Pesquisa com 600 entrevistados mostra que maioria da população não sabe diferenciar fertilizantes de agrotóxicos; especialista explica as diferenças
trator pulverizando plantação de soja
Foto: Adavilson Kronbauer/AGCO

Grande parte da população brasileira não sabe diferenciar fertilizantes, adubos, agrotóxicos e defensivos agrícolas. É o que revela uma pesquisa qualitativa encomendada pela Nutrientes Para a Vida (NPV) e conduzida pelo Instituto de Pesquisa Ipeso, que ouviu 600 pessoas em todo o país. O levantamento aponta que os brasileiros conhecem esses insumos apenas superficialmente e não se consideram bem-informados sobre suas funções na produção de alimentos e na conservação dos recursos naturais.

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Para o engenheiro agrônomo Valter Casarin, coordenador-geral e científico da NPV, iniciativa da Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA), entender como esses elementos atuam é essencial para qualificar o debate sobre segurança alimentar e sustentabilidade.

“É importante que a sociedade conheça o verdadeiro papel que os fertilizantes desempenham nos sistemas de produção. Esses insumos não substituem práticas como a conservação do solo e o manejo adequado, mas fazem parte de um conjunto de tecnologias que permite produzir mais alimentos com eficiência e responsabilidade ambiental”, afirma o especialista.

A seguir, Casarin separa mito de verdade sobre cinco crenças comuns a respeito dos fertilizantes.

Fertilizantes e agrotóxicos são a mesma coisa: mito

Fertilizantes e agrotóxicos cumprem funções opostas, embora a confusão entre os dois termos seja frequente. Os fertilizantes fornecem nutrientes essenciais, como nitrogênio, fósforo e potássio, para o crescimento das plantas.

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Já os agrotóxicos, também chamados de defensivos agrícolas, protegem as lavouras contra pragas, doenças e plantas daninhas. Em resumo: os fertilizantes nutrem a planta, enquanto os defensivos a protegem.

Fertilizantes empobrecem o solo: mito

O uso correto de fertilizantes faz o oposto do que muitos imaginam. A cada safra, o solo perde parte de seus nutrientes junto com grãos, frutas, fibras e outros produtos colhidos. Os fertilizantes repõem justamente esses elementos minerais, e ajudam a manter a fertilidade e a capacidade produtiva da terra.

A ausência dessa reposição, ou o manejo inadequado da área, é o que de fato compromete a qualidade do solo, não o uso responsável do insumo.

Fertilizantes ajudam a preservar as florestas: verdade

O aumento da produtividade em áreas já cultivadas permite produzir mais alimentos sem expandir continuamente a fronteira agrícola. Essa dinâmica reduz a pressão por abertura de novas áreas e favorece a conservação de ecossistemas naturais.

Nas últimas décadas, os ganhos de produtividade no Brasil possibilitaram ampliar significativamente a produção agropecuária sem um crescimento proporcional da área cultivada. Um fenômeno que pesquisadores da Embrapa costumam chamar de “poupança de florestas”.

Quanto mais fertilizante, maior a produção: mito

A quantidade aplicada não determina, sozinha, o resultado da colheita. Assim como na alimentação humana, tanto a falta quanto o excesso de nutrientes podem prejudicar o desenvolvimento das plantas.

A dosagem correta deve considerar a análise do solo, as necessidades específicas de cada cultura e o estágio de desenvolvimento da lavoura. Esse equilíbrio garante maior eficiência no uso dos nutrientes, melhor desempenho produtivo e menor risco de impactos ambientais.

A agricultura orgânica não usa fertilizantes: mito

Sistemas de produção orgânica também dependem de fertilizantes. A diferença está na origem dos insumos permitidos. As normas da produção orgânica priorizam fontes como esterco, compostos orgânicos e determinados minerais naturais.

Independentemente do sistema de cultivo, toda planta precisa de nutrientes para crescer, completar seu ciclo biológico e produzir alimentos.

Informação como ferramenta de sustentabilidade

Para Casarin, disseminar informações confiáveis sobre o tema é fundamental para qualificar o debate sobre produção agrícola sustentável. “Fertilizantes não são vilões, nem soluções mágicas. São ferramentas que, quando utilizadas corretamente, ajudam a garantir alimentos na mesa, renda no campo e maior preservação dos recursos naturais”, conclui o coordenador da NPV.