Resumo da notícia
- Apesar da queda nos preços do cacau, fabricantes como Lindt, Barry Callebaut e Nestlé ainda enfrentam margens apertadas devido a custos elevados, inflação e conflitos que afetam vendas e consumo global.
- Lindt aumentou preços em 11,8%, resultando em queda de 7,5% nas vendas, impactada também pela redução do turismo na Europa causada pela crise no Oriente Médio.
- Fenômenos climáticos como El Niño e mudanças climáticas reduziram a produção na África Ocidental, pressionando os preços do cacau, com riscos de nova alta prevista para 2026 e 2027.
Apesar da recente queda nas cotações internacionais do cacau, as maiores fabricantes de chocolate do mundo ainda enfrentam dificuldades para recuperar as margens de lucro. Empresas como Barry Callebaut, Lindt e Nestlé afirmam que a alta histórica registrada nos últimos anos continua pressionando os resultados financeiros e alterando o comportamento dos consumidores.
Os reajustes de preços aplicados pelas fabricantes reduziram o volume de vendas em diversos mercados, enquanto fatores como inflação, conflitos geopolíticos e mudanças climáticas seguem influenciando a cadeia global do cacau.
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Lindt registra queda nas vendas
A Lindt informou que aumentou os preços em 11,8% no primeiro semestre. Como consequência, o volume de chocolates vendidos caiu 7,5%.
Segundo o CEO da companhia, Adalbert Lechner, os preços recordes do cacau obrigaram todo o setor a realizar reajustes sem precedentes. Além disso, inflação, incertezas econômicas e conflitos internacionais reduziram o consumo.
A empresa também destacou que a crise no Oriente Médio diminuiu o fluxo de turistas asiáticos e do Oriente Médio para a Europa, afetando o segmento de varejo voltado aos viajantes.
Barry Callebaut amplia vendas de cacau
A Barry Callebaut, maior fabricante mundial de produtos derivados de cacau e chocolate, informou que o consumo de chocolate caiu 4,4% no terceiro trimestre em relação ao mesmo período do ano anterior.
Mesmo assim, o volume total comercializado pela empresa cresceu 5,7%, encerrando uma sequência de mais de dois anos de retração.
As vendas globais de cacau avançaram 18%, impulsionadas pela correção do mercado ocorrida no início do ano.
Nestlé também sente os efeitos
A Nestlé informou que a valorização do cacau e do café reduziu em 2,8% seu lucro operacional subjacente no primeiro semestre.
A área de confeitaria representa quase 10% do faturamento da companhia. A expectativa é de recuperação gradual das margens conforme os preços da matéria-prima continuem se estabilizando.
El Niño e mudanças climáticas explicam a crise
A forte valorização do cacau teve origem principalmente nas perdas de safra registradas na África Ocidental.
Segundo pesquisadores da Oxford Martin School, o fenômeno El Niño provocou períodos prolongados de calor, estiagem e chuvas irregulares na Costa do Marfim e em Gana, responsáveis por cerca de 60% a 70% da produção mundial de cacau.
Além do El Niño, o avanço das mudanças climáticas agravou ainda mais o cenário, reduzindo a produtividade das lavouras e elevando os preços internacionais da commodity.
Mercado segue atento ao clima
Embora haja expectativa de excedente na safra 2025/2026, a Barry Callebaut alertou que um novo episódio forte de El Niño previsto para 2026 e 2027 pode voltar a pressionar a oferta mundial.
Analistas também afirmam que a Lindt conseguiu realizar operações de proteção de preços para 2027, estratégia que pode reduzir significativamente seus custos nos próximos anos.
Geopolítica influencia o mercado
Além das questões climáticas, fatores geopolíticos continuam interferindo na cadeia do cacau.
As tarifas comerciais anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, provocaram oscilações temporárias nos preços e interrupções na logística internacional.
Chocolate premium
Enquanto aguardam uma recuperação mais consistente do mercado, as fabricantes investem em inovação para atrair consumidores.
A Lindt ampliou sua presença nas redes sociais após o sucesso da barra de chocolate inspirada no chamado “Chocolate Dubai”, lançada em dezembro de 2024 e rapidamente transformada em tendência mundial.
Segundo Adalbert Lechner, a estratégia busca aproximar a marca dos consumidores mais jovens e transformar as redes sociais em um canal permanente de descoberta e compra.
A Nestlé segue caminho semelhante. O CEO Philipp Navratil afirmou que a companhia ampliará os investimentos em marketing de influência, priorizando campanhas digitais, conteúdo orgânico e formatos voltados ao público jovem.
Empresas evitam novos reajustes
Apesar da pressão sobre os custos, as fabricantes têm buscado preservar o posicionamento premium sem depender exclusivamente de novos aumentos de preços.
A Lindt reduziu valores de forma seletiva em mercados como Alemanha e Suíça durante o período de Natal para estimular o consumo.
Já a Barry Callebaut aposta na expansão do segmento Gourmet, direcionado a chefs e confeiteiros, além de ampliar sua linha de chocolates especiais de maior valor agregado.
Com a acomodação dos preços do cacau, o setor espera recuperar gradualmente a demanda. Ainda assim, especialistas alertam que eventos climáticos extremos e tensões geopolíticas continuarão sendo fatores determinantes para o mercado global da commodity.









