Centro em Florianópolis pesquisa nutrição de precisão, proteínas funcionais, saúde animal e novas aplicações para matérias-primas
JBS prevê investir US$ 37 milhões em biotecnologia para desenvolver proteínas funcionais, nutrição de precisão e novas aplicações.
Foto: Divulgação - JBS

A JBS prevê investir US$ 37 milhões, até o fim de 2026, no centro de biotecnologia instalado em Florianópolis (SC). A unidade pesquisa novas aplicações para proteínas e matérias-primas da cadeia de alimentos. Ou seja, o projeto busca desenvolver proteínas funcionais, nutrição de precisão, soluções para saúde animal e ingredientes de maior valor agregado.

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O tema voltou ao centro da estratégia da companhia durante o Bradesco BBI Agro Summit, realizado em São Paulo em 10 de setembro. O CEO global da JBS, Gilberto Tomazoni, afirmou que a empresa vê uma mudança no consumo de proteínas.

Segundo o executivo, os consumidores passaram a observar não apenas a quantidade de proteína dos alimentos. Além disso, também ganham espaço aspectos como composição, digestibilidade e perfil de aminoácidos. “Não tem nada a ver com carne. Tem a ver com proteína. Proteína cultivada. Ninguém vai conseguir fazer carne e você pode usar isso para enriquecer o seu shake, você pode usar isso numa barrinha de cereais”, afirmou Tomazoni.

JBS busca maior valor para matérias-primas

A estratégia envolve identificar componentes presentes em matérias-primas que possam ter aplicações diferentes das atuais.  Tomazoni citou proteínas destinadas hoje à alimentação animal como exemplo desse potencial. Segundo ele, a empresa pesquisa peptídeos e aminoácidos que possam ser utilizados em produtos de nutrição de precisão. “

Como é que a gente pode pegar essas proteínas que hoje nós destinamos para ração animal e identificar nelas peptídeos ou aminoácidos que vão ajudar a gente a fazer uma alimentação de precisão?”, disse.

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A JBS inaugurou a JBS Biotech em 1º de abril, em Florianópolis. O centro ocupa mais de 4 mil metros quadrados no Sapiens Parque e conta com mais de 20 laboratórios especializados. A estrutura reúne áreas como biologia molecular, engenharia, análise de dados e validação de tecnologias. A proposta é aproximar a pesquisa científica das aplicações na cadeia de alimentos.

“Como é que a gente tira maior valor? Se eu consigo extrair maior valor daquilo que hoje eu estou dando um destino diferente daquele que eu dou hoje, permite que a gente possa ser muito mais competitivo”, afirmou Tomazoni.

Pesquisa começou com carne cultivada

Segundo Tomazoni, parte do conhecimento utilizado atualmente surgiu das pesquisas relacionadas à carne cultivada. O trabalho permitiu ampliar o conhecimento da companhia sobre células, DNA, RNA, diferenciação celular e multiplicação de células. Esses estudos passaram a ser considerados também em outras aplicações.

A JBS passou a trabalhar com diferentes plataformas de pesquisa, incluindo cultivo celular, fungos e bactérias. A unidade também desenvolve pesquisas relacionadas à saúde animal. “Por isso, resolveu fazer um centro de biotecnologia que trabalha com fungos, trabalha com bactérias, trabalha com vírus, tudo em minifábricas, trabalha com cultivo celular, trabalha com sanidade animal”, afirmou.

A empresa pretende aplicar os resultados em diferentes pontos da cadeia de proteínas. A estratégia inclui desde alimentos até ingredientes e soluções voltadas à produção animal.

Florianópolis concentra estrutura de pesquisa

A escolha de Florianópolis também está relacionada à disponibilidade de profissionais especializados, segundo Tomazoni. Ou seja, para o executivo, a infraestrutura tecnológica precisava estar acompanhada de equipes capazes de desenvolver e aplicar os conhecimentos científicos.

“Não adianta fazer um investimento e trazer equipamentos. Nós temos hoje talvez um dos melhores centros de biotecnologia do mundo em termos de equipamentos, mas precisava trazer gente que pudesse ter conhecimento. Por isso, Florianópolis foi uma das escolhas estratégicas”, afirmou.

A JBS apresentou o centro como parte de uma estratégia mais ampla de desenvolvimento de proteínas funcionais, nutrição de precisão e saúde animal. A companhia afirma que a unidade foi criada para desenvolver ciência aplicada à cadeia produtiva.

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