Expansão produtiva e risco global de doenças impulsionam novas ações de prevenção na piscicultura paulista
Preço da tilápia sobe, mas oferta freia alta. Confira o levantamento realizado pelos pesquisadores do Cepea.
Foto: Divulgação - Portal.Gov

A cadeia da tilapicultura em São Paulo vive um ciclo de expansão e reforça medidas de vigilância sanitária para proteger a produção e garantir a sustentabilidade do setor. O aumento do monitoramento técnico e epidemiológico acompanha o crescimento da atividade, que consolidou o Estado como um dos principais polos produtores do país.

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Segundo dados preliminares do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), a produção paulista de tilápia atingiu 54,17 mil toneladas em 2025, crescimento de 4% em relação ao ano anterior. O faturamento chegou a R$ 494,11 milhões, sustentado por uma estrutura industrial robusta, com 21 frigoríficos responsáveis por 86% do abate total. Mais de 12 mil tanques-rede operam atualmente em reservatórios paulistas, respondendo pela maior parte do volume produzido.

O avanço produtivo amplia a preocupação com o status sanitário da aquicultura, considerado essencial para a competitividade e a segurança alimentar. Especialistas do setor ressaltam que manter altos padrões de biossegurança é determinante para a estabilidade da cadeia e a proteção dos investimentos.

“Preservar a sanidade da tilapicultura significa garantir crescimento sustentável, segurança alimentar e geração de empregos. As ações de pesquisa e defesa são fundamentais para a continuidade do setor”, afirma Geraldo Melo Filho, secretário da pasta agropecuária paulista.

Riscos sanitários

O monitoramento estadual avalia riscos sanitários relacionados ao comércio internacional de pescado e acompanha as análises conduzidas em nível federal. Em 2024, o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) suspendeu temporariamente as importações de tilápia de alguns mercados e iniciou uma Análise de Risco de Importação (ARI) para determinar possíveis ameaças de agentes patogênicos exóticos no país.

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No Estado, instituições de pesquisa como o Instituto de Pesca (IP-APTA) e órgãos de defesa agropecuária intensificaram o acompanhamento técnico e epidemiológico. A coordenadora do Instituto de Pesca, Cristiane Neiva, destaca que a prevenção é um dos pilares da sustentabilidade do setor.

“A introdução de enfermidades pode comprometer toda a estrutura industrial e os empregos ligados à aquicultura”, alerta.

O trabalho da Defesa Agropecuária paulista inclui protocolos de biossegurança, rastreabilidade e avaliação contínua de riscos. “As ações preventivas visam manter a tilapicultura competitiva e segura, com benefícios diretos a produtores e consumidores”, explica João Gustavo Pereira Loureiro, coordenador do Centro de Inspeção de Produtos de Origem Animal e Vegetal (CIPOAV).

Tilapia Lake Virus

Entre os principais pontos de atenção está o Tilapia Lake Virus (TiLV), agente infeccioso altamente letal, já registrado em países da Ásia, África e Oriente Médio. O vírus pode causar mortalidade de até 90% nos peixes e representa uma ameaça significativa à produção global de tilápia.

Para o presidente da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), Francisco Medeiros, uma eventual introdução do TiLV no Brasil teria “efeitos expressivos” sobre a produção, em especial em regiões de alta densidade produtiva como São Paulo. Ele ressalta que os tanques-rede instalados em reservatórios favorecem a produtividade, mas exigem protocolos rigorosos de biossegurança.

“O modelo brasileiro de produção demanda vigilância constante e medidas de controle robustas para evitar disseminação de doenças”, observa Medeiros.

A tilápia passou, em 2025, a integrar o Valor da Produção Agropecuária (VPA) paulista, indicador usado para planejamento econômico e formulação de políticas agrícolas. A espécie mantém-se como a principal proteína de pescado consumida no Estado, com demanda crescente e boas perspectivas de expansão da produção e do processamento.