Filhote encontrada em um canavial no oeste paulista passou por cirurgia para tratar fraturas e segue sob acompanhamento veterinário, ainda sem previsão de retorno à natureza
anta Timótea
Foto: Divulgação

A filhote de anta-brasileira Timótea ganhou aproximadamente quatro quilos desde que foi resgatada no início de setembro, no entorno do Parque Estadual Morro do Diabo, em Teodoro Sampaio, no oeste paulista. Encontrada com cerca de 20 dias de vida e uma perna fraturada, ela passou por cirurgia e continua recebendo cuidados especializados no Instituto da Associação Protetora de Animais Silvestres (APASS), em Assis.

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Ao chegar para atendimento, a pequena anta pesava 13 quilos. Desde então, alcançou aproximadamente 17 quilos e mantém a alimentação normal. Embora esses sinais indiquem uma evolução positiva, a equipe veterinária ainda precisa acompanhar a cicatrização dos ossos e avaliar a recuperação dos movimentos.

O resgate mobilizou a Fundação Florestal, vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil), e a Usina Atvos. Além disso, a Polícia Militar Ambiental participou do encaminhamento do animal para atendimento especializado.

Busca em meio ao canavial

A operação começou por volta das 6h30, quando a equipe da Usina Atvos acionou a Fundação Florestal após encontrar a filhote caída em uma lavoura de cana-de-açúcar, com sinais de ferimento em uma das pernas. Segundo a avaliação da equipe, uma queda em um desnível do terreno pode ter provocado as lesões.

Localizar o animal novamente, no entanto, exigiu esforço. Os profissionais percorreram cerca de quatro quilômetros até encontrá-lo. Nesse percurso, a pelagem rajada da filhote dificultou a busca, pois funcionava como uma camuflagem natural em meio à palha do canavial.

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“Quando conseguimos encontrá-la, percebemos que ela realmente precisava de atendimento rápido. Pegamos a Timótea no colo, levamos para uma área onde pudemos prestar os primeiros cuidados e fizemos a imobilização da perna. A partir dali, começou uma mobilização de várias equipes para que ela pudesse receber o atendimento necessário”, conta a diretora de Biodiversidade da Fundação Florestal, Andrea Pires.

Depois da imobilização e dos primeiros cuidados, a equipe encaminhou Timótea à base da Polícia Militar Ambiental. Em seguida, a APASS realizou o transporte até Assis, onde a filhote passou a receber acompanhamento veterinário especializado.

Cirurgia trata fraturas e exige cuidados

Os exames de imagem identificaram fraturas na tíbia, na fíbula e na pelve. Para estabilizar as lesões na perna, os veterinários realizaram uma cirurgia com a colocação de uma placa. Já a fratura pélvica continua sob monitoramento.

Apesar do ganho de peso e da alimentação normal, a recuperação ainda exige cautela. Isso porque os profissionais precisam verificar se os ossos vão cicatrizar adequadamente e se o membro recuperará sua funcionalidade.

“Ela está evoluindo bem, está se alimentando e ganhando peso. Mas, por se tratar de um animal silvestre, existem inúmeros fatores que precisam ser considerados durante a recuperação. Ainda precisamos aguardar a cicatrização dos ossos e verificar se o membro ficará totalmente funcional”, explica Andrea.

Para acompanhar esse processo, a equipe deverá realizar novas radiografias. Com os resultados, os veterinários poderão avaliar a consolidação das fraturas e decidir se será necessário manter a placa cirúrgica ou retirá-la posteriormente.

Retorno à natureza ainda não tem previsão

Embora Timótea apresente sinais positivos, ainda não há uma data definida para a soltura. Antes de qualquer decisão, a filhote precisará concluir a recuperação clínica, recuperar a mobilidade e demonstrar condições comportamentais para sobreviver no ambiente natural.

Além das limitações físicas, a pouca idade torna o processo mais complexo. Na natureza, os filhotes permanecem próximos da mãe durante um período prolongado e, nesse intervalo, aprendem comportamentos essenciais para encontrar alimento e sobreviver.

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“Timótea é muito jovem e estaria em uma fase de forte dependência materna. Na natureza, os filhotes permanecem com a mãe por um período que pode chegar a dois anos, aprendendo comportamentos fundamentais para sua sobrevivência. Como ela foi encontrada sozinha e precisou ser resgatada, ainda não é possível estabelecer uma previsão de soltura. Agora, nossa prioridade é a recuperação e o bem-estar do animal”, reforça Andrea Pires.

Por esse motivo, a equipe não poderá definir o retorno à natureza apenas com base na cicatrização das fraturas. Será necessário avaliar também o comportamento da filhote e sua capacidade de viver sem assistência humana. Até que essas condições sejam verificadas, a Fundação Florestal e as instituições envolvidas continuarão priorizando o bem-estar do animal.

Por que a anta é chamada de jardineira das florestas?

A recuperação de Timótea também chama a atenção para a importância da conservação da anta-brasileira (Tapirus terrestris), considerada o maior mamífero terrestre do Brasil.

Ao consumir frutos e percorrer grandes distâncias, a espécie transporta e dispersa sementes. Dessa forma, contribui para a regeneração da vegetação e para a manutenção da biodiversidade. É justamente por essa função ecológica que a anta recebe o apelido de jardineira das florestas.

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Na região do Parque Estadual Morro do Diabo, essa função reforça a importância de preservar os remanescentes de Mata Atlântica. Além da proteção dos habitats, a manutenção de condições que favoreçam o deslocamento da fauna ajuda a conservar diferentes espécies silvestres.

O resgate reuniu a Fundação Florestal e a Usina Atvos, com apoio da Polícia Militar Ambiental e atendimento especializado da APASS, em Assis. Enquanto aguarda a consolidação das fraturas, Timótea permanece sob cuidados veterinários. Assim, qualquer possibilidade de retorno à natureza dependerá dos resultados do tratamento e das futuras avaliações clínicas e comportamentais.