mais de 20 mil mudas já foram plantadas em propriedades privadas e áreas públicas da região.

Árvore de jatobá. Foto: Wilson Fortunato/Flickr

A árvore leva de 10 a 12 anos para frutificar. Mas depois disso, pode produzir até 200 quilos de frutos a cada dois anos, mantendo a produtividade por mais de um século. Com tanto potencial, o jatobá se firma como símbolo de sustentabilidade, inovação e valorização da biodiversidade brasileira.