Resumo da notícia
- As exportações brasileiras de café em agosto bateram recorde com 4,16 milhões de sacas, elevando a oferta e pressionando os preços internacionais para baixo no curto prazo.
- Chuvas acima da média favorecem a safra 2027/28 no Brasil, aumentando a expectativa de maior produção e pressionando ainda mais os preços do café arábica.
- Apesar do aumento das exportações, estoques certificados baixos e riscos climáticos no Vietnã e Indonésia podem sustentar os preços nas próximas safras.
As exportações brasileiras de café aumentaram a pressão sobre os preços internacionais no curto prazo. Em agosto, o país embarcou 4,16 milhões de sacas, recorde para o mês e 31% acima do volume registrado um ano antes.
A avaliação é da Hedgepoint Global Markets. Segundo a consultoria, o aumento dos embarques reduz parte dos receios sobre a disponibilidade imediata de café e pode manter o arábica abaixo de US$ 2,80 por libra-peso na Bolsa de Nova York.
Na sexta-feira (18), o café encerrou a sessão em US$ 2,80 por libra-peso.
- Café solúvel: exportações crescem 12,8% até agosto e setor mira recorde em 2026
- Café precisa ter 11% a 12% de umidade antes do armazenamento
Brasil aumenta oferta no mercado
Além das exportações, o clima também influencia as expectativas para a próxima safra. As chuvas favoreceram o desenvolvimento da safra 2027/28 em várias regiões produtoras.
Segundo a Hedgepoint, algumas áreas já registraram a primeira floração. Ao mesmo tempo, a chuva acumulada em setembro ficou acima da média de dez anos na maior parte das regiões produtoras.
Por isso, a perspectiva de maior disponibilidade brasileira contribui para pressionar as cotações. Ainda assim, os estoques certificados continuam muito baixos e oferecem algum suporte aos preços.
“Os estoques certificados seguem nos níveis mais baixos em décadas e dão algum suporte aos preços. Ainda assim, o aumento dos estoques pendentes para classificação, o clima no Brasil e o avanço das exportações podem ampliar a pressão baixista [para os preços], com o contrato de dezembro potencialmente mais perto dos 270 c/lb (centavos de dólar por libra-peso)”, afirma Laleska Moda, analista de inteligência de mercado na Hedgepoint.
A projeção de 270 centavos equivale a US$ 2,70 por libra-peso. Trata-se, porém, de uma estimativa da consultoria.
Vietnã também aumenta os embarques
O mercado acompanha ainda o Vietnã, principal produtor mundial de café robusta. Em agosto, o país exportou 2,1 milhões de sacas, maior volume para o mês em sete anos, segundo a Hedgepoint.
No acumulado da safra 2025/26, os embarques chegaram a 27,7 milhões de sacas, alta de 19,6% sobre o ciclo anterior.
Por outro lado, os estoques vietnamitas estão baixos. Além disso, as chuvas ficaram abaixo da média em várias regiões desde o início do desenvolvimento da safra 2026/27.
Como resultado, algumas áreas já trabalham com expectativa de redução da produção. Mesmo assim, a Hedgepoint projeta 30,5 milhões de sacas para a safra, volume semelhante ao ciclo anterior.
Clima pode mudar o cenário
O risco climático continua no radar. No Vietnã, o El Niño pode prolongar a estação seca e reduzir a disponibilidade de água para irrigação. A Indonésia também pode sofrer impactos sobre a produção de robusta.
Enquanto isso, o mercado acompanha a evolução da safra brasileira. Assim, o aumento das exportações tende a pressionar os preços no curto prazo, mas estoques baixos e possíveis efeitos climáticos podem voltar a sustentar as cotações nos próximos meses.