Resumo da notícia
- O Casu Marzu, queijo típico da Sardenha com larvas vivas que aceleram sua fermentação, é proibido em vários países por riscos à saúde e normas sanitárias da União Europeia.
- As larvas vivas no queijo podem causar infecções intestinais, com sintomas como dor abdominal, diarreia e vômitos, tornando o Casu Marzu conhecido como o "queijo mais perigoso do mundo".
- A jornalista brasileira Alessandra Flores experimentou o queijo na Sardenha e descreveu a experiência como culturalmente marcante, apesar do visual e cheiro fortes e da recusa em consumir as larvas.
Entre a tradição regional, a curiosidade gastronômica e os riscos à saúde, um queijo típico da ilha da Sardenha, na Itália, continua despertando atenção em várias partes do mundo. Conhecido como Casu Marzu, o alimento ganhou fama internacional por conter larvas vivas em sua composição e, por isso, acabou proibido em diversos países, inclusive no próprio território italiano.
Produzido com leite de ovelha, o queijo passa por um processo incomum durante a fabricação. Moscas da espécie Piophila casei depositam ovos na massa, e as larvas que surgem aceleram a fermentação do alimento. Como resultado, o interior do queijo se transforma em uma pasta cremosa, de sabor intenso, picante e bastante aromático.
Segundo informações da Enciclopédia Britânica, as larvas medem cerca de oito milímetros e precisam permanecer vivas no momento do consumo. Caso estejam mortas, o queijo é considerado inadequado para consumo e deve ser descartado.
“Na primavera, são feitos alguns cortes na casca para a inserção das larvas. Elas crescem dentro da massa para estimular um nível avançado de fermentação, o que a maioria das pessoas descreveria como decomposição. Alguns preferem remover as larvas antes de comer, enquanto outras as devoram”, descreve a publicação.
Queijo proibido por questões sanitárias
As rígidas normas sanitárias da União Europeia impedem a comercialização do Casu Marzu em diferentes países. Isso acontece porque apenas alimentos considerados seguros para consumo humano podem ser vendidos legalmente. Dessa forma, a presença das larvas acabou levando à proibição do produto.

Além disso, especialistas alertam que os insetos podem resistir aos ácidos do estômago humano. Em alguns casos, isso pode provocar infecções intestinais, além de sintomas como dor abdominal, diarreia e vômitos.
Por conta desses riscos, o Guinness World Records registrou o Casu Marzu, em 2009, como o “queijo mais perigoso do mundo”. Embora a categoria não seja mais monitorada atualmente, o título permaneceu associado à tradicional iguaria italiana durante o período em que esteve ativa.
Brasileira relata experiência ao provar o Casu Marzu
Durante uma viagem recente à Sardenha, a jornalista brasileira Alessandra Flores, de Florianópolis, teve a oportunidade de experimentar o queijo e descreveu a experiência como algo marcante e culturalmente simbólico.
“Ele realmente é bem diferente. A primeira impressão não é nada boa. Para eles (moradores locais), é como se fosse um grande evento. Eles pegam o queijo no lugar onde guardam e servem com muito carinho e honra. Quando a tampa do queijo é aberta, é possível ver várias larvas minúsculas. Achei bem agoniante olhar para aquilo”, contou.
Apesar do visual incomum e do cheiro forte, Alessandra afirmou que o sabor foi menos impactante do que imaginava inicialmente.
“Fiquei receosa em provar e optei por não pegar as larvas. Achei um queijo muito forte, mas confesso que estava preparada para algo pior, meio podre. No fim, achei até razoável. Não tive ânsia, nem nada disso. Valeu pela experiência. Estar lá e ter essa oportunidade foi incrível”, finalizou.