Resumo da notícia
- A produção global de alimentos pode cair até 14,2% até 2050 no cenário de maior pressão climática, devido ao estresse de calor e falta de água, segundo estudo das universidades de Melbourne e Australiana.
- No Brasil, eventos climáticos extremos como chuvas intensas e estiagens ameaçam a agropecuária, afetando produtividade, renda dos produtores e aumentando os riscos econômicos no setor.
- A adaptação local é essencial; estratégias como diversificação de culturas, manejo do solo e sistemas agroflorestais ajudam a reduzir os impactos do calor e da escassez hídrica nas propriedades rurais.
A produção global de alimentos pode cair até 14,2% até 2050 em um dos cenários de maior pressão climática analisados por pesquisadores da Universidade de Melbourne e da Universidade Nacional Australiana. O estudo, publicado na revista Scientific Reports, avaliou os efeitos do estresse de calor e de água sobre a produção mundial.
A projeção de 14,2% corresponde ao cenário de maior pressão climática e socioeconômica analisado pelo estudo, que combina altas emissões de gases de efeito estufa, crescimento populacional elevado e menor cooperação entre países. Nos outros dois cenários avaliados, a queda projetada foi de 5,8% e 9,7%, sempre em comparação com a produção de 2020. Portanto, o percentual representa um resultado de modelagem, e não uma previsão de queda inevitável.
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No Brasil, os extremos climáticos também elevam os riscos para a agropecuária. Chuvas intensas, estiagens e temperaturas elevadas podem reduzir a produtividade e afetar a renda dos produtores.
Calor e falta de água ameaçam as lavouras
As perdas projetadas variam entre as regiões. Áreas mais expostas ao calor e à escassez hídrica tendem a sofrer impactos maiores, enquanto condições locais e capacidade de adaptação podem alterar os resultados.
O estudo considera principalmente os efeitos do estresse térmico e da disponibilidade de água sobre a produção agrícola. Por isso, os resultados não devem ser interpretados como uma estimativa única para todos os países ou culturas.
Além disso, a pesquisa trabalha com diferentes cenários climáticos e socioeconômicos. As condições observadas até 2050 dependerão da trajetória das emissões, do desenvolvimento econômico e das respostas adotadas pelos sistemas produtivos.
El Niño aumenta o risco de eventos extremos
No Brasil, o El Niño pode alterar o regime de chuvas e favorecer eventos extremos em diferentes regiões. Os efeitos, porém, variam conforme a área e a época do ano.
No Sul, períodos de chuva intensa podem provocar perdas nas lavouras e dificuldades no transporte. Já em outras regiões, a menor disponibilidade de água pode comprometer o desenvolvimento das culturas.
Além das perdas no campo, uma quebra de safra pode aumentar custos de transporte, pressionar o crédito e os seguros rurais e influenciar os preços dos alimentos.
Produtor precisa administrar o risco
Diante desse cenário, cada propriedade precisa considerar suas próprias condições. Tipo de solo, disponibilidade de água, cultura produzida e calendário agrícola influenciam as medidas para reduzir a exposição aos extremos climáticos.
Além disso, informações sobre chuva, temperatura e disponibilidade hídrica ajudam no planejamento e na antecipação de períodos de maior risco.
Entre as estratégias possíveis estão a diversificação de culturas, o manejo adequado do solo, a integração entre atividades agrícolas e pecuárias e os sistemas agroflorestais. A escolha depende das características de cada propriedade e das condições de cada região.
Com o avanço das temperaturas e a pressão sobre os recursos hídricos, a gestão do risco climático tende a ganhar espaço no planejamento da produção de alimentos. As projeções científicas mostram que os impactos podem variar significativamente conforme o cenário climático e as condições produtivas.