Resumo da notícia
- A fundação Healthy Seas registrou o primeiro encontro documentado de um tubarão-branco adulto em seu habitat natural no Mar Mediterrâneo, entre Sicília e Tunísia, durante operação de remoção de redes de pesca abandonadas.
- Redes de pesca abandonadas, conhecidas como "redes fantasmas", ameaçam a fauna marinha ao capturar animais mesmo após serem descartadas, sendo um dos principais focos da operação para preservar espécies ameaçadas.
- A missão também coletou amostras de DNA ambiental para monitorar a biodiversidade local, visando ampliar o conhecimento sobre tubarões-brancos e reforçar a importância da conservação marinha contra impactos humanos.
Uma operação voltada à remoção de redes de pesca abandonadas resultou em um encontro considerado histórico no Mar Mediterrâneo.
Na última segunda-feira (8), a fundação Healthy Seas divulgou imagens que podem representar o primeiro registro de um tubarão-branco adulto em seu habitat natural na região localizada entre a Sicília e a Tunísia.
Conservação e monitoramento marinho
Embora os tubarões-brancos sejam conhecidos por frequentarem áreas superficiais, encontros com mergulhadores são extremamente raros. A operação contou com a participação de voluntários especializados na remoção de resíduos submersos, além da colaboração da Society for Documentation of Submerged Sites (SDSS).
Segundo as entidades envolvidas, as chamadas redes fantasmas representam uma das principais ameaças à fauna marinha local. Esses materiais continuam capturando animais mesmo após serem abandonados no oceano.

Além disso, mergulhos anteriores já haviam identificado tartarugas-cabeçudas ameaçadas de extinção e grandes espécies de peixes presos aos equipamentos descartados.
Desta vez, no entanto, o destaque ficou para a aparição do tubarão, observado nadando livremente a cerca de 40 metros de profundidade.
“Estatisticamente, é muito mais provável ganhar na loteria do que encontrar um animal tão icônico debaixo d’água. Você passa décadas mergulhando em naufrágios e removendo redes fantasmas, mas nada te prepara para um momento como esse”, relatou Remmers.
Trabalho continuou após encontro inesperado
Apesar da surpresa causada pela presença do predador, a equipe manteve o cronograma previsto para a missão.
“Foi insano, mas mesmo assim prosseguimos com nosso plano de mergulho para remover as redes do naufrágio, pois esse momento mostrou claramente a importância do nosso trabalho”, acrescentou o mergulhador.
Segundo os participantes, o episódio reforça os impactos causados pela pesca predatória e pelo descarte inadequado de equipamentoos.
Espécies ameaçadas
A missão também teve como objetivo coletar amostras de DNA ambiental (eDNA) e realizar atividades de monitoramento da biodiversidade marinha.
Dessa forma, os pesquisadores esperam obter novas informações sobre as espécies que habitam a região. No caso dos tubarões-brancos, boa parte do conhecimento disponível ainda provém de exemplares mortos capturados por atividades pesqueiras.
“Observações como essa são extremamente valiosas para melhorar a nossa compreensão da distribuição, dos hábitos e do comportamento dessa espécie criticamente ameaçada, cuja sobrevivência está em risco devido às atividades humanas”, afirmou Carlo Cattano, especialista do Centro Marinho da Sicília da Estação Zoológica Anton Dohrn.

Preservação dos oceanos
Para Veronika Mikos, diretora da Healthy Seas, o significado do avistamento vai muito além da raridade da espécie.
“O que torna esse encontro tão impactante não é apenas o animal em si, mas o contexto. Estávamos lá para remover redes que aprisionavam a vida marinha em um ecossistema de naufrágio. Momentos como esse nos lembram quanta vida ainda pode existir nas águas costeiras do Mediterrâneo e como é importante protegê-la de ameaças evitáveis”, concluiu.









