Resumo da notícia
- Joana Mousinho e Luena Pataxó, representantes das pescadoras brasileiras e indígenas, serão homenageadas pela FAO no Fórum Mundial da Alimentação, destacando seu papel na segurança alimentar e inclusão social.
- Joana, pioneira e primeira mulher a presidir uma colônia de pescadores no Brasil, ajudou a ampliar direitos e visibilidade para as trabalhadoras da pesca artesanal.
- Luena, líder da Associação dos Pescadores Indígenas Pataxó, ampliou parcerias e melhorias para comunidades locais, reforçando a luta coletiva e a preservação ambiental.
Uma pioneira na representação das pescadoras brasileiras e uma liderança indígena Pataxó estão entre as mulheres que receberão uma homenagem da ONU nesta quinta-feira (15). Joana Rodrigues Mousinho e Luena Maria Ferreira dos Santos, conhecida como Luena Pataxó, serão reconhecidas pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) durante o Fórum Mundial da Alimentação, em Roma, na Itália.
Indicadas pelo Ministério das Mulheres, as duas integram o grupo das 100 Mulheres Heroínas da FAO nos Sistemas Agroalimentares e no Desenvolvimento Rural. Segundo a página oficial da iniciativa, a seleção recebeu 609 indicações enviadas por 131 membros da organização.
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O reconhecimento destaca o trabalho das brasileiras pela segurança alimentar, inclusão social, sustentabilidade ambiental e geração de renda, além da contribuição para que as comunidades rurais consigam enfrentar dificuldades.
“A escolha de Joana Mousinho e Luena Pataxó reflete não apenas suas realizações individuais, mas também o compromisso do Brasil com o fortalecimento das mulheres agricultoras e pescadoras, empreendedoras, lideranças comunitárias e agentes de transformação dos sistemas agroalimentares”, afirma, em nota, Jorge Meza, representante da FAO no Brasil.
Joana abriu espaço para mulheres nas colônias de pesca
Pernambucana de 70 anos, Joana Mousinho foi a primeira mulher a presidir uma colônia de pescadores no Brasil. Seu pioneirismo também é registrado pelo Ministério da Pesca e Aquicultura.
Ela participou da fundação da Articulação Nacional das Pescadoras, movimento que ajudou a dar visibilidade às trabalhadoras da pesca artesanal e a ampliar seus direitos.
Para Joana, a homenagem da FAO incentiva outras mulheres a continuar reivindicando direitos e a ocupar os espaços onde são tomadas as decisões que afetam seu trabalho.
“Vemos que estamos ganhando visibilidade. Foi uma conquista, minha comunidade está muito feliz e agradecida”, afirmou em nota.
Luena representa pescadores indígenas no sul da Bahia
Em Coroa Vermelha, distrito de Santa Cruz Cabrália, no sul da Bahia, Luena Pataxó preside a Associação dos Pescadores Indígenas Pataxó (Apip). Sua atuação à frente da entidade tem como foco as famílias que dependem da pesca artesanal, especialmente da captura de camarão.
Sob sua liderança, a associação ampliou parcerias institucionais, conquistou melhorias para os pescadores locais e implementou iniciativas de segurança no mar e geração de renda.
Ao comentar a homenagem, Luena atribuiu o reconhecimento à luta coletiva de seu povo.
“É uma honra ter o reconhecimento internacional da luta do meu povo indígena, que não é de hoje, e é diária. A homenagem não é para mim, estou representando a minha comunidade. Carrego comigo minha raiz e meus parentes indígenas. Somos os guardiões do meio ambiente”, afirmou em nota.