Resumo da notícia
- O Cavalo Crioulo, tradicional do Rio Grande do Sul, expandiu sua presença pelo Brasil, com eventos nas áreas de expansão crescendo 1.175% entre 2013 e 2025, alcançando 50 municípios em 11 estados.
- A popularidade da raça aumentou graças às modalidades esportivas e funcionais, que conectam criadores e competidores de diversas regiões, ampliando o uso do cavalo para além do trabalho rural.
- A cadeia econômica do Cavalo Crioulo movimenta R$ 5,36 bilhões por ano no Brasil e gera mais de 160 mil empregos diretos e indiretos, com cada animal representando cerca de R$ 10,55 mil em movimentação anual.
Conhecido pela forte ligação com o Rio Grande do Sul e pela presença histórica no trabalho das propriedades rurais, o Cavalo Crioulo está avançando para muito além das fronteiras gaúchas.
Um levantamento da Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC) mostra o tamanho dessa expansão. Entre 2013 e 2025, o número de eventos realizados nas chamadas áreas de expansão da raça saltou de apenas oito para 102.
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O crescimento chega a 1.175% em 12 anos.
Além disso, somente em 2025, 50 municípios de 11 estados brasileiros receberam alguma prova ligada ao Cavalo Crioulo.
O Agro em Campo analisou os números divulgados pela ABCCC para entender como uma raça historicamente associada ao Sul ganhou espaço em outras regiões e passou a movimentar uma cadeia bilionária no país.
Por que o Cavalo Crioulo está avançando pelo Brasil?

A expansão está ligada, sobretudo, ao crescimento das modalidades esportivas e funcionais.
Durante muito tempo, o Cavalo Crioulo ficou fortemente associado ao trabalho nas propriedades rurais e às tradições do Sul. Entretanto, provas e competições abriram novas portas para a raça.
Segundo o presidente da ABCCC, André Luiz Narciso Rosa, essa relação mudou.
“Se antes o cavalo estava principalmente ligado à tradição e à rotina do campo, hoje essa relação vai muito além”, afirmou.
De acordo com ele, as modalidades esportivas passaram a conectar criadores e competidores de diferentes regiões.
Assim, o cavalo que ganhou fama pela resistência no campo começou também a aparecer com maior frequência em pistas, exposições e competições fora do território onde tradicionalmente se concentrou sua criação.
Quantos eventos do Cavalo Crioulo existem fora do Sul?

Os números ajudam a dimensionar essa transformação.
| Ano | Eventos nas áreas de expansão |
|---|---|
| 2013 | 8 |
| 2025 | 102 |
| Crescimento | 1.175% |
Fonte: ABCCC
Em 2025, as atividades chegaram a 50 cidades distribuídas por 11 estados.
Portanto, a expansão não está concentrada em apenas uma nova região. Ela acompanha a formação de núcleos de criadores e competidores em diferentes partes do país.
O calendário oficial da ABCCC também reúne modalidades como Paleteada, Campereada, Team Penning, Crioulaço, Laço Criador, provas morfológicas e outras competições.
Quanto o Cavalo Crioulo movimenta no Brasil?

A expansão territorial também aparece na economia.
Um estudo divulgado pela ABCCC em parceria com a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP) estima que a cadeia do Cavalo Crioulo movimenta R$ 5,36 bilhões por ano no Brasil.
Além disso, as atividades relacionadas à raça geram mais de 160 mil empregos diretos e indiretos.
O levantamento calcula ainda que cada Cavalo Crioulo representa uma movimentação econômica anual de aproximadamente R$ 10,55 mil.
Essa conta vai muito além da compra e venda dos animais. Afinal, a cadeia envolve alimentação, medicamentos veterinários, genética, reprodução, transporte, treinamento, mão de obra, equipamentos, provas, exposições e leilões.
Leilões movimentam milhões
A Expointer ajuda a mostrar o tamanho desse mercado.
Na edição de 2026, oito dos 25 leilões programados inicialmente para a feira incluíram Cavalos Crioulos. Ao todo, 248 animais estavam previstos para comercialização.
No ano passado, seis leilões da raça realizados durante a exposição movimentaram R$ 14,51 milhões.
Já em 2026, as vendas cresceram novamente e ultrapassaram R$ 17 milhões.
O avanço acompanha justamente o aumento do interesse pela raça e pelas atividades que se formaram ao redor dela.
Cavalo Crioulo deixou de ser uma raça apenas do Sul?

Apesar da expansão, o Sul continua sendo o principal território do Cavalo Crioulo no Brasil.
Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná mantêm forte presença de criadores, competições e animais registrados.
Entretanto, os números mostram que classificar a raça simplesmente como um fenômeno regional já não explica todo o mercado.
Ao sair de oito eventos nas áreas de expansão em 2013 para 102 em 2025, o Cavalo Crioulo criou novos pontos de contato com criadores, competidores e compradores.
E esse avanço ocorre justamente em uma atividade capaz de movimentar bilhões de reais.
Assim, o cavalo que se tornou símbolo do campo gaúcho começa a consolidar uma nova característica: cada vez mais, também é um negócio nacional.