Produção nacional recua e Brasil deve importar mais trigo em meio a guerra no Mar Negro e El Niño forte
Foto: Divulgação.

A quebra na safra de trigo deve elevar as importações do cereal no Brasil. O movimento tende a pressionar os custos da indústria e também os preços de pão, massa e biscoito nas prateleiras.

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A produção nacional caiu 26% nesta temporada. Segundo a Conab, o volume total ficou em 5,8 milhões de toneladas.

Diante do resultado, o Sindicato da Indústria do Trigo de São Paulo (Sindustrigo) alerta para o aumento das importações. A entidade também vê pressão maior sobre os preços da matéria-prima.

“Temos uma combinação de fatores que exige atenção de toda a cadeia do trigo”, diz o presidente do Sindustrigo, Max Piermartiri. Para ele, a queda na produção nacional coincide com instabilidade no mercado internacional, o que afeta preços, logística e disponibilidade do cereal.

Área plantada também encolhe

A área cultivada com trigo recuou 20,4% nesta safra. O total chegou a 1,92 milhão de hectares, o menor patamar dos últimos anos no país.

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O dado reforça a retração já apontada pela Conab na produção total do cereal. Menos área plantada, somada à queda de produtividade, explica o resultado da safra.

Guerra e clima pressionam oferta global

No mercado externo, o conflito no Mar Negro segue afetando a logística do trigo. A região é uma das principais fornecedoras globais do grão.

As condições ligadas ao El Niño ampliam ainda mais a instabilidade da oferta mundial. A consultoria StoneX projeta o fenômeno como um dos mais fortes já registrados.

Chuva compromete qualidade na Argentina

O excesso de chuvas no Sul da América do Sul também preocupa a cadeia produtiva. Na Argentina, principal fornecedora de trigo ao Brasil, produtores já relatam queda na qualidade dos grãos.

O USDA projeta redução de 19% nas exportações argentinas por causa do problema. A perspectiva reduz ainda mais as opções de fornecimento para compradores brasileiros.

Lavouras brasileiras sofrem com as chuvas

No Paraná, as primeiras colheitas já mostram sinais de doenças ligadas ao excesso de chuva. No Rio Grande do Sul, as lavouras ainda não chegaram à fase final do ciclo, mas as precipitações já prejudicam o desenvolvimento das plantas.

Para Piermartiri, o risco não está apenas no volume colhido. A qualidade do trigo que chegará à indústria também preocupa, segundo ele, e pode levar compradores a buscar fornecedores em mercados mais distantes, o que eleva o custo de aquisição.

Importações devem crescer para suprir demanda

O consumo brasileiro de trigo ultrapassa 13 milhões de toneladas por ano. Com a quebra da safra nacional, o país deve recorrer mais às importações para suprir essa demanda.

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Piermartiri destaca que o dólar valorizado e os preços internacionais em alta ampliam a pressão sobre os custos de toda a cadeia produtiva. A combinação de fatores internos e externos, segundo ele, torna o cenário mais desafiador para o setor.

Consumidor pode sentir alta nos preços

As cotações do trigo no Brasil acompanham a volatilidade das bolsas de Chicago e Kansas, referências do mercado internacional. Com menor oferta doméstica e maior dependência de importações, o custo da matéria-prima ganha peso para a indústria moageira.

O cenário pode se refletir nos preços de pão, macarrão e biscoito ao consumidor final nos próximos meses.