Projeto regional incentiva plantação da manduvi, árvore essencial para alimentação e reprodução da espécie
Foto: Mario Barila/Projeto Água Vida

A arara-azul voltou à lista nacional de espécies ameaçadas de extinção em junho deste ano. O novo status reforça o alerta para a conservação da ave e, principalmente, para a recuperação das árvores das quais ela depende para se alimentar e se reproduzir no Pantanal.

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Entre os dias 24 e 28 de agosto, o fotógrafo e ambientalista Mario Barila, fundador do Projeto Água Vida, participa de uma nova etapa de plantio na região. A iniciativa dá continuidade ao trabalho iniciado com a criação do primeiro Bosque das Araras, em Bonito (MS), em outubro de 2025.

Desta vez, voluntários irão plantar 50 mudas na Fazenda Caiman, em uma ação organizada pelo Instituto Arara Azul, com apoio do Projeto Água Vida e de outros parceiros. A entrega das mudas está prevista para 26 de agosto, a partir das 7h, com a participação de Barila.

Foto: Mario Barila/Projeto Água Vida

Entre as espécies escolhidas estão árvores frutíferas e silvestres importantes para a fauna pantaneira. Uma delas, porém, ocupa papel central na conservação da arara-azul: o manduvi, também conhecido como amendoim-de-bugre ou amendoim-de-arara.

A árvore desenvolve cavidades naturais em seu tronco que são utilizadas pelas araras-azuis para construir seus ninhos. A redução da presença do manduvi no Pantanal, especialmente em áreas atingidas pelo fogo, ameaça diretamente a disponibilidade desses locais de reprodução.

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“O manduvi é fundamental para a preservação da ave. Porém, a quantidade de árvores dessa espécie vem diminuindo com as queimadas e é importante recuperar esse número”, afirma Mario Barila.

Viveiro parceiro fornece mudas para plantio no Pantanal

As 50 mudas serão doadas pelo Projeto Água Vida e fornecidas pela viveirista Élida Aivi, por meio da Chácara Boa Vida, parceira de longa data da iniciativa. O viveiro mantém uma área destinada à produção de espécies que oferecem alimento e abrigo para as araras, estruturada a partir de insumos anteriormente doados pelo projeto.

O plantio será realizado próximo à Base de Pesquisas do Instituto Arara Azul, que mantém parceria com a Fazenda Caiman desde 1998. Ao longo das últimas décadas, a região se consolidou como um importante centro reprodutivo da arara-azul em ambiente natural.

Esta será a terceira parceria entre Mario Barila e o Instituto Arara Azul.

Os incêndios recorrentes no Pantanal e os efeitos das mudanças climáticas estão entre as ameaças enfrentadas pela espécie. Além de depender do manduvi para a reprodução, a arara-azul tem uma alimentação fortemente ligada aos frutos de palmeiras como acuri e bocaiuva.

“Com os incêndios recorrentes no Pantanal e os impactos das mudanças climáticas, a arara-azul e seu habitat vêm enfrentando novos desafios. A espécie depende de poucas árvores para fazer seus ninhos, especialmente o manduvi. Também, por ter uma alimentação que depende especialmente de dois frutos, do Acuri e da Bocaiuva. A doação de mudas pelo Projeto Água Vida fortalece esse trabalho de recuperação do ambiente e a formação do Bosque das Araras”, afirma Eliza Mense, diretora-executiva do Instituto Arara Azul.

Plantio também chegará ao território indígena Kadiwéu

A iniciativa não ficará restrita à Fazenda Caiman. Nos dias 27 e 28 de agosto, durante a mesma viagem, Barila seguirá para a Aldeia Tomázia, localizada no território indígena do povo Kadiwéu, no Pantanal.

Conhecidos historicamente como “índios cavaleiros do Pantanal”, os Kadiwéu mantêm uma forte relação cultural com os cavalos. Durante a visita, além do plantio de manduvis e árvores frutíferas pantaneiras, Barila realizará um ensaio fotográfico com indígenas e seus cavalos caracterizados com as tradicionais pinturas de festa.

O plantio também pretende gerar benefícios diretos para a comunidade. As árvores frutíferas poderão fornecer alimentos, enquanto os manduvis contribuirão para a recuperação da vegetação utilizada pela fauna da região.

As fotografias produzidas durante a passagem pela aldeia serão incorporadas ao acervo do Projeto Água Vida, que comercializa imagens para ajudar a financiar ações socioambientais em diferentes biomas brasileiros.

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Recuperação de árvores ajuda a proteger a arara-azul

A criação de novos Bosques das Araras busca recuperar pontos importantes para alimentação, abrigo e reprodução da fauna. No caso da arara-azul, a disponibilidade de determinadas espécies vegetais é especialmente importante para sua sobrevivência.

Por isso, o plantio de árvores como o manduvi, acuri e bocaiuva pode contribuir para reconstruir partes do habitat afetadas por incêndios e outras alterações ambientais no Pantanal.

Para Barila, recuperar essas áreas vai além da proteção de uma única espécie e pode beneficiar todo o ecossistema pantaneiro.

“Cada árvore plantada é também uma oportunidade de devolver à fauna um pouco do espaço que ela perdeu. Quando se trata da arara-azul, recuperar as árvores que oferecem alimento e locais para seus ninhos é ajudar a preservar todo um ecossistema”, afirma.