Mantikir Summit Premium alcançou o 11º lugar entre os cem melhores do mundo; é a terceira participação consecutiva da Vinícola Essenza no ranking internacional
azeite premiado
Foto: Régis Silva/Divulgação

A Vinícola Essenza colocou dois azeites entre os cem melhores do mundo no Evooleum Awards 2026, principal guia espanhol do setor de azeite. O resultado saiu nesta sexta-feira (24), após avaliação realizada nos dias 20 e 21 de março, em Córdoba, na Espanha.

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Olival mais alto do mundo, situado a 1.910 metros de altitude, na Fazenda Tuiuva, em Maria da Fé (MG). Foto: Régis Silva/Divulgação

O Mantikir Summit Premium levou o título de melhor azeite do Brasil pelo segundo ano consecutivo e chegou ao 11º lugar no Top 100 da categoria de produção em larga escala, com 93 pontos e acidez de 0,12%. O monovarietal Mantikir Grappolo Epamig estreou diretamente no Top 20 da categoria de produção limitada (até 2.500 litros), com 92 pontos e acidez de 0,07%. É a terceira presença seguida da vinícola na lista internacional.

Os dois rótulos saem de um olival localizado na Fazenda Tuiuva, em Maria da Fé (MG), considerado o olival mais alto do mundo em produção, com mais de seis mil plantas distribuídas entre 1.700 e 1.910 metros de altitude na Serra da Mantiqueira.

Para o proprietário Herbert Sales, o resultado vai além de uma conquista pontual. “A presença no ranking pelo terceiro ano consecutivo, somada à segunda distinção seguida como melhor azeite do Brasil, indica que existe um padrão técnico sendo mantido. O terroir da Serra da Mantiqueira, com altitude elevada, amplitude térmica e controle no manejo, influencia diretamente o desenvolvimento das azeitonas e contribui para a formação de perfis que respondem bem aos critérios de avaliação internacional”, afirma.

Cultivar brasileira estreia no ranking mundial

O Mantikir Grappolo chega pela primeira vez ao Evooleum com origem em uma variedade desenvolvida no Brasil. A cultivar Grappolo 541 nasceu de pesquisas da EPAMIG (Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais), a partir de material genético italiano adaptado às condições da Serra da Mantiqueira. Registrada no Ministério da Agricultura como MGS GRAP541, a variedade integra o portfólio de cultivares protegidas pela instituição, que realizou a primeira extração de azeite extravirgem do Brasil em 2008.

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Herbert Sales, produtor do azeite Mantikir com a Serra da Mantiquiera ao fundo, a 1.900 m de altitude. Foto: Régis Silva/Divulgação

“A Grappolo representa um avanço na adaptação da olivicultura ao Brasil. A cultivar desenvolvida pela EPAMIG já conquistou o Olio Nuovo Days, em Paris, e recebeu o título de melhor azeite do Brasil na Escola Superior do Azeite de Oliva da Espanha no ano passado, o que reforça a consistência do material adaptado à Serra da Mantiqueira”, diz Herbert Sales.

A 11ª edição do guia reuniu 25 provadores internacionais que analisaram quase mil amostras de mais de vinte países, incluindo Espanha, Itália, Portugal, Croácia, Turquia, Grécia, Marrocos, França, África do Sul e, pela primeira vez, a Jordânia. A lista final contemplou azeites de 11 países. A Espanha domina com 68 posições, seguida pela Itália (15) e Portugal (4). O Brasil aparece com três azeites, empatado com a Croácia.

Trajetória de recordes

O desempenho de 2026 consolida uma sequência incomum para um produtor do hemisfério sul em avaliações dominadas por países mediterrâneos. Em 2025, o azeite Mantikir Summit Premium já havia conquistado 93 pontos e a posição de melhor azeite do Brasil, sendo o único representante das Américas na lista. Em 2024, o mesmo rótulo foi ainda mais longe: liderou o ranking mundial na categoria de produção limitada até 2.500 litros. Foi a primeira vez que um azeite brasileiro chegou ao primeiro lugar do guia, à frente de produtores da Europa e do Oriente Médio.

A altitude da Serra da Mantiqueira impõe desafios técnicos a cada safra. Temperatura, regime de chuvas e tempo de maturação das azeitonas variam de ano para ano. E exigem ajustes constantes no manejo e na extração para manter acidez, estabilidade e perfil sensorial dentro dos padrões esperados.

“O desafio está em transformar variáveis naturais em consistência de produto. Cada safra apresenta condições diferentes e exige ajustes no manejo e na extração para manter parâmetros técnicos dentro do esperado”, conclui Herbert Sales.