Resumo da notícia
- A Coopavel, fundada em 1970 por agricultores em Cascavel, se tornou uma das 20 maiores empresas do agronegócio brasileiro, com 33 filiais em 23 municípios do Paraná.
- A 38ª Show Rural Coopavel registrou recorde de público com mais de 368 mil visitantes até o penúltimo dia, superando a meta inicial de 360 mil pessoas.
- O presidente Dilvo Grolli destaca que o crescimento do agro depende da tecnologia, já que não há expansão de área, e ressalta o impacto do setor na balança comercial brasileira.
Fundada em 15 de dezembro de 1970 por 42 agricultores em Cascavel, no Oeste do Paraná, a Cooperativa Agroindustrial de Cascavel (Coopavel) nasceu com o objetivo de concentrar a produção de grãos da região. Ao longo de mais de cinco décadas, a cooperativa cresceu, expandiu sua atuação e hoje figura entre as 20 maiores empresas do agronegócio brasileiro, segundo a Revista Exame. Atualmente, conta com 33 filiais distribuídas em 23 municípios do Oeste e Sudoeste paranaense.
Esse crescimento também se reflete na Show Rural Coopavel. Durante a 38ª edição do evento, realizada de 9 a 13 de fevereiro de 2026, a feira voltou a bater recordes históricos de público. Somente na quarta-feira (11), 115.088 pessoas passaram pelo parque tecnológico, o maior número já registrado em um único dia. Até a quinta-feira (12), o evento somou 368.824 visitantes, superando antes do encerramento a meta inicial de 360 mil pessoas.
Tecnologia é a chave para o produtor avançar
Durante entrevista coletiva, o diretor-presidente da Coopavel, Dilvo Grolli, reforçou que o produtor rural precisa, cada vez mais, de tecnologia para continuar avançando. Segundo ele, o Sul do Brasil não dispõe de novas fronteiras agrícolas. “Não temos para onde crescer em área. Portanto, o crescimento precisa vir da produtividade, no mesmo espaço”, afirmou.
Nesse contexto, a Show Rural cumpre um papel estratégico. De acordo com Grolli, mais de 700 empresas demonstraram interesse em participar da edição de 2026. No entanto, o espaço físico exigiu escolhas. “As empresas que já participam têm preferência, mas também abrimos espaço para novas, desde que tragam algo que ainda não temos. Fizemos uma sinergia entre esses dois interesses”, explicou.
A expectativa inicial era receber entre 360 mil e 400 mil visitantes ao longo dos cinco dias. No entanto, com o ritmo registrado, a feira deve ultrapassar 420 mil pessoas, superando os 407 mil visitantes de 2025.
Negócios, investimentos e abertura para famílias
Além do público, os negócios também avançaram. Segundo o presidente, a feira já atingiu cerca de metade do volume esperado, estimado entre R$ 6 bilhões e R$ 7 bilhões em negócios. Outro destaque foi a abertura no domingo, pensada para atrair famílias. Nesse dia, cerca de 40 mil pessoas visitaram o parque.
Ao falar do cenário nacional, o presidente da Coopavel destacou que o Brasil planta entre 84 e 85 milhões de hectares, em um território de 853 milhões. “Temos áreas disponíveis, tecnologia e inovação para crescer”, afirmou. A produção de grãos para a safra 2025/26 está estimada em 353 milhões de toneladas.
Agro sustenta a economia brasileira
Grolli também ressaltou o peso do agronegócio na economia. Em 2025, o setor respondeu por mais de US$ 170 bilhões em exportações, enquanto as importações ficaram em torno de US$ 22 bilhões. “É o agro que está segurando a balança comercial brasileira”, destacou.

Atualmente, o agronegócio representa entre 25% e 30% da economia nacional, com forte impacto na geração de empregos e na distribuição de renda. Para ele, o país precisa avançar na agregação de valor. “Precisamos produzir grão, mas também transformar esse grão em carne, proteína e alimentos”, pontuou.
Juros, logística e expectativas para o Plano Safra
Entre as principais preocupações do setor, Dilvo Grolli citou os juros elevados, os custos logísticos, a carga tributária e o cenário geopolítico internacional. Ainda assim, ele vê perspectiva de melhora. Com a taxa Selic em 15% ao ano, há expectativa de queda para cerca de 12% até dezembro de 2026.
Esse movimento deve impactar o próximo Plano Safra 2026/27. Segundo Grolli, a tendência é de redução de 1 a 2 pontos percentuais nos juros. “O produtor precisa pesquisar, cotar, negociar e se enquadrar da melhor forma para reduzir o custo financeiro”, orientou.
Crescimento da Coopavel e visão de futuro
A Coopavel encerrou 2025 com crescimento de 19%. Para 2026, a meta é manter avanço entre 15% e 20%. Esse desempenho está ligado ao lançamento de novos produtos, abertura de filiais e investimentos que somaram R$ 477 milhões no último ano. Para este ano, o planejamento prevê cerca de R$ 400 milhões.
Segundo Grolli, investir exige equilíbrio. “O investimento sobe, depois precisa de um período de maturação. Se não respeitar esse tempo, pode gerar problemas de caixa”, alertou.
Ao comparar o desempenho do agro com o restante da economia, o dirigente foi direto. Enquanto o PIB brasileiro cresceu 2,3% em 2025 e as projeções gerais variam entre 1,8% e 2%, o agronegócio avançou cerca de 6%. “O agro está no melhor caminho. Não podemos ficar parados esperando que algo caia do céu”, concluiu.








