Resumo da notícia
- Robô desenvolvido pela Sami Robotics colhe alface sozinho usando câmeras 3D para identificar plantas maduras, cortar e transportar a produção, substituindo uma equipe de 25 pessoas.
- A máquina foi testada em plantações na Califórnia, com participação de quase 300 especialistas, mas ainda é um modelo pré-comercial que precisa evoluir para uso em larga escala.
- A automação agrícola avança devido à escassez de trabalhadores e altos custos, com produtores buscando tecnologia para suprir a falta de mão de obra nas colheitas de hortaliças.
Uma tarefa que exige uma equipe de 25 pessoas pode começar a ser feita por uma máquina e apenas um operador. Um robô apresentado em uma plantação na Califórnia, nos Estados Unidos, consegue identificar alfaces maduras e realizar a colheita praticamente sozinho.
A máquina foi desenvolvida pela Sami Robotics, empresa canadense especializada em automação agrícola. Recentemente, o equipamento chamou atenção durante uma demonstração realizada nos campos da Sabór Farms, perto de San Juan Bautista.
- Brasil já tem 215 mil veterinários; agro impulsiona profissão
- Javalis avançam sobre lavouras: Faesp reúne especialistas para frear prejuízos no agro
Ao todo, quase 300 produtores, consultores agrícolas, fabricantes de equipamentos e pesquisadores acompanharam os testes, segundo o Ag Alert, publicação da California Farm Bureau.
Por enquanto, o robô ainda é um modelo pré-comercial. Portanto, a tecnologia precisa avançar antes de chegar em larga escala às fazendas.
Câmeras escolhem qual alface colher
O sistema utiliza câmeras 3D para analisar a plantação e selecionar apenas as cabeças maduras e consideradas de boa qualidade.
Depois, dedos de borracha seguram a parte superior da alface, enquanto uma faca corta o caule por baixo. Em seguida, a própria máquina coloca o produto em uma esteira, de onde pode seguir para um recipiente ou para uma equipe de embalagem.
Dessa forma, o equipamento tenta reproduzir uma sequência de decisões e movimentos que ainda depende fortemente do trabalho humano.
A Sami Robotics começou a desenvolver a tecnologia há cerca de três anos. Desde então, a empresa decidiu testar o equipamento diretamente com produtores da Califórnia.
Segundo Pascal Labrecque, CEO da empresa, o contato com quem trabalha no campo foi fundamental para desenvolver a máquina.
“Sem informação e retorno dos produtores, você nunca vai entender qual tecnologia o agro realmente precisa”, afirmou Labrecque ao Ag Alert. “Você só aprende trabalhando com os produtores e colocando uma máquina no campo.”
Além disso, o equipamento já foi testado com brócolis e alface-romana. Agora, o próximo passo será adaptar a tecnologia para a alface-americana.
Falta de trabalhadores acelera automação

A busca por máquinas capazes de colher hortaliças tem uma razão econômica.
Culturas como alface ainda dependem de muita mão de obra. Ao mesmo tempo, produtores americanos enfrentam dificuldades para encontrar trabalhadores e lidam com custos maiores de contratação.
Por isso, a automação começa a ganhar espaço justamente nas atividades que exigem equipes numerosas.
Mark Mason, gerente da Huntington Farms e produtor que participa da adoção de novas tecnologias, resume o problema.
“Não é que estejamos tentando nos livrar da mão de obra. Ela simplesmente não está disponível”, afirmou ao Ag Alert.
Por outro lado, as novas máquinas também podem criar funções para trabalhadores responsáveis pela operação, manutenção e reparo dos equipamentos.
Laser elimina plantas daninhas

A colheitadeira não foi a única tecnologia que chamou atenção na demonstração.
A Carbon Robotics, por exemplo, apresentou uma máquina que usa inteligência artificial para diferenciar a cultura das plantas invasoras. Depois de identificar o alvo, o equipamento dispara lasers contra as ervas daninhas.
Além disso, outros sistemas demonstrados fazem aplicações extremamente localizadas de produtos.
Dependendo da cultura e da infestação, uma das tecnologias pode reduzir o uso de herbicidas em até 80%.
Assim, a automação não está avançando apenas sobre a colheita. Máquinas inteligentes também começam a assumir atividades relacionadas ao controle de plantas invasoras e à aplicação de produtos.
Até boneco inflável entrou na lavoura

Enquanto algumas empresas apostam em inteligência artificial e lasers, outra solução chamou atenção pela simplicidade visual.
A Padma Robotics apresentou uma plataforma autônoma equipada com lasers, alto-falantes e um boneco inflável dançante, semelhante aos usados na frente de lojas.
Nesse caso, a máquina percorre a propriedade utilizando diferentes estímulos para afastar aves que atacam as plantações.
Além disso, outra empresa demonstrou drones capazes de perseguir pássaros enquanto reproduzem sons de predadores e sinais de alerta. Ao mesmo tempo, os equipamentos podem fotografar as culturas e coletar dados em alta resolução.
No caso da alface, porém, o desafio agora será transformar o protótipo em uma máquina comercialmente viável.
Por enquanto, o robô ainda está em testes. Ainda assim, a demonstração na Califórnia mostrou como uma das operações mais dependentes de trabalho manual na horticultura pode mudar.
Afinal, uma máquina já consegue olhar para cada alface, decidir se está madura e fazer a colheita praticamente sozinha.