Pesquisa de dois anos acompanhou 13 espécies e mostrou que abelhas e beija-flores são decisivos para o sucesso reprodutivo
Espécie de beija-flor visita uma planta canela-de-ema / Crédito: CBioClima/Unesp

Plantas resistentes ao fogo, à seca e aos solos pobres dos campos rupestres não sobrevivem sem polinizadores. É o que mostra um estudo sobre as canelas-de-ema, espécies do gênero Vellozia encontradas na Serra do Cipó, em Minas Gerais.

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A região abriga mais de 1.500 espécies de plantas. Entre elas, as canelas-de-ema se destacam pela capacidade de suportar condições extremas de altitude e temperatura. Ainda assim, dependem de beija-flores e abelhas para completar seu ciclo reprodutivo.

Como foi o estudo

Pesquisadores da Unesp, da UFMG e da Universidade Nacional de Córdoba acompanharam 13 espécies de canela-de-ema na Serra do Cipó e na Reserva Vellozia. O trabalho durou dois anos.

A equipe analisou a floração das plantas e comparou flores expostas a polinizadores com flores protegidas deles. Também avaliou a formação de frutos, sementes e plântulas. Câmeras registraram as visitas de beija-flores e abelhas às flores.

Sem polinizador, sem semente

Sete das 11 espécies analisadas não produziram frutos nem sementes quando ficaram sem a visita de polinizadores. Isso reforça a dependência reprodutiva dessas plantas em relação aos animais.

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Mesmo nos casos em que houve formação de frutos, parte das sementes surgiu fraca ou incapaz de germinar. Já as flores visitadas por beija-flores e abelhas geraram frutos e sementes mais vigorosos, segundo os pesquisadores.

Conservação passa por proteger os polinizadores

As canelas-de-ema vivem em áreas restritas dos campos rupestres e enfrentam riscos como incêndios e mudanças no uso do solo. Essas ameaças afetam diretamente a sobrevivência da espécie.

Para os pesquisadores, proteger os campos rupestres não basta. É preciso também garantir a presença de beija-flores e abelhas, fundamentais para a reprodução dessas plantas endêmicas do Cerrado.