Embarques chegam a 65,3 mil toneladas, enquanto consumo interno avança 11,9%; indústria enfrenta fim de crédito tributário em 2027
pé de café
Foto: ApexBrasil -Divulgação.

As exportações brasileiras de café solúvel cresceram 12,8% de janeiro a agosto de 2026, para 65,3 mil toneladas. No mesmo período, o consumo interno avançou 11,9%, chegando a 19,7 mil toneladas, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics).

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Somente em agosto, os embarques somaram 7,7 mil toneladas, alta de 24,9% sobre o mesmo mês de 2025. O volume equivale a 333,7 mil sacas de 60 quilos.

Segundo Aguinaldo Lima, diretor executivo da Abics, quase todos os meses de 2026 registraram volumes iguais ou superiores aos do ano passado. Em junho, por exemplo, as exportações cresceram 38,9%.gra.1 café

União Europeia amplia compras

A União Europeia foi um dos destaques entre os mercados compradores. Até agosto, as exportações brasileiras para o bloco cresceram 44,2%, para 13,1 mil toneladas.

Nos Estados Unidos, por outro lado, os embarques acumulam queda de 6,1% no ano. Em agosto, porém, as vendas cresceram 86,8% na comparação anual.

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Para Lima, o resultado indica uma possível retomada das exportações aos Estados Unidos após a retirada do chamado tarifaço. A Abics espera manter esse ritmo até o fim de 2026.graf.2 café

Consumo interno avança

O mercado brasileiro também apresentou crescimento. O consumo de café solúvel aumentou 11,9% nos oito primeiros meses do ano.

O avanço ocorreu nas duas categorias acompanhadas pela Abics. O spray dried cresceu 11,7%, enquanto o freeze dried, de maior valor agregado, avançou 13,3%.

Com a combinação entre mercado interno e exportações, a Abics estima que o setor pode alcançar um novo recorde em 2026. A projeção, entretanto, depende dos resultados dos próximos meses.

Crédito tributário será extinto em 2027

Ao mesmo tempo em que o mercado cresce, a indústria se prepara para uma mudança tributária.

Segundo a Abics, o crédito presumido de PIS/Cofins sobre a aquisição do café verde, que correspondia a 7,4% do valor da matéria-prima, caiu para 6,66% em 2026 e será extinto em 1º de janeiro de 2027.

A entidade afirma que a medida pode elevar os custos da indústria. Embora o café tenha sido incluído na Cesta Básica Nacional, com alíquota zero de CBS e IBS, a associação avalia que essa desoneração não substitui o efeito financeiro do crédito presumido.

Por isso, a Abics busca alternativas de transição ou compensação junto ao governo federal e ao Congresso Nacional. Até o momento, segundo a entidade, não houve reversão da medida.

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