Resumo da notícia
- Pesquisadores peruanos identificaram o primeiro caso documentado de leucismo no bagre-espinhoso (Pterodoras granulosus) no rio Ucayali, com coloração clara e olhos pigmentados normalmente.
- O leucismo causa redução parcial da pigmentação, diferenciando-se do albinismo, e pode aumentar a exposição do peixe a predadores, embora características ambientais possam atenuar esse risco.
- O exemplar foi analisado, sem anomalias estruturais, e incorporado à Coleção Ictiológica do IIAP para futuras pesquisas sobre pigmentação em peixes amazônicos.
Pesquisadores peruanos identificaram um caso raro de leucismo em peixe amazônico no rio Ucayali, próximo à cidade de Pucallpa, no Peru. A alteração na pigmentação deixou o animal com uma coloração muito mais clara do que a habitual e chamou a atenção dos cientistas para uma característica ainda não documentada nessa espécie.
O exemplar pertence ao bagre-espinhoso (Pterodoras granulosus), conhecido localmente como cahuara ou piro. Segundo o Instituto de Pesquisas da Amazônia Peruana (IIAP), o registro representa o primeiro caso documentado de leucismo nessa espécie de peixe de água doce.
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Peixe apresenta coloração clara e olhos com pigmentação normal
O exemplar analisado mede 11,3 centímetros de comprimento padrão. Seu corpo apresenta tonalidades brancas ou creme-claras, com nuances rosadas na cabeça, no abdômen e nas nadadeiras. Entretanto, os olhos mantêm a pigmentação normal.

Essa característica ajuda a diferenciar o leucismo do albinismo. O leucismo provoca uma redução da pigmentação em partes do corpo, enquanto o albinismo está relacionado à ausência ou à redução da melanina. A pigmentação dos olhos, portanto, é um dos aspectos considerados nessa diferenciação.
Para investigar o caso, os pesquisadores realizaram uma análise morfológica do peixe. O estudo considerou 24 medidas corporais e comparou os resultados com os de dez exemplares da mesma espécie, com coloração habitual e provenientes da mesma bacia hidrográfica.
A comparação revelou diferenças em algumas proporções corporais. No entanto, os cientistas não identificaram anomalias estruturais evidentes no exemplar com coloração incomum.
Leucismo pode influenciar a exposição a predadores
A aparência mais clara pode tornar o peixe mais visível para predadores. Ainda assim, características do ambiente amazônico e do comportamento da espécie podem reduzir essa exposição.
As águas turvas do rio Ucayali, a presença de sedimentos e os hábitos de vida próximos ao fundo podem dificultar a identificação do animal por outros peixes e predadores. Além disso, a atividade noturna da espécie pode contribuir para reduzir sua exposição.
Os pesquisadores, porém, tratam essa explicação como uma hipótese. Portanto, ainda não é possível afirmar que essas características ambientais compensem os possíveis efeitos do leucismo sobre a sobrevivência do peixe.
Exemplar passa a integrar coleção científica
O peixe foi encontrado em novembro de 2025, durante avaliações de qualidade ambiental realizadas pela organização Círculo de Qualidade Ambiental. Depois da identificação e da análise, os pesquisadores depositaram o exemplar na Coleção Ictiológica do IIAP, sob o registro CIIAP 8253.
A preservação do material permite que outros especialistas consultem o exemplar e realizem estudos futuros sobre a pigmentação de peixes amazônicos.
O trabalho foi publicado em 2026 na revista científica Journal of Ichthyology. Dessa forma, o registro acrescenta informações sobre a variação da pigmentação em peixes de água doce e amplia o conhecimento científico sobre a biodiversidade da Amazônia peruana.


