Governo alerta população para consumo consciente e evita colapso
Lições da crise de 2014-15 voltam a preocupar o setor agropecuário (Foto: Reprodução/Semil)

Os reservatórios que abastecem a Grande São Paulo registram queda alarmante nos níveis. O volume útil dos sistemas chegou a 55,3% do ideal nesta semana de abril de 2026. Assim, a seca persistente, agravada pelo calor intenso e aumento no consumo de água, gera pressão extra sobre produtores rurais, indústrias e a população da região metropolitana.

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Níveis críticos nos mananciais

O Sistema Cantareira, essencial para cerca de 9 milhões de habitantes, continua como o mais preocupante, com apenas 43,1% de sua capacidade. Portanto, chuvas irregulares de março não conseguiram reverter a tendência de queda, mesmo com alguma melhora em fevereiro. Além disso, a Sabesp mantém restrições noturnas na pressão da água desde agosto do ano passado, o que já economizou 103 bilhões de litros até o momento.

Represa Jaguari-Jacareí, que compõe o sistema Cantareira, com apenas 45,8% de sua capacidade máxima.
(Foto: Reprodução/Danilo Verpa)

Por outro lado, o Sistema Integrado Metropolitano como um todo soma esses 55,3%, operando na faixa 2 de contingência. Assim, níveis abaixo de 57,23% ativam protocolos de alerta automático. No Alto Tietê, por exemplo, os reservatórios giram em torno de 53%, enquanto Guarapiranga e Rio Grande apresentam melhora relativa, embora ainda insuficiente.
A situação exige monitoramento diário para evitar agravamento, especialmente com o consumo disparando até 60% em picos de calor.

Impacto direto no agronegócio paulista

Produtores de hortaliças, frutas e cultivos irrigados na Grande SP já sentem os efeitos da estiagem prolongada. Afinal, essa seca figura entre as piores dos últimos dez anos e compromete plantações periurbanas com frequência crescente. Indústrias agroindustriais, por sua vez, enfrentam racionamento indireto que eleva custos operacionais de forma significativa.

O governo estadual alerta para o consumo consciente da população a fim de evitar perdas maiores na rede e no abastecimento geral. Sem adesão ampla, perdas por vazamentos e mau uso podem acelerar o colapso dos mananciais, como ocorreu em crises passadas. Para o setor agropecuário, portanto, os riscos se multiplicam: safras reduzidas demandam mais bombeamento de água, encarecendo a produção em um momento delicado para o mercado paulista.

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Plano de contingência ganha reforço

Medidas como a diminuição de pressão por 8 horas noturnas seguem ativas em diversos municípios da região. Além disso, o Ministério do Desenvolvimento Regional monitora transposições entre bacias para decisões técnicas rápidas e eficazes. Historicamente, os reservatórios já caíram abaixo de 20% no início do ano, com recuperação parcial graças a chuvas esporádicas em março.

No entanto, as chuvas de outono agora se tornam cruciais para qualquer alívio real e sustentável. A Arsesp, por exemplo, só avalia afrouxar restrições após 14 dias de estabilidade nos níveis. Assim, a Sabesp intensifica campanhas de uso racional, recomendando banhos rápidos e evitando desperdícios em piscinas ou lavagens. Para o público do agroemcampo, fica o questionamento: esses volumes baixos, pressionados por calor e estiagem, prenunciam o retorno da crise hídrica de 2014-15?