Precipitação acumulada desde julho é a maior em 10 anos no estado e deve continuar até o fim do mês
nuvens
Foto: Rodarte/Agência Agro em Campo

As chuvas ganharam força nos últimos dias em parte do Brasil e elevaram o risco sanitário para as lavouras de trigo no Rio Grande do Sul. É o que aponta o relatório semanal da EarthDaily, empresa de sensoriamento remoto com dados de satélites.

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O levantamento mostra que a precipitação acumulada ficou acima da média em áreas do Centro-Oeste, em parte do Sudeste e no MATOPIBA. Os maiores volumes, porém, ocorreram na Região Sul: em algumas localidades gaúchas, os acumulados superaram 160 milímetros nos últimos 10 dias.

Temperaturas revertem cenário de geadas

O comportamento térmico também mudou de forma significativa. Na primeira quinzena de julho, termômetros marcaram até 5°C abaixo da média, com geadas em algumas regiões. Na última semana, esse quadro se inverteu: as temperaturas subiram até 7°C acima da normalidade, principalmente no Sul, o que reduz o risco de novos episódios de geada.

Em contrapartida, o calor combinado à alta umidade do solo favorece a proliferação de doenças, sobretudo nas áreas que registraram excesso de chuvas.

RS tem maior volume de chuva em 10 anos, diz especialista

“No Rio Grande do Sul, a precipitação acumulada desde o início de julho atingiu o maior nível dos últimos 10 anos e deve permanecer elevada até o fim do mês. Apesar de um início mais seco, as chuvas intensas das últimas semanas mudaram o cenário. O excesso de chuvas tende a reduzir a radiação solar devido ao aumento da cobertura de nuvens. E pode favorecer a ocorrência de doenças, elevando o risco para as lavouras de trigo”, afirma Felippe Reis, analista de cultura da EarthDaily.

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trigo
Foto: Arquivo Agro em Campo

O índice de vegetação (NDVI) ainda indica condições favoráveis para as lavouras no estado, com valores superiores aos do ciclo anterior, quando a produtividade superou a tendência histórica. Contudo, a persistência do padrão úmido nos estádios finais da cultura pode comprometer o potencial produtivo e a qualidade dos grãos. Portanto, repetindo o que ocorreu em 2023.

Paraná mantém boas condições, mas norte do estado preocupa

No Paraná, o desenvolvimento do trigo segue favorável. Na maior parte do território, a precipitação acumulada nos últimos 30 dias superou tanto a média histórica quanto os volumes registrados nos últimos três anos, garantindo boa disponibilidade hídrica para a cultura.

A exceção fica por conta do norte paranaense, onde os acumulados de chuva foram menores. Caso esse cenário de baixa precipitação persista nas próximas semanas, a região pode enfrentar redução da umidade do solo e aumento do risco de estresse hídrico.

Chuvas reduzem ritmo da colheita da cana-de-açúcar no Sul

Depois de cerca de 20 dias de tempo seco, a região Sul da zona canavieira, que reúne Paraná e Mato Grosso do Sul, voltou a registrar chuvas expressivas, com acumulados superiores a 20 milímetros nos últimos dias. O volume de precipitação reduziu o ritmo das operações de campo e chegou a interromper temporariamente a colheita em algumas áreas. A EarthDaily prevê normalização das atividades no início da próxima semana.

Apesar da pausa momentânea, as lavouras de cana mantêm boas condições gerais. Na média, o NDVI aponta desenvolvimento satisfatório dos canaviais, com potencial produtivo semelhante ou até superior ao da safra passada.

Modelos climáticos preveem novas chuvas fortes no Sul

Os modelos ECMWF e GFS indicam continuidade das chuvas no Sul do país, com acumulados que devem superar 100 milímetros em parte do Rio Grande do Sul. O GFS projeta um cenário ainda mais chuvoso, com precipitações significativamente superiores às estimadas pelo ECMWF em algumas áreas da região.

Os dois modelos também apontam temperaturas acima da média, o que reduz o risco de novas geadas no curto prazo e favorece tanto o desenvolvimento das lavouras quanto o avanço das operações de campo.

A umidade do solo deve permanecer acima da média na maior parte das regiões produtoras de trigo, mantendo condições hídricas favoráveis à cultura. Em contrapartida, essa mesma umidade elevada continuará aumentando o risco de doenças nas lavouras de trigo do país.