Fiat Titano e Ram Dakota somam apenas 6,7 mil unidades vendidas no Brasil em 2026; fábrica argentina passa a trabalhar com apenas um turno
Fiat Titano exposta em evento da Mopar; picape teve queda nas vendas em 2026
Foto: Stellantis - Divulgação

A Stellantis decidiu pisar no freio na produção de duas de suas principais apostas no mercado de picapes. A fábrica de Córdoba, na Argentina, reduziu o ritmo de montagem da Fiat Titano e da Ram Dakota diante de uma demanda abaixo do esperado.

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A linha que produzia as duas caminhonetes em dois turnos passou a operar com apenas um em setembro. Além disso, informações divulgadas na Argentina apontam uma redução expressiva no planejamento para 2026.

A previsão inicial era fabricar cerca de 27 mil unidades das duas picapes ao longo do ano. Agora, a estimativa está em aproximadamente 16,5 mil.

Na prática, são 10,5 mil caminhonetes a menos, uma redução próxima de 39%.

O desempenho no Brasil ajuda a explicar o movimento. Embora o mercado de veículos esteja crescendo em 2026, Titano e Dakota ainda aparecem bem longe das líderes entre as picapes médias.

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Titano e Dakota vendem 6,7 mil unidades

Ram Dakota em cenário rural; modelo ainda busca espaço entre as picapes médias no Brasil
Foto: Stellantis – Divulgação

Dados de emplacamentos mostram que as duas caminhonetes somaram 6.679 unidades entre janeiro e agosto.

A Fiat Titano registrou 3.479 veículos no período. Já a Ram Dakota alcançou 3.200 unidades.

A diferença fica evidente quando o Agro em Campo compara os números com os das três primeiras colocadas entre as picapes médias.

A Toyota Hilux vendeu 30.205 unidades nos primeiros oito meses do ano. Em seguida aparece a Ford Ranger, com 23.501, enquanto a Chevrolet S10 soma 20.329.

Assim, a Hilux vendeu sozinha mais de quatro vezes o volume combinado de Titano e Dakota.

Picape Vendas até agosto de 2026
Toyota Hilux 30.205
Ford Ranger 23.501
Chevrolet S10 20.329
Mitsubishi Triton 8.467
GWM Poer 4.542
Fiat Titano 3.479
Ram Dakota 3.200

Titano caiu quase 46% em agosto

Fiat Titano em exposição; modelo é produzido pela Stellantis ao lado da Ram Dakota
Foto: Stellantis – Divulgação

O resultado mensal também acende um sinal de alerta para a Fiat.

A Titano terminou agosto com 258 unidades emplacadas, contra 476 em julho. Portanto, as vendas caíram aproximadamente 45,8% em apenas um mês.

Além disso, o modelo acumula queda de 17% em 2026 na comparação com o mesmo período do ano passado.

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A situação da Dakota é diferente. Como chegou recentemente ao mercado, a picape ainda busca construir espaço entre concorrentes consolidadas.

Em agosto, ela registrou seu melhor resultado mensal até agora, com 634 unidades, alta de 20,3% sobre julho. Mesmo assim, o acumulado de 3.200 veículos ainda mantém a Ram distante do primeiro pelotão.

Fábrica passa a trabalhar com um turno

Ram Dakota em estrada de terra; picape tem produção reduzida pela Stellantis
Foto: Stellantis – Divulgação

A mudança também chegou ao chão de fábrica.

Desde setembro, a linha de Titano e Dakota em Córdoba passou de dois para um turno de produção. A operação faz parte do projeto da Stellantis para transformar a unidade argentina em um polo regional de picapes.

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A empresa confirmou a adequação do ritmo industrial e relacionou a decisão à evolução da demanda nos mercados interno e internacional.

No entanto, a Stellantis mantém os investimentos previstos para Córdoba. Entre os projetos está a produção local, a partir de 2027, do motor turbodiesel Multijet 2.2 utilizado pelas duas caminhonetes.

Titano ganhou motor de 200 cv

A Fiat já havia feito mudanças importantes na Titano para tentar aumentar sua competitividade.

A linha 2026 recebeu o motor 2.2 turbodiesel Multijet de 200 cv e 450 Nm de torque, equivalente a aproximadamente 45,9 kgfm. Nas versões automáticas, o câmbio passou a ter oito marchas.

Além disso, a fabricante fez alterações na suspensão, no sistema de tração e nos equipamentos de segurança.

Ainda assim, os números mostram o tamanho do desafio.

Enquanto Titano e Dakota tentam ganhar espaço, Hilux, Ranger e S10 continuam concentrando boa parte das vendas entre as caminhonetes médias no Brasil.

E a concorrência aumentou.

A GWM Poer, por exemplo, já soma 4.542 unidades em 2026, número superior ao registrado individualmente por Titano e Dakota.

Por enquanto a reação esperada pela Stellantis ainda não apareceu nas concessionárias. A redução do ritmo da fábrica argentina, portanto, transforma as vendas dos próximos meses em um teste importante para as duas picapes.