Resumo da notícia
- O Haiti ultrapassou os Estados Unidos como segundo maior comprador de vinhos brasileiros em 2026, impulsionado pela queda de 39,6% nas exportações para os EUA devido ao tarifaço norte-americano.
- As vendas para países como Argentina, Uruguai, Reino Unido, Suécia e China cresceram significativamente, refletindo a estratégia das vinícolas brasileiras de diversificar mercados e reduzir dependência dos EUA.
- No primeiro semestre de 2026, as exportações totais de vinhos e espumantes brasileiros cresceram 23,73%, alcançando US$ 6,79 milhões, com presença ampliada em 79 países, aumento de 20,4% em relação a 2025.
O mercado internacional do vinho brasileiro passou por uma mudança importante em 2026. O Haiti ultrapassou os Estados Unidos e assumiu a segunda posição entre os principais compradores de vinhos finos e espumantes produzidos no Brasil.
A mudança acontece em meio aos efeitos do chamado tarifaço norte-americano, que aumentou as barreiras para produtos brasileiros e provocou uma queda significativa nas exportações da bebida para os Estados Unidos. Os dados são do Comex Stat, plataforma oficial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
- Agro pode gerar R$ 314 milhões em créditos de carbono até 2035
- Laudo do MAPA expõe fraudes em azeites importados
Haiti compra mais que os americanos
Entre janeiro e o primeiro semestre de 2026, o Haiti importou US$ 984,5 mil em vinhos finos e espumantes brasileiros. No mesmo período, os Estados Unidos compraram US$ 453,9 mil.
Com isso, o país caribenho passou a ocupar o segundo lugar no ranking de destinos da bebida brasileira. O Paraguai permanece na liderança, com US$ 3,44 milhões em compras.
A diferença chama atenção principalmente porque os Estados Unidos eram um mercado relevante para as vinícolas brasileiras. Porém, as exportações para o país recuaram 39,6% na comparação entre o primeiro semestre de 2025 e o mesmo período deste ano.
Em valores, os embarques passaram de US$ 750,9 mil para US$ 453,9 mil, uma redução de aproximadamente US$ 297 mil.
Tarifaço acelera busca por novos mercados
A queda nas vendas aos Estados Unidos ocorre depois da adoção de novas tarifas sobre produtos brasileiros. Em julho, o governo norte-americano anunciou medidas que incluíram sobretaxas adicionais sobre parte das importações brasileiras.
Diante desse cenário, as vinícolas passaram a buscar alternativas para reduzir a dependência do mercado norte-americano.
O movimento já aparece nos números. Além do Haiti, outros países aumentaram significativamente as compras de vinhos brasileiros. A Argentina, por exemplo, registrou alta de 435%, enquanto o Uruguai avançou 124,7%.
Reino Unido, Suécia e China também apresentaram crescimento nas importações durante o período analisado.
Vinho brasileiro chega a mais países
Apesar da queda nas vendas para os Estados Unidos, o desempenho geral das exportações do setor foi positivo.
No primeiro semestre de 2026, o Brasil exportou US$ 6,79 milhões em vinhos e espumantes, alta de 23,73% em relação aos US$ 5,49 milhões registrados no mesmo período de 2025.
Os vinhos responderam pela maior parte desse valor, com US$ 5,61 milhões, crescimento de 24,66%. Já os espumantes movimentaram US$ 1,18 milhão, avanço de 19,50%.
Outro dado mostra a dimensão da estratégia de diversificação: os rótulos brasileiros chegaram a 79 países no primeiro semestre, número 20,4% maior que o registrado um ano antes.
Assim, mesmo com a perda de espaço nos Estados Unidos, as vinícolas conseguiram ampliar a presença internacional e encontrar novos compradores.
Estados Unidos continuam importantes para o setor
A mudança no ranking não significa que o mercado norte-americano deixou de ser relevante para o vinho brasileiro.
Os Estados Unidos continuam sendo considerados um mercado estratégico para as vinícolas, especialmente pelo alto valor agregado dos consumidores e pelo tamanho do mercado de vinhos no país.
O cenário, portanto, mostra um movimento de adaptação do setor. Enquanto as novas tarifas dificultam as vendas para os norte-americanos, outros destinos ganham espaço e ajudam a sustentar o crescimento das exportações brasileiras.
Para o produtor e para as vinícolas, a diversificação reduz a dependência de um único mercado e pode abrir novas oportunidades para os produtos brasileiros no exterior.