A alta do leite UHT puxou o aumento dos preços de alimentos básicos no Sudeste em abril de 2026, segundo levantamento da Neogrid. O produto registrou valorização de 20,2% na região e 18,3% na média nacional, passando de R$ 4,75 em março para R$ 5,62 em abril.

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O avanço reflete a queda na produção nacional de leite. Dados do Índice de Captação de Leite (ICAP-L) indicam retração de 3,9% na coleta entre fevereiro e março e queda acumulada de 11,1% no primeiro trimestre. A menor oferta ocorre em meio à sazonalidade, com redução das pastagens, além da cautela dos produtores após margens apertadas ao longo de 2025.

Outros itens essenciais também registraram alta no período. O preço dos queijos subiu 2,4%, passando de R$ 63,61 para R$ 65,12, enquanto o feijão avançou 2,1%, de R$ 7,51 para R$ 7,67. Legumes tiveram aumento de 2% e o pão registrou alta de 1,8%.

Segundo Marcelo Alves, Head de Insights da Neogrid, a pressão se concentra em categorias sensíveis à oferta e ao clima. “Os dados mostram aumento em itens essenciais, como lácteos e hortifruti, o que mantém o consumidor mais atento aos preços e à composição da cesta de compras”, afirma.

Inflação de alimentos no acumulado

No acumulado entre dezembro de 2025 e abril de 2026, os legumes lideram a inflação no varejo alimentar, com alta de 25,3%, passando de R$ 5,50 para R$ 6,89. Na sequência aparecem leite UHT (21,7%), feijão (20,5%), ovos (13,4%) e carne bovina (6,6%).

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A tendência, segundo a Neogrid, aponta para continuidade da volatilidade nos próximos meses, especialmente em categorias ligadas à oferta e às condições climáticas, como lácteos e hortifruti. Já produtos industrializados e algumas proteínas devem apresentar maior estabilidade, impulsionados pela competitividade no varejo e acomodação de custos.

Sudeste: altas e quedas em abril

No Sudeste, além do leite UHT (20,19%), os maiores aumentos de preços em abril ocorreram em pão (4,1%), creme dental (1,6%), água sanitária (1,6%) e arroz (1,4%).

Por outro lado, algumas categorias registraram queda. Carne suína caiu 5,9%, ovos recuaram 4,8%, açúcar teve baixa de 3,1%, enquanto café (em pó e em grãos) caiu 3%. O desinfetante também apresentou redução de 1,8%.