Resumo da notícia
- Pesquisa da Fundação Dom Cabral identificou 22 barreiras à transformação digital em cooperativas de café e leite em Minas Gerais, como dificuldade no uso de tecnologias, resistência e baixa conectividade rural.
- Cooperativas mineiras avançam digitalmente em ritmos distintos, com algumas adotando ferramentas digitais, enquanto outras enfrentam limitações de infraestrutura e capacitação.
- Região de Campinas se destaca como polo de inovação no agronegócio, abrigando centros de pesquisa e startups que desenvolvem soluções tecnológicas para o setor.
Em uma pesquisa da Fundação Dom Cabral, foram identificadas 22 barreiras à transformação digital em cooperativas de café e leite de Minas Gerais. O estudo foi desenvolvido em um mestrado profissional em Administração, a partir de entrevistas com lideranças cooperativistas do estado.
Embora exista interesse entre os cooperados em digitalizar a gestão, a adoção das ferramentas ainda é dificultada por fatores que vão além da falta de recursos financeiros.
Entre os principais obstáculos, são apontadas a dificuldade dos pequenos produtores para utilizar tecnologias, a resistência a novas soluções e a baixa conectividade nas áreas rurais. Além disso, limitações para investimentos em sistemas e equipamentos são enfrentadas tanto pelas cooperativas quanto pelos produtores.
Digitalização avança no agro
O cenário observado em Minas Gerais acompanha uma transformação que vem sendo registrada em todo o agronegócio brasileiro. Segundo o Cepea e a CNA, o setor respondeu por 25,13% do Produto Interno Bruto (PIB) do país em 2025.
Ao mesmo tempo, diferentes níveis de maturidade tecnológica são observados entre as cooperativas. Enquanto algumas ferramentas digitais já são utilizadas na gestão e na produção, problemas de infraestrutura e capacitação ainda são enfrentados por outras organizações.
Nesse contexto, sete tendências tecnológicas foram identificadas em um levantamento do Sistema OCB/InovaCoop. De acordo com o estudo, essas soluções poderão influenciar a competitividade das cooperativas agropecuárias nos próximos anos.
Entre as tendências apontadas, a rastreabilidade aparece como uma das principais demandas. Isso ocorre, sobretudo, porque mais informações sobre a origem dos produtos e as etapas da cadeia produtiva passaram a ser exigidas pelos consumidores.
Campinas concentra inovação
Enquanto barreiras estruturais e culturais ainda são enfrentadas pelas cooperativas mineiras, a região de Campinas, no interior de São Paulo, foi consolidada como um polo de inovação para o agronegócio.
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Na região, estão instalados o Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Essa proximidade entre centros de pesquisa e empresas é apontada como um dos fatores que atraíram startups do setor, conhecidas como agtechs.
Como consequência, soluções de inteligência artificial, sensores e sistemas de gestão passaram a ser desenvolvidas e testadas próximas às empresas do agronegócio.
Por outro lado, dificuldades básicas ainda são enfrentadas por muitas cooperativas. Entre elas estão o acesso limitado à internet e a falta de capacitação dos cooperados.
Assim, permanece um descompasso entre a oferta de tecnologias avançadas e a capacidade de adoção dessas soluções no campo.
Confiança influencia adoção
Para Luis Carlos Crema, advogado, contador e empresário, uma posição específica é ocupada pelo produtor dentro da cooperativa. Ele atua, simultaneamente, como dono, fornecedor e cliente da organização.
Com 33 anos de atuação na prestação de serviços jurídicos e contábeis a cooperativas de todo o Brasil, Crema assumiu recentemente a posição de CEO do ST7 COOP, sistema de gestão voltado ao setor.
“O produtor vive uma realidade muito particular dentro de uma cooperativa: ele é, ao mesmo tempo, dono, fornecedor e cliente do próprio negócio. Quando a tecnologia chega sem entender essa tripla função, ela acaba sendo vista como algo estranho à rotina dele, difícil de confiar”, afirma Crema.
Além disso, parte da resistência identificada pela Fundação Dom Cabral é atribuída pelo executivo à forma como a contabilidade cooperativista costuma ser tratada pelos sistemas de tecnologia.
“Não é a mesma contabilidade de uma empresa comum. Ela precisa ser feita de duas formas, uma convencional, outra cooperativista, levando em conta o que chamamos de ato cooperativo. Quando o sistema não nasce entendendo essa diferença, o produtor sente que está lidando com uma ferramenta que fala outra língua”, explica.
Inteligência artificial ganha espaço
A expansão do ecossistema de inovação também é revelada pelos indicadores do setor. No Radar Agtech Brasil 2025, foram registradas 2.075 startups voltadas ao agronegócio em operação no país.
Em relação ao ano anterior, foi registrado crescimento de 5%. Dessa forma, o levantamento reforça a ampliação do mercado de empresas de tecnologia voltadas ao campo.
Além disso, pesquisas do setor de tecnologia apontam que ferramentas de inteligência artificial já são utilizadas por cerca de 40% das empresas brasileiras em alguma etapa das operações.
Nesse cenário, a IA deixou de ser tratada apenas como uma experiência. A tecnologia passou a ser associada à competitividade, embora sua adoção pelas cooperativas ainda seja condicionada à infraestrutura, à qualificação e à segurança no uso dos dados.
Pesquisa recomenda medidas
Para que as barreiras sejam reduzidas, o estudo da Fundação Dom Cabral recomenda a adoção de medidas permanentes:
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criação de programas contínuos de capacitação digital para produtores;
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ampliação do acesso à internet nas áreas rurais;
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desenvolvimento de plataformas simples e adaptadas à rotina do campo;
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estímulo à intercooperação para ampliar a escala e reduzir custos;
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fortalecimento da governança sobre o uso de dados, em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Além da infraestrutura, a proteção das informações é considerada essencial. Para Crema, a confiança precisa ser estabelecida antes da adoção de novas funcionalidades.
“Antes de qualquer funcionalidade, o produtor precisa sentir que a informação dele está protegida e que vai ser usada para ajudá-lo a vender melhor o que produziu. Sem essa confiança, nenhuma tecnologia avança no campo”, diz.
Sistema reúne 27 módulos
O ST7 COOP é um sistema de gestão empresarial desenvolvido pela SOLTERRA SOLUÇÕES INTELIGENTES S.A., empresa com sede em Campinas (SP) e escritório em Minas Gerais.
Segundo a companhia, 27 módulos integrados são reunidos pela plataforma. Entre eles estão:
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contabilidade cooperativa;
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automação fiscal;
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CRM cooperativista;
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gestão de estoque;
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logística;
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comércio exterior;
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análise de crédito;
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inteligência artificial.
A empresa afirma que o sistema foi estruturado com base no ato cooperativo, mecanismo pelo qual é registrada a participação de cada associado nos resultados da cooperativa.
A plataforma pode ser implantada em servidores próprios ou utilizada em nuvem. Além disso, diferentes bancos de dados são compatíveis com o sistema.
Por fim, a inteligência artificial nativa, denominada IA-ST7, permite interação por voz, automação de compras e suporte ao planejamento estratégico, conforme informações da SOLTERRA.