Resumo da notícia
- A diversificação da ração bovina com DDG, farelo de soja e sorgo pode reduzir a exposição dos produtores às variações de preços e fortalecer a competitividade da carne brasileira.
- A expansão dos biocombustíveis impulsiona a oferta de farelo de soja e DDG, aumentando as alternativas para a formulação da ração até 2031.
- A produção de sorgo deve crescer, oferecendo uma alternativa ao milho e ampliando a flexibilidade na alimentação, o que pode ajudar a controlar custos no confinamento.
A ração bovina deve ganhar novas opções nos próximos anos com o avanço do DDG, do farelo de soja e do sorgo no Brasil. Segundo estudo do RaboResearch, (área do Rabobank, responsável por pesquisas e análises sobre o agronegócio e o mercado de alimentos), a diversificação pode reduzir a exposição dos produtores às oscilações de preços e fortalecer a competitividade da carne brasileira.
A mudança acompanha a expansão dos biocombustíveis e o maior processamento de grãos. Além disso, a alimentação representa 70% a 80% dos custos operacionais dos confinamentos bovinos, segundo o estudo.
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Farelo de soja terá maior oferta
O estudo estima que o esmagamento de soja chegue a cerca de 69 milhões de toneladas, com aproximadamente 5 milhões de toneladas adicionais de farelo em relação a 2025.
O avanço está ligado, entre outros fatores, ao crescimento dos biocombustíveis. A Lei do Combustível do Futuro prevê aumento da mistura de biodiesel para 20% até 2030.
DDG amplia alternativas
A expansão do etanol de milho também aumenta a oferta de DDG (grãos secos de destilaria), um coproduto obtido durante a produção do combustível e que pode ser aproveitado na alimentação de bovinos.
Segundo o estudo, a oferta de DDG cresceu, em média, 21% ao ano nos últimos cinco anos e pode chegar a 8 milhões de toneladas em 2031. Com isso, a indústria ganha mais opções para formular as rações conforme os preços e a disponibilidade dos ingredientes.
Sorgo ganha espaço
A produção brasileira de sorgo pode passar de 6 milhões de toneladas na safra 2025/26 para 10 milhões em 2031, segundo o estudo.
O cereal pode substituir parte do milho em determinadas formulações e, assim, ampliar a flexibilidade da cadeia. No entanto, a diversificação não garante queda no preço da ração, que também depende de frete, oferta regional, demanda e exportações.
Mais opções podem fortalecer a carne
Como a alimentação pesa no custo do confinamento, a maior oferta de ingredientes pode ajudar a pecuária a administrar melhor as despesas.
O Brasil responde por cerca de 15% da produção mundial de carne bovina, mas participa com mais de 22% das exportações globais. Nesse cenário, o maior aproveitamento de grãos e coprodutos pode contribuir para manter a competitividade da carne brasileira até 2031.