Resumo da notícia
- Plantas resistentes ao fogo e à seca dos campos rupestres da Serra do Cipó dependem de beija-flores e abelhas para se reproduzirem, segundo estudo com canelas-de-ema.
- Pesquisa de duas anos mostrou que sem polinizadores, 7 das 11 espécies de canelas-de-ema não produzem frutos nem sementes viáveis.
- Conservação dessas plantas exige proteger não só os campos rupestres, mas também os polinizadores essenciais para sua reprodução.
Plantas resistentes ao fogo, à seca e aos solos pobres dos campos rupestres não sobrevivem sem polinizadores. É o que mostra um estudo sobre as canelas-de-ema, espécies do gênero Vellozia encontradas na Serra do Cipó, em Minas Gerais.
A região abriga mais de 1.500 espécies de plantas. Entre elas, as canelas-de-ema se destacam pela capacidade de suportar condições extremas de altitude e temperatura. Ainda assim, dependem de beija-flores e abelhas para completar seu ciclo reprodutivo.
Como foi o estudo
Pesquisadores da Unesp, da UFMG e da Universidade Nacional de Córdoba acompanharam 13 espécies de canela-de-ema na Serra do Cipó e na Reserva Vellozia. O trabalho durou dois anos.
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A equipe analisou a floração das plantas e comparou flores expostas a polinizadores com flores protegidas deles. Também avaliou a formação de frutos, sementes e plântulas. Câmeras registraram as visitas de beija-flores e abelhas às flores.
Sem polinizador, sem semente
Sete das 11 espécies analisadas não produziram frutos nem sementes quando ficaram sem a visita de polinizadores. Isso reforça a dependência reprodutiva dessas plantas em relação aos animais.
Mesmo nos casos em que houve formação de frutos, parte das sementes surgiu fraca ou incapaz de germinar. Já as flores visitadas por beija-flores e abelhas geraram frutos e sementes mais vigorosos, segundo os pesquisadores.
Conservação passa por proteger os polinizadores
As canelas-de-ema vivem em áreas restritas dos campos rupestres e enfrentam riscos como incêndios e mudanças no uso do solo. Essas ameaças afetam diretamente a sobrevivência da espécie.
Para os pesquisadores, proteger os campos rupestres não basta. É preciso também garantir a presença de beija-flores e abelhas, fundamentais para a reprodução dessas plantas endêmicas do Cerrado.