Resumo da notícia
- O avanço do peixe-leão na costa baiana ameaça ecossistemas marinhos e atividades econômicas como pesca artesanal e turismo, exigindo estratégias regionais de manejo e controle.
- O manejo seguro do peixe-leão requer capacitação e equipamentos específicos devido aos 18 espinhos venenosos da espécie, evitando acidentes com pescadores e mergulhadores.
- Pesquisadores estudam o aproveitamento da carne e pele do peixe-leão, incluindo receitas culinárias, como forma de controle sustentável e alternativa econômica para comunidades pesqueiras.
O avanço do peixe-leão na costa baiana exige atenção de pescadores, mergulhadores e órgãos ambientais. A espécie invasora pode afetar os ecossistemas marinhos e atividades econômicas importantes, como a pesca artesanal e o turismo. Por isso, pesquisadores e órgãos ambientais discutem estratégias de manejo que considerem as características de cada região.
O professor Cláudio “Buia” Sampaio, dos cursos de Engenharia de Pesca e Licenciatura em Ciências Biológicas da Ufal Penedo e dos Programas de Pós-Graduação em Diversidade Biológica e Conservação nos Trópicos (PPG-DIBICT) e em Ciências Ambientais (PPG-CiAmb), destaca os riscos associados ao manejo inadequado do animal.
Segundo o especialista, o peixe-leão possui 18 espinhos capazes de inocular veneno. Por isso, a captura e a manipulação exigem capacitação, equipamentos e técnicas apropriadas.
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O que fazer ao encontrar um peixe-leão
As etapas de manejo incluem a identificação correta da espécie, a captura segura e a destinação adequada do animal. Se um pescador capturar um peixe-leão acidentalmente em redes, covos ou linha de mão, deve evitar o contato com os espinhos e procurar orientação dos órgãos ambientais.
O pescador também pode comunicar a ocorrência à Secretaria do Meio Ambiente (Sema) e, conforme a orientação das instituições responsáveis, encaminhar o exemplar para pesquisas desenvolvidas por universidades, como UFBA, UFSB e Ufal.

Durante um mergulho, a recomendação é não tentar capturar o animal. O risco de acidente aumenta quando uma pessoa sem capacitação tenta manipular a espécie.
Nesse caso, o mergulhador pode registrar a ocorrência e informar a data, a localidade, a profundidade e outras características que ajudem as equipes responsáveis pelo monitoramento. Fotografias também podem contribuir para a identificação e o acompanhamento da distribuição do peixe-leão.
Assim, pescadores e mergulhadores podem colaborar com o monitoramento da espécie sem colocar a própria segurança em risco.
Carne pode ser aproveitada
Além das ações de controle, pesquisadores e comunidades pesqueiras avaliam possibilidades de aproveitamento do peixe-leão. Uma delas envolve o consumo da carne.
Cláudio “Buia” Sampaio destacou a elaboração de um livro de receitas eletrônico que contará com a participação de chefs de cozinha. Entre os participantes está a chef Leila Carreiro, do Restaurante Dona Mariquita, que deverá preparar pratos da culinária baiana, como uma moqueca de peixe-leão.
Na Colônia de Pesca Z-08, um dos principais interesses demonstrados envolve justamente o possível aproveitamento comercial do peixe-leão. Entre as alternativas discutidas estão o beneficiamento da carne e o uso da pele.
“O aproveitamento da espécie pode ser uma importante ferramenta associada ao seu controle. Quando realizado de forma segura e responsável, pode contribuir para reduzir os impactos negativos da invasão e, ao mesmo tempo, gerar oportunidades de renda para as comunidades pesqueiras afetadas”, explica.
O possível aproveitamento comercial, entretanto, não elimina os cuidados necessários durante o manejo. A retirada e a manipulação do animal devem seguir protocolos de segurança e orientação técnica.
Além disso, o consumo não deve ser confundido com uma autorização para que qualquer pessoa capture ou manipule a espécie. A participação de pescadores, mergulhadores e comunidades no controle precisa respeitar as orientações dos órgãos ambientais e das instituições responsáveis pelas pesquisas.