Resumo da notícia
- A inteligência artificial no mercado de pescado melhora a conservação, aumenta a eficiência da cadeia produtiva e fortalece a sustentabilidade da pesca e aquicultura.
- No Seafood Show Latin America 2026, especialistas destacaram o uso da IA e monitoramento ambiental para integrar tecnologia e conservação dos recursos pesqueiros.
- Embalagens inteligentes ampliam a rastreabilidade dos produtos, conectando produção e consumidor, além de garantir segurança e qualidade ao longo da cadeia produtiva.
A inteligência artificial no mercado de pescado abre novas possibilidades para melhorar a conservação dos produtos, aumentar a eficiência da cadeia produtiva e fortalecer a sustentabilidade da pesca e da aquicultura. Além disso, ferramentas como o monitoramento ambiental, as embalagens inteligentes e os QR Codes podem ampliar a rastreabilidade e facilitar o acesso dos consumidores às informações sobre os alimentos.
Esses temas ganharam destaque na Seafood Show Latin America 2026, realizada no Distrito Anhembi, em São Paulo. Durante os debates do Seafood Talk Show, especialistas da pesquisa, da indústria e do setor produtivo discutiram como a inovação tecnológica pode contribuir para enfrentar desafios relacionados à conservação do pescado, à gestão dos recursos pesqueiros e ao acesso ao mercado.
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Inteligência artificial e conservação do pescado
No painel “Da IA à conservação inteligente”, os participantes destacaram a importância de integrar inteligência artificial, monitoramento ambiental e gestão sustentável dos recursos pesqueiros. O objetivo é ampliar o uso da tecnologia sem comprometer a conservação dos produtos e dos ecossistemas aquáticos.
Leandro Kanamaru, pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura, ressaltou que o setor precisa tornar essas ferramentas mais acessíveis e eficientes. Além disso, ele chamou a atenção para a necessidade de acompanhar todas as etapas da cadeia produtiva.
“O desafio será ampliar o uso dessas ferramentas de forma acessível e eficiente, garantindo que os ganhos de produtividade caminhem junto com a conservação do pescado. Para isso, há necessidade de um olhar para a cadeia do frio desde a pesca até o consumidor final, segundo Leandro Kanamaru, pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura. “Nós, da Embrapa, entendemos a importância de reunir o setor produtivo, o mercado e a universidade para juntos buscarmos soluções para as diferentes realidades do setor”.
Nesse contexto, a cadeia do frio desempenha um papel fundamental para preservar a qualidade do pescado durante o armazenamento, o transporte e a comercialização. O controle adequado da temperatura ajuda a conservar as características do produto e a reduzir os riscos de deterioração.
Por isso, a incorporação de novas tecnologias precisa considerar as condições de cada segmento, desde a pesca artesanal até a produção aquícola e a distribuição comercial.
Embalagens inteligentes ampliam a rastreabilidade
Além da inteligência artificial, as embalagens inteligentes podem contribuir para a conservação, a segurança e o acompanhamento dos produtos ao longo da cadeia produtiva.
Antonio Cabral, coordenador da Pós-Graduação em Engenharia de Embalagem do Instituto Mauá de Tecnologia, destacou que a embalagem vai além da apresentação comercial. Ela também pode reunir informações e conectar diferentes etapas, da produção ao consumidor.
“É o grande coletor de informações. É um sistema que vai da produção ao consumidor e volta para a produção. Um exemplo da tecnologia em embalagem são os QR Codes, onde o consumidor pode aproximar seu celular e receber todos os dados dos produtos dentro da embalagem”.
Com os QR Codes, o consumidor pode acessar informações digitais por meio do celular. Conforme os dados disponibilizados pela empresa, esse recurso pode facilitar a consulta à procedência e a outras características do pescado.
Além disso, a integração das informações pode ajudar as empresas a acompanhar os produtos e melhorar a comunicação com os compradores. Para alcançar esses benefícios, entretanto, o setor precisa manter dados confiáveis e atualizados.
Conectividade impulsiona a transformação digital
A modernização da cadeia produtiva também depende da comunicação entre máquinas, equipamentos e sistemas. Nesse sentido, Anita Dedding, gerente divisional de Tecnologia e Inovação e secretária executiva da Abimaq, destacou a capacidade da indústria brasileira de acompanhar os avanços tecnológicos internacionais.
Apesar disso, a grande variedade de soluções disponíveis exige que as empresas identifiquem quais ferramentas atendem às suas necessidades reais.
“A palavra-chave é conectividade”, afirma ela, defendendo que é preciso comunicação e alinhamento entre as máquinas e equipamentos já instalados que podem agregar modernidade e inovações dentro do conceito de transformação digital. A transição, entretanto, requer profissionais integradores das diferentes tecnologias.
