Resumo da notícia
- O mercado global de cacau está volátil devido a fundamentos técnicos e riscos climáticos, com preços sensíveis às condições nas principais regiões produtoras da África Ocidental.
- Previsões indicam chuvas abaixo da média na África Ocidental e alta probabilidade de El Niño, que pode afetar o desenvolvimento das lavouras e elevar os preços internacionais do cacau.
- O El Niño tem 82% de chance de ocorrer entre maio e julho, podendo causar secas na África Ocidental e Central, impactando a produção, enquanto outras regiões enfrentam chuvas intensas e ondas de calor.
O mercado global de cacau mantém pressão de fatores técnicos e da expectativa de superávit, mas segue altamente sensível ao clima nas principais regiões produtoras. A combinação entre fundamentos baixistas e riscos climáticos deve sustentar a volatilidade nas próximas semanas.
Dados da Hedgepoint Global Markets indicam que previsões de chuvas abaixo da média na África Ocidental e o avanço das chances de El Niño podem alterar o comportamento dos preços, mesmo com sinais de maior oferta global.
Na semana encerrada em 29 de maio, os contratos futuros do cacau fecharam a US$ 3.923 por tonelada em Nova York e £ 2.975 por tonelada em Londres. No acumulado do mês, as cotações subiram 12,3% e 13,5%, respectivamente.
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Apesar de projeções de safra maior na Costa do Marfim e preocupações com a qualidade das amêndoas na África Ocidental, os fundamentos do mercado não registraram mudanças relevantes.

Segundo Carolina França, analista de Inteligência de Mercado da Hedgepoint, o mercado reage rapidamente a ajustes técnicos e ao cenário macroeconômico. Movimentos como cobertura de posições vendidas e reposicionamento de investidores continuam influenciando os preços.
Clima na África Ocidental entra no radar
As condições climáticas seguem no centro das atenções. Na Costa do Marfim, maior produtor mundial, as chuvas permanecem acima do ciclo anterior e próximas da média histórica. Em Gana, o volume de precipitação também supera a média, o que favorece o desenvolvimento das lavouras, mas eleva o risco de doenças e impactos na colheita.

Mesmo com cenário positivo até agora, previsões indicam redução das chuvas em partes da África Ocidental nas próximas semanas. O período é decisivo para a safra 2026/27, pois coincide com a fase de florescimento das plantas.
Caso a estiagem avance ao longo de junho, o desenvolvimento das lavouras pode sofrer impacto direto, o que tende a dar suporte aos preços internacionais do cacau.
El Niño aumenta incerteza no mercado
Outro fator de atenção é o avanço das projeções para o El Niño. A NOAA elevou para 82% a probabilidade de formação do fenômeno entre maio e julho. Com possibilidade de continuidade durante o inverno 2026/27 no Hemisfério Norte.
As projeções indicam que a temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 pode ultrapassar 1,5°C e atingir até 2°C a partir de setembro, caracterizando um evento forte.
Os impactos variam por região. Mas o padrão climático tende a provocar condições mais secas em áreas da África Ocidental e Central, além da América Central e do norte do Brasil. Por outro lado, países como Peru e Equador podem registrar aumento das chuvas.
O fenômeno também pode intensificar ondas de calor na América do Sul e na África. A intensidade do El Niño, aliada a fatores locais como o Harmattan e a monção da África Ocidental, deve determinar os efeitos sobre a produção.
Fatores técnicos e clima devem guiar preços
No curto prazo, o mercado deve continuar reagindo à combinação entre fatores técnicos e notícias climáticas. A expectativa de superávit global e os estoques elevados em Nova York mantêm o viés baixista.
No entanto, qualquer mudança nas condições climáticas pode gerar correções rápidas nos preços.
Portanto, o mercado de cacau segue em alerta. A evolução do clima na África Ocidental, o comportamento do El Niño e a demanda global devem continuar como principais vetores para produtores, exportadores e investidores.