Dessa forma, a conectividade industrial pode facilitar a integração de equipamentos já instalados e ampliar as possibilidades de modernização das operações. Ao mesmo tempo, as empresas precisam contar com profissionais preparados para integrar as diferentes soluções tecnológicas.
Assim, antes de investir em novas ferramentas, o setor precisa identificar seus principais desafios operacionais e avaliar quais recursos podem melhorar a eficiência da produção.
Sustentabilidade coloca o pescado no centro da economia azul
Além da transformação digital, a sustentabilidade dos recursos marinhos e o acesso aos mercados também estiveram entre os assuntos debatidos no evento.
No painel “O Pescado no Centro da Economia Azul: sustentabilidade, financiamento e acesso a mercados”, Cíntia Miyaji, diretora-executiva da Paiche Consultoria, especializada na cadeia do pescado, alertou para os riscos relacionados à falta de gestão sustentável dos estoques oceânicos.
A especialista destacou a necessidade de ampliar a coleta de estatísticas para melhorar o planejamento e o controle da atividade pesqueira. Essas informações podem ajudar a orientar decisões sobre o número de embarcações, a concessão de licenças e os períodos adequados para a pesca.
Segundo o debate apresentado no evento, o monitoramento pesqueiro voltou a ganhar espaço, enquanto iniciativas de planejamento espacial marítimo e o reconhecimento da pesca artesanal também aparecem entre os avanços mencionados.
Os participantes citaram ainda a criação do programa Pro-Estoques, anunciada por meio de uma portaria do governo federal em 21 de outubro de 2026. A iniciativa foi apresentada como uma perspectiva positiva para a gestão dos estoques pesqueiros. Antes da publicação, porém, é necessário confirmar o ato oficial e seus objetivos em fonte primária.
Preço e disponibilidade influenciam o consumo
Ampliar o consumo de pescado no Brasil também representa um desafio para a cadeia produtiva. Dariane Schoffen, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), afirmou durante o debate que o consumo cresce de forma tímida e que o setor precisa melhorar a competitividade dos produtos.
Segundo a especialista, preços mais competitivos podem incentivar os consumidores a incluir o pescado na alimentação com maior frequência, inclusive em substituição a outras proteínas, como frango e carne suína.
Além do preço, a disponibilidade de pescado influencia as escolhas dos consumidores. Por isso, o setor precisa considerar os desafios de produção, conservação, transporte e distribuição.
Nesse cenário, melhorar a eficiência da cadeia produtiva pode ajudar a reduzir perdas e facilitar a chegada dos produtos aos pontos de venda. Consequentemente, ampliar a oferta e tornar o pescado mais acessível pode favorecer o consumo.
Financiamento e acesso ao mercado desafiam a pesca artesanal
O acesso ao crédito e às políticas públicas também representa um ponto importante para o desenvolvimento da atividade pesqueira. Sarah de Oliveira, da Lex Experts, destacou as dificuldades para encontrar pescado em estabelecimentos comerciais de diferentes regiões.
“Hoje, no Brasil, enfrentamos grande dificuldade de encontrá-lo com facilidade nos açougues, mercadinhos dos bairros e nas periferias,. “Isso reflete bastante a tradição da forma de consumo desse pescado”, diagnosticou Oliveira. Ela defende que “todos os diferentes setores que utilizam os recursos marinhos precisam ter acesso a políticas públicas e a financiamento de maneira equitativa, participando com justiça do domínio dessa economia”, afirma, acreditando que há uma boa estrutura de políticas públicas, mas precisamos repensar a forma de acesso a elas.
A discussão evidencia que a ampliação do mercado depende não apenas da produção, mas também da distribuição e das condições de acesso aos produtos. Nesse sentido, facilitar a comercialização pode contribuir para aproximar os pescadores dos consumidores e ampliar a presença do pescado nos mercados locais.
Além disso, o acesso mais equitativo ao financiamento e às políticas públicas pode ajudar diferentes segmentos da atividade pesqueira a participar das oportunidades econômicas ligadas ao uso sustentável dos recursos marinhos.
Tecnologia e sustentabilidade precisam caminhar juntas
Os debates da Seafood Show Latin America 2026 destacaram diferentes caminhos para fortalecer o mercado de pescado. De um lado, a inteligência artificial, as embalagens inteligentes e a conectividade oferecem oportunidades para aprimorar a gestão, a conservação e o acompanhamento dos produtos.
De outro, a sustentabilidade dos recursos pesqueiros, o acesso ao financiamento e a melhoria da distribuição continuam fundamentais para o desenvolvimento do setor.
Portanto, o avanço tecnológico precisa caminhar junto com a preservação ambiental e com medidas que considerem as necessidades dos diferentes participantes da cadeia produtiva. Dessa maneira, a integração entre pesquisa, indústria, pescadores e mercado pode contribuir para melhorar a conservação do pescado, reduzir perdas e ampliar o acesso dos consumidores a esses alimentos.


